sexta-feira, 29 de julho de 2011

Óctuplos gerados por Fertilização in Vitro

Abaixo repasso a entrevista dada pela mãe de óctuplos gerados por Fertilização in Vitro, nos Estados Unidos, sem dúvida, um exemplo de negligência e imprudência médica e de total desequilíbrio em ambas as partes, tanto do médico quanto da paciente.
Enquanto o mundo caminha para transferências de embriões únicos, como forma de se evitar as imensas complicações associadas a gravidezes múltiplas, vê-se um fato lamentável e perigoso como este. Talvez seja o homem brincando de ser Deus.
 
Los Angeles (CNN) - Nadya Suleman culpou, na última quinta-feira,um especialista em infertilidade da Califórnia pela criação do estigma de mãe óctupla de que ela se tornou sinônimo. Segundo ela, ele a induziu a assinar um termo de consentimento para implantação de vários embriões, enquanto ela
estava drogada.
Nadya disse que não queria ter oito filhos, além dos seis que já tinha. Ela admitiu que queria mais filhos, mas insistiu que não estava em condições de compreender o que o Dr. Michael Kamrava a pediu para assinar, antes de implantar 12 embriões.
"Ele escreveu algo, ele deu-me algo para assinar". Ela disse que estava, então, sob efeito de "um cocktail de drogas", incluindo Valium, no consultório do médico de Beverly.
"Eu assinei, e eu não o li."
Kamrava perdeu sua licença médica da Califórnia em 01 de julho, após oficiais do estado determinarem que ele cometeu "negligência grosseira", com "repetidos atos de negligência, por um número excessivo de transferências de embriões" para Suleman em 2008. O mesmo relatório determinou que o médico consentiu a implantação que foi motivada "pela vontade da paciente."
Durante uma audiência com o médico em outubro passado, foi revelado que Suleman ainda tem 29 embriões congelados em armazenamento. Ao contrário de alguns relatos, porém, a mulher de 36 anos, insistiu que não quer mais ter filhos.
A mãe solteira - que disse que foi celibatária por 12 anos, e teve todas as 14 crianças por fertilização in vitro - admitiu que  escolheu  ter filhos para, em parte, atenuar seus problemas emocionais.
"É justo ter um bando de filhos para ajudar a resolver seus problemas emocionais? Claro que não", disse ela.
"Com crianças, eu me sinto tão segura em meu mundo previsível. Eles nunca me deixarão. Filhos, amo vocês, incondicionalmente." Disse Suleman.
Suleman admite que tem uma série de problemas, incluindo ansiedade, ataques de pânico, hiperatividade e transtorno obsessivo compulsivo.
Sem renda fixa e com despesas de mais de US$ 18.000 por mês, Suleman tem lutado para criar os filhos, tendo supostamente assinado para estar em um reality show, o HDNet "Celebridate".

Um exemplo, a nunca ser seguido!!!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Ovários Micropolicísticos e sua relação com os níveis de Colesterol.

Já há muito tempo conhecemos as possíveis alterações metabólicas  que podem ocorrer com maior freqüência na mulher com ovários micropolicísticos.

Desde 2003, após um consenso entre europeus e americanos na cidade holandesa de Rotterdam, essas alterações foram definitivamente associadas ao ovário micropolicístico, fazendo parte da chamada Síndrome X ou Síndrome Plurimetabólica (um conjunto de alterações dos níveis de colesterol e açúcar associadas à obesidade ou sobrepeso). As alterações metabólicas, relacionadas à síndrome X, são os níveis de triglicerídeos acima de 150 mg/dl e os níveis de HDL (o chamado bom colesterol) abaixo de 50 mg/dl, além de alterações dos níveis de glicemia.
Estudos e evidências recentes apontam também para alterações precoces do LDL (o mal colesterol). Essa alteração do LDL estaria associada a alterações precoces nos vasos sanguíneos, favorecendo a formação dos depósitos de gordura iniciais, que um dia poderão levar a infartos ou AVCs (os acidentes vasculares cerebrais ou "derrames"). Esta alteração seria então um marcador precoce para doenças cardiovasculares e portanto, para previnir a aterosclerose (placas de gordura dentro dos vasos sanguineos) segundo o Programa Nacional Americano de Educação e Tratamento do Colesterol.
Associa-se a estes fatores a maior predisposição que as mulheres com ovários policísticos tem de ter alterações precoces dos níveis de glicemia, levando mais facilmente a estados pré-diabéticos e ao próprio diabetes, outra patologia com íntima relação com as doenças cardiovasculares.

Levando-se em consideração que nos dias atuais as doenças cardiovasculares matam mais que qualquer tipo de câncer, temos por obrigação diagnosticar e tratar melhor as mulheres com micropolicistose ovariana.
Portanto, ter ovários micropolicísticos significa muito mais que apenas usar anticoncepcionais para regular a menstruação, os perigos por trás desta patologia são bem maiores e complicados de resolver.

Assim, recentemente, tanto o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) como a Sociedade de Síndrome dos Ovários Micropolicísticos e Excesso Androgênico têm recomendado uma avaliação completa de todos os subtipos de colesterol.

Para entender melhor a Síndrome dos Ovários Micropolicísticos, acesse http://www.danieldiogenes.med.br/.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Atividade Física versus Fertilidade Masculina

Essa é uma questão que vem sendo estudada há anos, especialmente em atletas. Resultados anteriores mostram uma relação negativa entre atividades físicas extenuantes e fertilidade masculina, sobretudo quando se usa como parâmetro o ciclismo profissional.

Em recente estudo realizado na Universidade de Harvard e publicado pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, foi avaliado o risco de alterações na fertilidade masculina de não atletas com relação à atividade física, tendo, assim, uma comparação mais próxima da realidade de todos nós.


 Não foi encontrada nenhuma relação entre a prática diária de atividades físicas e a diminuição ou aumento da fertilidade masculina, exceto para o ciclismo.

Evidenciou-se que homens que pedalam mais de cinco horas por semana apresentaram uma diminuição na quantidade de espermatozóides e uma diminuição na velocidade de movimentação desses espermatozóides, ou seja, mais de cinco horas de pedalada por semana levou a espermatozóides em menor número e mais lentos. Este fato deve-se provavelmente à compressão exercida pelo selim (banco da bicicleta) na região genital e pelas temperaturas maiores nesta região devido ao uso de vestimentas específicas para o ciclismo.

Esses resultados se aproximam dos já alcançados anteriormente, quando análises e pesquisas foram feitas em grupos de ciclistas profissionais.

Esta pesquisa mostra mais uma vez como os fatores ambientais podem e interferem na nossa fertilidade. Existem diversos fatores que podem contribuir para uma diminuição da fertilidade tanto masculina quanto feminina. Resta-nos tentar atingir um equilíbrio em nossas atividades diárias, ou seja, tentar ter hábitos de vida saudáveis, uma dura tarefa no corre-corre dos dias atuais.

 

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Hiperprolactinemia e Endometriose - Descobertas Recentes

Em recente estudo num dos mais renomados jornais de medicina reprodutiva do mundo, Fertility and Sterility, uma publicação da ASRM (American Society of Reprodutive Medicine), foi evidenciado que medicações utilizadas para o tratamento de hiperprolactinemia (uma alteração endocrinológica que produz em excesso o hormônio prolactina, que é responsável pela produção do leite no pós-parto e que fora deste período pode provocar dificuldade para engravidar ou infertilidade) podem ter efeito benéfico em diminuir ou fazer desaparecer lesões pélvicas de endometriose, uma doença relacionada com dor pélvica crônica e infertilidade também.
O grande beneficio seria utilizar essas medicações como controle da endometriose, podendo usá-las por longos períodos, sem causar efeitos colaterais de hipoestrogenismo (queda dos níveis de estrógenos, efeito colateral presente em algumas drogas utilizadas para tratar a endometriose). Servindo, assim,  como mais uma opção para o tratamento a longo prazo de uma doença que ainda não possui a droga ideal para seu controle e tratamento.
Essas drogas utilizadas no tratamento da hiperprolactinemia são agonistas dopaminérgicos, ou seja, estimulam a liberação da dopamina, um hormônio que inibe o excesso de prolactina e que inibe a proliferação de vasos sangüíneos na lesão por endometriose. Assim, com a diminuição da irrigação sangüínea, as lesões não recebem suprimento adequado e diminuem ou simplesmente desaparecem.
Essas descobertas ainda são recentes, mas importantes e promissoras, como uma nova alternativa de tratar e controlar a endometriose e assim diminuir a incidência de dores pélvicas crônicas e  reduzir as taxas de infertilidade, surgindo como uma possível alternativa futura para tratar uma das principais doenças relacionadas à infertilidade, a endometriose. Contudo, serão necessários novos estudos para confirmar e determinar a real utilidade destas drogas no futuro.