quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Ovários Policísticos - Você entende ou acha que tem?

A síndrome dos ovários micropolicísticos ainda permanece, hoje, um desafio a ser corretamente entendido por médicos e pacientes.

Retorno ao tema, pois fazendo uma retrospectiva do ano que está chegando ao fim, vejo quantas pacientes recebi em meu consultório com o diagnóstico errado desta síndrome ou com o tratamento e acompanhamento sendo realizados de forma errônea.
Assim, sinto a necessidade de escrever e tentar esclarecer ainda mais sobre esta patologia tão comum e tão cheia de variedades. Digo isto, pois, tenho a certeza de que muitas pacientes acham que têm ovários micropolicísticos quando na verdade foram diagnosticadas erroneamente.
 Vamos esclarecer os fatos.

Atualmente, o critério utilizado para o diagnóstico desta patologia foi estabelecido na  cidade de Rotterdam, na Holanda, no ano de 2003.

Desde então, são necessários alguns critérios para fechar o diagnóstico desta doença. Por exemplo, ter ovários com característica de micropolicistos ao ultrassom, não é, hoje, suficiente para estabelecer esse diagnóstico.

A SOMP, SOP ou síndrome dos ovários micropolicísticos ou síndrome dos ovários policísticos ou doença policística ovariana ou micropolicistose ovariana, precisa de critérios bem estabelecidos para um correto diagnóstico.

Uma mulher somente terá a síndrome se tiver dois ou mais dos seguintes critérios: em primeiro lugar, menstruação irregular (aquela irregularidade caracterizada por atrasos freqüentes), essa mulher menstrua menos do que é considerado normal (menstruações em geral superiores à 35 dias).
 O segundo critério é a alteração percebida no exame de ultrasom, é aquele ovário que ao ultrasom tem aspecto de micropolicistico (cada ovário tem que ter pelo menos 12 pequenos "cistos" entre 2 e 9 mm) e por fim, o terceiro critério é a presença de excesso de hormônios ditos masculinos (como a testosterona), essa última característica pode ser observada pelo excesso de pêlos, acne, pele oleosa, queda de cabelo, ou por alterações hormonais em exames sangüíneos. 

Portanto, somente com duas das três características acima, pode-se fechar o diagnóstico desta doença.


Entretanto, por trás da doença ovariana, temos que ter o máximo cuidado, pois geralmente ela vem acompanhada de alterações dos níveis de colesterol e açúcar, deixando a portadora de SOMP, com uma chance maior de ter diabetes, pressão alta e suas terríveis complicações, como infartos e derrames. Portanto, tratar este problema não se resume a usar métodos anticoncepcionais. Uma vez com o diagnóstico, sempre teremos que controlar a síndrome, é tudo uma questão de controle, sobretudo controle metabólico.

Por outro lado, temos a diminuição da ovulação da mulher, e conseqüentemente, dificuldades para engravidar podem surgir, sendo essa uma das principais causas hormonais de infertilidade ou subfertilidade. Maiores chances de abortamento também estão presentes nesta patologia. 
Portanto, podemos dizer que a SOMP pode causar dificuldade para engravidar, infertilidade, alterações metabólicas e um risco maior de abortamento. Devido a tudo isso, não podemos banalizar seu diagnóstico e tratamento, leia-se seguimento e controle.
Esta doença vem a muito sendo banalizada, tratada como uma simples alteração hormonal, não é tão simples assim, seu controle tem que ser feito e tem que ser rigoroso.

É necessária, uma ação conjunta envolvendo médicos (ginecologista e endocrinologista), nutricionista, educador físico, psicólogo e em casos de infertilidade, um especialista em reprodução humana.

A mulher com SOMP tem que ter um perfeito controle metabólico, tem que perder pêso, fazer atividade física, comer menos carboidratos e isso requer tempo, dedicação e disciplina.
Para isso, é fundamental uma compreensão global da patologia, tanto por parte da equipe multidisciplinar, como por parte da paciente.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Endométrio - Peça Fundamental


Se você nunca ouviu falar de endométrio, saiba que esta parte do útero vem sendo muito estudada, atualmente, e muitas vezes vem sendo apontada como causa de falhas de implantação embrionária durante os tratamentos de reprodução assistida. 
O endométrio é a camada que reveste a parte interna do útero, essa região é onde ocorre a implantação do embrião na gravidez. É aqui que se inicia a gestação. 
Hoje, já se consegue por meio das técnicas de reprodução assistida obter-se  o embrião perfeito, conseguimos selecionar o melhor espermatozóide e chegamos muitas vezes ao óvulo ideal, mas infelizmente ainda não entendemos, a fundo, o endométrio. 
Acha-se que é preciso haver uma coordenação, um equilíbrio entre endométrio e embrião. Um momento certo para que o embrião se implante no endométrio. A grande questão é encontrar este momento. 
Teoriza-se que durante os procedimentos de reprodução assistida (inseminação intrauterina e sobretudo a fertilização in vitro) o endométrio sofra uma aceleração de sua maturidade, devido ao uso dos hormônios  (gonadotrofinas - FSH e LH) que são utilizados para estimular o crescimento dos folículos (estruturas que envolvem os óvulos), e que esse fator possa comprometer a sua receptividade ao embrião. Teorias a parte, esta evidência apresenta-se cada dia mais forte e indica uma possível solução para um mistério que há anos desafia a medicina reprodutiva. 
Evidências recentes demonstraram que a presença de determinadas alterações na estrutura do endométrio (formação de estruturas chamadas de pinopodes, que aumentariam a adesão ao mesmo), durante a fase pós-ovulatória o fariam ter uma receptividade maior ao embrião. Essas alterações estariam mais presentes em intervalos, às vezes, de horas ou dias, e parecem estar presentes em menor número em endométrios sob ação hormonal, leia-se gonadotrofinas, ou seja, nos endométrios de mulheres submetidas a fertilizações in vitro e inseminações intra-uterinas. 
Assim se a transferência do embrião ocorre no momento com menos pinopodes, o que teoricamente pode ocorrer nos ciclos de reprodução assistida, devido ao uso de gonadotrofinas, as taxas de gravidez cairiam.         
 Dai a importância de obter a sincronia exata entre endométrio e embrião. 
Essa evidência abre um leque enorme de opções para se tentar aumentar as taxas de gravidez em reprodução assistida, como, por exemplo, a transferência de embriões congelados.  
Antes vista como uma alternativa secundária, a transferência de embriões congelados começa a ser encarada como uma ótima opção e talvez como a melhor opção do futuro, pois nesse caso não há o uso de gonadotrofinas e assim o endométrio teria uma sincronia maior com o embrião, não sofrendo a aceleração provocada pelas mesmas. 
Muito ainda se precisa conhecer para desvendarmos todos os mistérios desta região tão importante para o sucesso de uma gravidez, a medicina reprodutiva já encontrou a luz a seguir, agora temos que ter calma e esperar por novos avanços!!!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Vida saudável e Fertilidade

Após 05 dias de imersão no 67• Encontro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, em Orlando, Flórida, nos Estados Unidos, uma certeza concreta ficou estabelecida. Muito se falou nas relações entre hábitos de vida e a relação com a fertilidade.
Sempre, com estudos e pesquisas demonstrando que hábitos saudáveis de vida estão relacionados com ótimas taxas de fertilidade e concepção e que o inverso também é verdadeiro, ou seja, quem se alimenta mal, está acima do peso e não pratica atividades físicas tem menos chance de engravidar.
Uma pesquisa me chamou a atenção especial, demonstrou-se que uma perda de peso de 6% em um intervalo de 20/30 dias antes de uma fertilização in vitro, aumentou as taxas de gravidez e nascimentos. Isto mostra que pequenas mudanças podem fazer a diferença. É só começar a tentar.

O mundo inteiro já chegou a esta conclusão: hábitos saudáveis geram fertilidade!!!

Congresso da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva

Estive esta semana, de 15 a 19 de outubro, em Orlando, nos Estados Unidos, para participar do Encontro Anual da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, que esse ano completou 67 anos.

Esse congresso vem sendo considerado o maior encontro de Medicina Reprodutiva do planeta.

Uma oportunidade sem igual, que reuniu especialistas em Medicina Reprodutiva de todo o mundo.
Assisti a aulas de Americanos, Ingleses, Franceses, Italianos, Indianos, Canadenses, Japoneses, Turcos, entre outras nacionalidades.

Essa diversidade, permite que se veja e entenda o que o mundo faz e pensa a respeito da Medicina Reprodutiva, uma troca de conhecimentos absurdamente produtiva e enriquecedora, uma chance de reavaliar conceitos e estabelecer novos objetivos.
Ano que vem tem mais!!!

sábado, 15 de outubro de 2011

Estresse e Fertilidade - Relações 

O estresse, hoje, considerado inimigo da saúde humana, também vem sendo apontado há tempos como um fator que diminui a fertilidade humana, dificultando tanto gravidezes espontâneas quanto as induzidas por tratamento médico.
Em recente estudo publicado pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), um grupo de mulheres com dificuldade para engravidar foi submetido a um acompanhamento para alívio do estresse antes de submeterem-se à uma fertilização um vitro. Esse grupo foi comparado com um grupo que não foi submetido a acompanhamento algum.
O acompanhamento consistiu em sessões de relaxamento, ioga, sessões com psicólogos e atividades físicas, entre outras atividades realizadas para aliviar o estresse.
As mulheres que fizeram parte do acompanhamento tiveram uma taxa de gravidez maior que às mulheres não acompanhadas, após se submeterem à fertilização in vitro e essa taxa aumentou à medida que o tempo de acompanhamento também aumentou.
Esse estudo, realizado em casos de fertilização in vitro,  pode logicamente ser extrapolado para outras esferas, como tentativas naturais de engravidar, induções de ovulação com coito programado e inseminações intra-uterinas.
Assim, temos, hoje, no estresse um grande e forte inimigo, que dificulta em muito as chances de engravidar.
As alternativas para combater o estresse são muitas e variadas e devem ser estimuladas, pois são ferramentas fundamentais para se determinar o sucesso de um tratamento.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Síndrome de Transfusão Feto-Fetal - Caso Clínico

Nesta última semana, tive um diagnóstico de Síndrome de Transfusão Feto-Fetal em meu consultório, e tive a felicidade de contar com a ajuda de um especialista para tratar a paciente. Recebi aqui em Fortaleza, o Dr. Fábio Peralta, da Unicamp, especialista em medicina fetal, que foi o responsável pela intervenção cirúrgica nos fetos.
O Dr. Fábio Peralta veio à Fortaleza na última semana e realizou a cirurgia de Laser.
A cirurgia foi um sucesso e mãe e fetos evoluem bem e com considerável melhora do quadro clínico.
Essa foi a primeira vez que uma cirurgia Intrauterina foi realizada no estado do Ceará.
Um marco sem dúvida e uma fonte de inspiração para todos nós.

Síndrome de Transfusão Feto-Fetal

A STFF (Síndrome de Transfusão Feto-Fetal) trata-se de uma patologia rara que acomete gestações gemelares que têm somente uma placenta, ou seja, gestações monozigóticas (gêmeos idênticos).
Devido a formação de conexões entre os vasos (artérias e veias) que pertencem aos dois fetos, um dos fetos funciona como doador e o outro como receptor. Assim um feto perde sangue para o outro, como consequência, o doador fica anêmico e com crescimento restrito, e o outro fica com policitemia (excesso de sangue) e por isso fica com excesso de líquido em todo o corpo, como: coração, pulmões e abdômen.
Por algum tempo, o equilíbrio consegue ser mantido, mas rapidamente os fetos começam a sofrer, um pela falta de sangue e o outro pelo excesso.
Uma intervenção cirúrgica torna-se extremamente necessária para evitar a morte dos fetos.
A principal e melhor opção é o uso do Laser para queimar os vasos sangüíneos que apresentam a conexão errônea. Essa técnica pode salvar a vida dos fetos, porém tem seus riscos e pode provocar a perda dos fetos ou seqüelas neurológicas. Com a cauterização correta dos vasos causadores do transporte anormal de sangue entre os fetos, a doença fica estabilizada e ocorre a regressão das alterações fetais, o que permite que a gravidez evolua e chegue ao tempo certo.
Uma patologia não tão comum, com um tratamento complexo e que necessita de um seguimento rigoroso.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

XV Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida - Troca de Experiências

Após o fim de mais um congresso,a mesma constatação de sempre, que é a importância da troca de experiências, da busca pela atualização constante e de manter o contato com profissionais do Brasil e do mundo.
Agora, manter o foco e aguardar o próximo congresso, que será em outubro em Orlando, nos Estados Unidos, o Congresso Americano de Medicina Reprodutiva.
Que venham muitos outros congressos!!!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida

Após um primeiro dia de muito aprendizado e bem produtivo no XV Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida, onde pude assistir aulas de grandes especialistas do Brasil e do mundo, como: o Professor Rui Ferriani, que foi meu preceptor na Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto, durante minha residência médica e o Dr. Klaus Wiemer, norte-americano, que é responsável pela primeira gravidez usando blastocistos (embriões em fase avançada de desenvolvimento) em fertilização in vitro, e o detalhe é que o uso de blastocistos parece apresentar um futuro promissor (falarei mais sobre isto numa próxima oportunidade) por apresentar altas taxas de gravidez. Vamos para o segundo dia, torcendo por mais uma dia de grande produtividade.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

HPV e Infertilidade

O HPV, papiloma vírus humano, vem sendo estudado há anos no seu papel como fator causador do câncer do colo do útero. Além disso, suas manifestações, como verrugas genitais, já são há muito tempo compreendidas.  Sabe-se também de sua ação no desencadeamento do câncer de pênis.
Evidências vêm apontando uma relação do HPV com a fertilidade humana.
Um recente estudo publicado pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva demonstrou resultados alarmantes. Foi estudada a possível relação entre a presença do HPV em casais submetidos à FIV (Fertilização in Vitro) e menores taxas de sucesso neste procedimento.  Como conclusão, o estudo demonstrou que as taxas de gravidez não foram afetadas pela presença do HPV, porém nos casais em que a mulher ou sobretudo o homem apresentavam HPV, as taxas de abortamento foram estatisticamente maiores que no grupo sem a presença do HPV. Além disso, quando tanto o homem quanto a mulher eram portadores do HPV as taxas de abortamentos foram maiores ainda.
Assim, estabeleceu-se uma relação positiva entre a presença do HPV e uma maior taxa de abortamento.
A principal hipótese seria que a presença do HPV no óvulo e sobretudo no espermatozóide provocaria alterações nos genes do embrião e com isso afetariam o desenvolvimento do mesmo.
Assim, o HPV desempenha um papel negativo na fertilidade humana. Muito embora esses resultados tenham sido demonstrados em casais submetidos à FIV, podemos supor que em gestações naturais esse efeito deletério também possa acontecer.
Portanto, mais do que nunca, medidas preventivas devem ser incentivadas, como: a vacinação em massa para HPV em jovens de ambos os sexos, o uso de preservativos e a instituição de uma eficiente, precoce e continuada educação sexual.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

XV Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida

Esta semana, ocorrerá o XV Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida, em Florianópolis, Santa Catarina. Trata-se do maior Congresso na área de Reprodução Humana do país, sendo realizado anualmente. Terei o prazer de estar presente a este Congresso, onde poderei atualizar meus conhecimentos, discutir condutas e opiniões com colegas de todo o país e do exterior, além de rever meus professores e amigos da época de minha residência médica na USP, em Ribeirão Preto. Estou na expectativa e ansioso por esta imersão em medicina reprodutiva e tenho a certeza que serão quatro dias de intenso aprendizado.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Luta pela Fertilidade

Ontem, dia 10 de agosto de 2011, tive o prazer de realizar um sonho de uma mulher de 45 anos. Fiz seu parto, uma cesariana, de gêmeos, um belo casal. Uma realidade antes distante, agora, concretiza-se graças aos avanços da medicina reprodutiva. Após um fertilização in vitro, essa mulher hoje é mãe, sem a ajuda da medicina jamais o seria. Me sinto vivendo o futuro, um futuro real e que já começou. Luta pela fertilidade!!!

Obesidade e Fertilidade Masculina


Há tempos a obesidade vem sendo encarada como uma inimiga da fertilidade feminina, como uma importante causa de anovulação crônica.
Considerada uma das piores doenças do século XXI, a obesidade parece afetar também a fertilidade masculina.
Evidências recentes demonstraram que homens obesos ou com sobrepeso apresentam mais alterações nos espermatozóides que homens magros.
As principais alterações estão ligadas à quantidade e movimentação dos espermatozóides. Assim, com menos e mais lentos espermatozóides, os homens obesos ou com sobrepeso sofreriam mais de infertilidade.
Evidenciou-se, a partir destes achados, que casais em que os homens apresentam sobrepeso ou obesidade, quando submetidos a fertilização in vitro apresentaram menores taxas de gravidez e de nascidos vivos. Assim, mesmo submetendo-se a tratamentos, diga-se, fertilização in vitro, homens obesos têm menos chance de atingir uma gravidez.
Esses dados, que foram achados em um estudo realizado na Universidade de Adelaide, na Austrália e publicados pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) em abril do corrente ano, confirmam estudos anteriores e somam mais um item à gama de problemas e patologias associadas à obesidade.
Com certeza, a obesidade tem muito mais facetas a serem descobertas, mas não restam dúvidas de que é uma patologia a ser combatida e evitada.
Casais obesos têm mais dificuldade não só para engravidar como também para manter a gravidez.

Conselho a todos: emagreçam e façam atividades físicas.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Óctuplos gerados por Fertilização in Vitro

Abaixo repasso a entrevista dada pela mãe de óctuplos gerados por Fertilização in Vitro, nos Estados Unidos, sem dúvida, um exemplo de negligência e imprudência médica e de total desequilíbrio em ambas as partes, tanto do médico quanto da paciente.
Enquanto o mundo caminha para transferências de embriões únicos, como forma de se evitar as imensas complicações associadas a gravidezes múltiplas, vê-se um fato lamentável e perigoso como este. Talvez seja o homem brincando de ser Deus.
 
Los Angeles (CNN) - Nadya Suleman culpou, na última quinta-feira,um especialista em infertilidade da Califórnia pela criação do estigma de mãe óctupla de que ela se tornou sinônimo. Segundo ela, ele a induziu a assinar um termo de consentimento para implantação de vários embriões, enquanto ela
estava drogada.
Nadya disse que não queria ter oito filhos, além dos seis que já tinha. Ela admitiu que queria mais filhos, mas insistiu que não estava em condições de compreender o que o Dr. Michael Kamrava a pediu para assinar, antes de implantar 12 embriões.
"Ele escreveu algo, ele deu-me algo para assinar". Ela disse que estava, então, sob efeito de "um cocktail de drogas", incluindo Valium, no consultório do médico de Beverly.
"Eu assinei, e eu não o li."
Kamrava perdeu sua licença médica da Califórnia em 01 de julho, após oficiais do estado determinarem que ele cometeu "negligência grosseira", com "repetidos atos de negligência, por um número excessivo de transferências de embriões" para Suleman em 2008. O mesmo relatório determinou que o médico consentiu a implantação que foi motivada "pela vontade da paciente."
Durante uma audiência com o médico em outubro passado, foi revelado que Suleman ainda tem 29 embriões congelados em armazenamento. Ao contrário de alguns relatos, porém, a mulher de 36 anos, insistiu que não quer mais ter filhos.
A mãe solteira - que disse que foi celibatária por 12 anos, e teve todas as 14 crianças por fertilização in vitro - admitiu que  escolheu  ter filhos para, em parte, atenuar seus problemas emocionais.
"É justo ter um bando de filhos para ajudar a resolver seus problemas emocionais? Claro que não", disse ela.
"Com crianças, eu me sinto tão segura em meu mundo previsível. Eles nunca me deixarão. Filhos, amo vocês, incondicionalmente." Disse Suleman.
Suleman admite que tem uma série de problemas, incluindo ansiedade, ataques de pânico, hiperatividade e transtorno obsessivo compulsivo.
Sem renda fixa e com despesas de mais de US$ 18.000 por mês, Suleman tem lutado para criar os filhos, tendo supostamente assinado para estar em um reality show, o HDNet "Celebridate".

Um exemplo, a nunca ser seguido!!!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Ovários Micropolicísticos e sua relação com os níveis de Colesterol.

Já há muito tempo conhecemos as possíveis alterações metabólicas  que podem ocorrer com maior freqüência na mulher com ovários micropolicísticos.

Desde 2003, após um consenso entre europeus e americanos na cidade holandesa de Rotterdam, essas alterações foram definitivamente associadas ao ovário micropolicístico, fazendo parte da chamada Síndrome X ou Síndrome Plurimetabólica (um conjunto de alterações dos níveis de colesterol e açúcar associadas à obesidade ou sobrepeso). As alterações metabólicas, relacionadas à síndrome X, são os níveis de triglicerídeos acima de 150 mg/dl e os níveis de HDL (o chamado bom colesterol) abaixo de 50 mg/dl, além de alterações dos níveis de glicemia.
Estudos e evidências recentes apontam também para alterações precoces do LDL (o mal colesterol). Essa alteração do LDL estaria associada a alterações precoces nos vasos sanguíneos, favorecendo a formação dos depósitos de gordura iniciais, que um dia poderão levar a infartos ou AVCs (os acidentes vasculares cerebrais ou "derrames"). Esta alteração seria então um marcador precoce para doenças cardiovasculares e portanto, para previnir a aterosclerose (placas de gordura dentro dos vasos sanguineos) segundo o Programa Nacional Americano de Educação e Tratamento do Colesterol.
Associa-se a estes fatores a maior predisposição que as mulheres com ovários policísticos tem de ter alterações precoces dos níveis de glicemia, levando mais facilmente a estados pré-diabéticos e ao próprio diabetes, outra patologia com íntima relação com as doenças cardiovasculares.

Levando-se em consideração que nos dias atuais as doenças cardiovasculares matam mais que qualquer tipo de câncer, temos por obrigação diagnosticar e tratar melhor as mulheres com micropolicistose ovariana.
Portanto, ter ovários micropolicísticos significa muito mais que apenas usar anticoncepcionais para regular a menstruação, os perigos por trás desta patologia são bem maiores e complicados de resolver.

Assim, recentemente, tanto o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) como a Sociedade de Síndrome dos Ovários Micropolicísticos e Excesso Androgênico têm recomendado uma avaliação completa de todos os subtipos de colesterol.

Para entender melhor a Síndrome dos Ovários Micropolicísticos, acesse http://www.danieldiogenes.med.br/.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Atividade Física versus Fertilidade Masculina

Essa é uma questão que vem sendo estudada há anos, especialmente em atletas. Resultados anteriores mostram uma relação negativa entre atividades físicas extenuantes e fertilidade masculina, sobretudo quando se usa como parâmetro o ciclismo profissional.

Em recente estudo realizado na Universidade de Harvard e publicado pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, foi avaliado o risco de alterações na fertilidade masculina de não atletas com relação à atividade física, tendo, assim, uma comparação mais próxima da realidade de todos nós.


 Não foi encontrada nenhuma relação entre a prática diária de atividades físicas e a diminuição ou aumento da fertilidade masculina, exceto para o ciclismo.

Evidenciou-se que homens que pedalam mais de cinco horas por semana apresentaram uma diminuição na quantidade de espermatozóides e uma diminuição na velocidade de movimentação desses espermatozóides, ou seja, mais de cinco horas de pedalada por semana levou a espermatozóides em menor número e mais lentos. Este fato deve-se provavelmente à compressão exercida pelo selim (banco da bicicleta) na região genital e pelas temperaturas maiores nesta região devido ao uso de vestimentas específicas para o ciclismo.

Esses resultados se aproximam dos já alcançados anteriormente, quando análises e pesquisas foram feitas em grupos de ciclistas profissionais.

Esta pesquisa mostra mais uma vez como os fatores ambientais podem e interferem na nossa fertilidade. Existem diversos fatores que podem contribuir para uma diminuição da fertilidade tanto masculina quanto feminina. Resta-nos tentar atingir um equilíbrio em nossas atividades diárias, ou seja, tentar ter hábitos de vida saudáveis, uma dura tarefa no corre-corre dos dias atuais.

 

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Hiperprolactinemia e Endometriose - Descobertas Recentes

Em recente estudo num dos mais renomados jornais de medicina reprodutiva do mundo, Fertility and Sterility, uma publicação da ASRM (American Society of Reprodutive Medicine), foi evidenciado que medicações utilizadas para o tratamento de hiperprolactinemia (uma alteração endocrinológica que produz em excesso o hormônio prolactina, que é responsável pela produção do leite no pós-parto e que fora deste período pode provocar dificuldade para engravidar ou infertilidade) podem ter efeito benéfico em diminuir ou fazer desaparecer lesões pélvicas de endometriose, uma doença relacionada com dor pélvica crônica e infertilidade também.
O grande beneficio seria utilizar essas medicações como controle da endometriose, podendo usá-las por longos períodos, sem causar efeitos colaterais de hipoestrogenismo (queda dos níveis de estrógenos, efeito colateral presente em algumas drogas utilizadas para tratar a endometriose). Servindo, assim,  como mais uma opção para o tratamento a longo prazo de uma doença que ainda não possui a droga ideal para seu controle e tratamento.
Essas drogas utilizadas no tratamento da hiperprolactinemia são agonistas dopaminérgicos, ou seja, estimulam a liberação da dopamina, um hormônio que inibe o excesso de prolactina e que inibe a proliferação de vasos sangüíneos na lesão por endometriose. Assim, com a diminuição da irrigação sangüínea, as lesões não recebem suprimento adequado e diminuem ou simplesmente desaparecem.
Essas descobertas ainda são recentes, mas importantes e promissoras, como uma nova alternativa de tratar e controlar a endometriose e assim diminuir a incidência de dores pélvicas crônicas e  reduzir as taxas de infertilidade, surgindo como uma possível alternativa futura para tratar uma das principais doenças relacionadas à infertilidade, a endometriose. Contudo, serão necessários novos estudos para confirmar e determinar a real utilidade destas drogas no futuro.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

SAAF - Síndrome de Anticorpos Antifosfolípides

A SAAF, do ponto de vista reprodutivo, é uma trombofilia auto-imune, isto é, é uma patologia em que há a produção de anticorpos (elementos responsáveis pela defesa do organismo) contra o próprio corpo. Assim, esses anticorpos podem agir contra determinadas partes do organismo, como o próprio embrião.
A SAAF pode provocar tromboses de artérias ou veias, o que pode levar a abortamentos de repetição, perdas gestacionais precoces e graves problemas gestacionais, como partos prematuros devido à pré-eclâmpsia grave, eclâmpsia ou insuficiência placentária grave.
O diagnóstico desta patologia é dado pela presença de altos níveis destes anticorpos no sangue e pelo histórico de perdas gestacionais ou episódios de tromboses arteriais ou venosas em qualquer tecido ou órgão do corpo.
O tratamento baseia-se no uso de medicações, desde o início da gestação, que diminuam a resposta imunológica do organismo e que evitem os efeitos deletérios de uma trombose arterial ou venosa nos vasos placentários. Medicações, como: AAS, heparina e corticóides. Muito embora, existam controvérsias na literatura médica sobre o uso ou não destas medicações, essas são atualmente as únicas alternativas que existem para o tratamento desta temível patologia.
Deve-se, sempre, suspeitar desta patologia, em casos de perdas gestacionais consecutivas, o que caracteriza um tipo de infertilidade, a chamada infertilidade secundária, em que se consegue a gravidez normalmente, mas não se consegue manter esta gravidez até o termo.
Quanto mais se suspeita desta patologia, mais chance de diagnosticá-la. O grande problema é que muitas vezes a paciente percorre um caminho longo demais antes de  chegar a este diagnóstico e isso  resulta em fracassos sucessivos e em uma perda de tempo que muitas vezes pode ser crucial para sua fertilidade, devido ao fator idade.
Recentemente, em 2011, diagnostiquei dois casos de SAAF, uma paciente tinha tido quatro abortamentos anteriores e a outra uma perda gestacional tardia (com oito meses) e após um pré-natal com o uso de todas as ferramentas necessárias para se evitar uma nova perda, o objetivo foi alcançado, e ambas, hoje, são mães.
LUTA PELA FERTILIDADE!!!!

domingo, 1 de maio de 2011

Ayrton Senna


Há 17 anos, morria um dos maiores esportistas de todos os tempos, Ayrton Senna.

Um homem que lutava por seus objetivos com uma garra e determinação incríveis, que tinha orgulho de ser brasileiro e que não desistia nunca.

Um piloto, um atleta, um brasileiro, um lutador.

Uma frase do grande campeão demonstra todo o seu caráter :

"Se você quer ser bem-sucedido, precisa ter dedicação total, buscar seu último limite e dar o melhor de si mesmo".


Bons Tempos!!!!

Não menstruar faz mal?

Com os modernos tipos de anticoncepção, surgiu uma questão que preocupa tanto a médicos quanto a pacientes. Usar métodos anticoncepcionais que evitam a menstruação ou usar anticoncepcionais continuamente pode causar algum problema de saúde?
Hoje, sabe-se que evitar a menstruação por qualquer período, seja de meses ou anos, não provoca problema algum. A fertilidade não é alterada e nenhuma doença é provocada pela ausência da menstruação. Pelo contrário, o ato de não menstruar traz benefícios, como: redução de sintomas de TPM (tensão pré-menstrual), redução de cólicas menstruais, menos risco de desenvolver anemia, menos gastos financeiros (pela não necessidade de uso de absorventes), além de uma maior comodidade. Para muitas mulheres, não menstruar é uma conquista da modernidade, com a correria dos dias atuais, com a inserção total da mulher no mercado de trabalho, a possibilidade de não menstruar evita contratempos incompatíveis com as exigências do dia-a-dia.
Portanto, a amenorréia, termo médico para a ausência de menstruação, pode ser hoje utilizada por longos períodos sem trazer prejuízos para a saúde da mulher. Não existem evidências científicas que contra-indiquem esta prática, devendo-se logicamente respeitar as particularidades do uso de quaisquer métodos contraceptivos.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O que são Sinéquias Uterinas?

Esta semana realizei uma histeroscopia (exame que permite a visualização interna do útero) e tive como achado uma sinéquia uterina. A paciente ficou apreensiva sobre o diagnóstico, fez pesquisas na internet e vi que realmente este diagnóstico é algo desconhecido para a maioria.

Sinéquias uterinas são "cicatrizes" (aderências) que ocorrem dentro do útero após manipulação cirúrgica, processos infecciosos uterinos ou até radioterapia. Geralmente, ocorrem após uma curetagem pós-abortamento, uma retirada de mioma ou pólipo uterino, ou após uma endometrite (infecção do endométrio, a camada interna do útero).

Algumas vezes, a presença de sinéquias pode levar a quadros de amenorréia (ausência de menstruação). 

A Síndrome de Asherman, que foi descrita em 1948 e intitulada como amenorréia traumática, consiste na destruição do endométrio seguida da formação de sinéquias nas paredes da cavidade uterina, ocasionando amenorréia, ocorre em geral após curetagens uterinas.

 Assim, a presença de sinéquias uterinas provocando uma diminuição da cavidade uterina e o "bloqueio" da menstruação (tanto mecanicamente, quanto pela diminuição de área "menstrual" uterina) pode levar à dores menstruais excessivas, menstruações com fluxo diminuido e infertilidade.
A infertilidade ocorre devido à diminuição da cavidade uterina, dificultando a implantação do embrião.

O diagnóstico pode ser pensado quando a paciente apresenta os sinais e sintomas acima descritos e pode ser sugerido por exames como ultrassom pélvico e histerossalpingografia, mas será somente confirmado pela histeroscopia.

O tratamento das sinéquias se dá pela sua retirada (lise) realizada durante a histeroscopia, com a possibilidade de uso posterior de hormônios, dependendo do caso.

Reflexão




O texto acima me fez pensar e repensar!!! Serve como exemplo para todos nós.
Foi escrito por George Carlin um humorista, autor e ator norte-americano. Carlin era um crítico da sociedade, o que lhe tornou famoso e ao mesmo tempo fez com que fosse preso algumas vezes.   

A correria dos dias atuais acaba nos levando ao que lemos acima, e muitas vezes deixamos nossos sonhos para depois, e um desses sonhos é o de ser mãe e pai!!!!   
Postergar a gravidez pode ser a ponto decisivo para se ter dificuldades em conseguí-la. Reflita!!!!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Olá, a partir de agora estarei com esse novo canal de comunicação aberto a todos os interessados em entende e aprender um pouco sobre a ciência da arte médica ligada ao universo feminino, sobretudo no que diz respeito à fase mais nobre da vida de uma mulher, a fase da fertilidade!!! Falaremos sobre tudo relacionado à ginecologia, fertilidade, concepção e gravidez. Esse canal que nasce hoje é feito para você, mulher moderna, antenada com as novas oportunidades que a tecnologia nos possibilita, servirá para esclarecer todas as suas dúvidas e para lhe proporcionar um entendimento claro da parte mais bela da natureza feminina, a FERTILIDADE!!!! Um grande abraço e bom proveito!!!!!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Pseudociese - A Gravidez Psicológica

Quando eu era R2 (residente do segundo ano de ginecologia e obstetrícia) atendi a uma paciente que dizia estar com oito meses de gestação, o R1 (residente do primeiro ano) e os alunos tentaram e não ouviram os batimentos cardíacos fetais. Pensei logo que se tratava de um óbito fetal. Ao realizar um ultrassom constatei que a paciente não estava grávida, nada havia em seu útero, tentei lhe informar sobre a situação, mas a mesma negava-se a entender que não estava grávida e dizia que sentia todos os movimentos do feto, que já tinha comprado todo o enxoval, decorado quarto e etc.

Não tendo mais argumentos, chamei minha chefe imediata, que na ocasião estava grávida de oito meses, a mesma, polidamente, explicou o fato a paciente e tentou convencê-la de todas as formas, nada feito.

Sem mais alternativas, minha chefe pegou o transdutor do ultrassom e colocou em sua barriga, mostrando à paciente, literalmente, como era estar grávida pelo ultra-som, afirmando: “a senhora está vendo o que é ter uma criança dentro da barriga” e em seguida colocava o transdutor na barriga da paciente e mostrava a ausência de feto. Só assim a paciente se convenceu da ausência de gravidez, e eu agradeci aos céus por minha chefe naquele dia ser uma gestante...


OBS: O nome deste problema se chama pseudociese, e consiste na crença de uma gravidez que não existe, há relatos de casos em que a paciente sente as dores do parto, como um verdadeiro trabalho de parto. Esse distúrbio está muito relacionado aos quadros psicológicos e pode algumas vezes ser causa de infertilidade, visto que leva a uma não ovulação prolongada. Na maior parte das vezes, quando a paciente descobre a ausência do feto, o problema é sanado, mas isso pode levar meses e até anos.