sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Pseudociese - A Gravidez Psicológica

Quando eu era R2 (residente do segundo ano de ginecologia e obstetrícia) atendi a uma paciente que dizia estar com oito meses de gestação, o R1 (residente do primeiro ano) e os alunos tentaram e não ouviram os batimentos cardíacos fetais. Pensei logo que se tratava de um óbito fetal. Ao realizar um ultrassom constatei que a paciente não estava grávida, nada havia em seu útero, tentei lhe informar sobre a situação, mas a mesma negava-se a entender que não estava grávida e dizia que sentia todos os movimentos do feto, que já tinha comprado todo o enxoval, decorado quarto e etc.

Não tendo mais argumentos, chamei minha chefe imediata, que na ocasião estava grávida de oito meses, a mesma, polidamente, explicou o fato a paciente e tentou convencê-la de todas as formas, nada feito.

Sem mais alternativas, minha chefe pegou o transdutor do ultrassom e colocou em sua barriga, mostrando à paciente, literalmente, como era estar grávida pelo ultra-som, afirmando: “a senhora está vendo o que é ter uma criança dentro da barriga” e em seguida colocava o transdutor na barriga da paciente e mostrava a ausência de feto. Só assim a paciente se convenceu da ausência de gravidez, e eu agradeci aos céus por minha chefe naquele dia ser uma gestante...


OBS: O nome deste problema se chama pseudociese, e consiste na crença de uma gravidez que não existe, há relatos de casos em que a paciente sente as dores do parto, como um verdadeiro trabalho de parto. Esse distúrbio está muito relacionado aos quadros psicológicos e pode algumas vezes ser causa de infertilidade, visto que leva a uma não ovulação prolongada. Na maior parte das vezes, quando a paciente descobre a ausência do feto, o problema é sanado, mas isso pode levar meses e até anos.

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