quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Ovários Policísticos - Você entende ou acha que tem?

A síndrome dos ovários micropolicísticos ainda permanece, hoje, um desafio a ser corretamente entendido por médicos e pacientes.

Retorno ao tema, pois fazendo uma retrospectiva do ano que está chegando ao fim, vejo quantas pacientes recebi em meu consultório com o diagnóstico errado desta síndrome ou com o tratamento e acompanhamento sendo realizados de forma errônea.
Assim, sinto a necessidade de escrever e tentar esclarecer ainda mais sobre esta patologia tão comum e tão cheia de variedades. Digo isto, pois, tenho a certeza de que muitas pacientes acham que têm ovários micropolicísticos quando na verdade foram diagnosticadas erroneamente.
 Vamos esclarecer os fatos.

Atualmente, o critério utilizado para o diagnóstico desta patologia foi estabelecido na  cidade de Rotterdam, na Holanda, no ano de 2003.

Desde então, são necessários alguns critérios para fechar o diagnóstico desta doença. Por exemplo, ter ovários com característica de micropolicistos ao ultrassom, não é, hoje, suficiente para estabelecer esse diagnóstico.

A SOMP, SOP ou síndrome dos ovários micropolicísticos ou síndrome dos ovários policísticos ou doença policística ovariana ou micropolicistose ovariana, precisa de critérios bem estabelecidos para um correto diagnóstico.

Uma mulher somente terá a síndrome se tiver dois ou mais dos seguintes critérios: em primeiro lugar, menstruação irregular (aquela irregularidade caracterizada por atrasos freqüentes), essa mulher menstrua menos do que é considerado normal (menstruações em geral superiores à 35 dias).
 O segundo critério é a alteração percebida no exame de ultrasom, é aquele ovário que ao ultrasom tem aspecto de micropolicistico (cada ovário tem que ter pelo menos 12 pequenos "cistos" entre 2 e 9 mm) e por fim, o terceiro critério é a presença de excesso de hormônios ditos masculinos (como a testosterona), essa última característica pode ser observada pelo excesso de pêlos, acne, pele oleosa, queda de cabelo, ou por alterações hormonais em exames sangüíneos. 

Portanto, somente com duas das três características acima, pode-se fechar o diagnóstico desta doença.


Entretanto, por trás da doença ovariana, temos que ter o máximo cuidado, pois geralmente ela vem acompanhada de alterações dos níveis de colesterol e açúcar, deixando a portadora de SOMP, com uma chance maior de ter diabetes, pressão alta e suas terríveis complicações, como infartos e derrames. Portanto, tratar este problema não se resume a usar métodos anticoncepcionais. Uma vez com o diagnóstico, sempre teremos que controlar a síndrome, é tudo uma questão de controle, sobretudo controle metabólico.

Por outro lado, temos a diminuição da ovulação da mulher, e conseqüentemente, dificuldades para engravidar podem surgir, sendo essa uma das principais causas hormonais de infertilidade ou subfertilidade. Maiores chances de abortamento também estão presentes nesta patologia. 
Portanto, podemos dizer que a SOMP pode causar dificuldade para engravidar, infertilidade, alterações metabólicas e um risco maior de abortamento. Devido a tudo isso, não podemos banalizar seu diagnóstico e tratamento, leia-se seguimento e controle.
Esta doença vem a muito sendo banalizada, tratada como uma simples alteração hormonal, não é tão simples assim, seu controle tem que ser feito e tem que ser rigoroso.

É necessária, uma ação conjunta envolvendo médicos (ginecologista e endocrinologista), nutricionista, educador físico, psicólogo e em casos de infertilidade, um especialista em reprodução humana.

A mulher com SOMP tem que ter um perfeito controle metabólico, tem que perder pêso, fazer atividade física, comer menos carboidratos e isso requer tempo, dedicação e disciplina.
Para isso, é fundamental uma compreensão global da patologia, tanto por parte da equipe multidisciplinar, como por parte da paciente.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Endométrio - Peça Fundamental


Se você nunca ouviu falar de endométrio, saiba que esta parte do útero vem sendo muito estudada, atualmente, e muitas vezes vem sendo apontada como causa de falhas de implantação embrionária durante os tratamentos de reprodução assistida. 
O endométrio é a camada que reveste a parte interna do útero, essa região é onde ocorre a implantação do embrião na gravidez. É aqui que se inicia a gestação. 
Hoje, já se consegue por meio das técnicas de reprodução assistida obter-se  o embrião perfeito, conseguimos selecionar o melhor espermatozóide e chegamos muitas vezes ao óvulo ideal, mas infelizmente ainda não entendemos, a fundo, o endométrio. 
Acha-se que é preciso haver uma coordenação, um equilíbrio entre endométrio e embrião. Um momento certo para que o embrião se implante no endométrio. A grande questão é encontrar este momento. 
Teoriza-se que durante os procedimentos de reprodução assistida (inseminação intrauterina e sobretudo a fertilização in vitro) o endométrio sofra uma aceleração de sua maturidade, devido ao uso dos hormônios  (gonadotrofinas - FSH e LH) que são utilizados para estimular o crescimento dos folículos (estruturas que envolvem os óvulos), e que esse fator possa comprometer a sua receptividade ao embrião. Teorias a parte, esta evidência apresenta-se cada dia mais forte e indica uma possível solução para um mistério que há anos desafia a medicina reprodutiva. 
Evidências recentes demonstraram que a presença de determinadas alterações na estrutura do endométrio (formação de estruturas chamadas de pinopodes, que aumentariam a adesão ao mesmo), durante a fase pós-ovulatória o fariam ter uma receptividade maior ao embrião. Essas alterações estariam mais presentes em intervalos, às vezes, de horas ou dias, e parecem estar presentes em menor número em endométrios sob ação hormonal, leia-se gonadotrofinas, ou seja, nos endométrios de mulheres submetidas a fertilizações in vitro e inseminações intra-uterinas. 
Assim se a transferência do embrião ocorre no momento com menos pinopodes, o que teoricamente pode ocorrer nos ciclos de reprodução assistida, devido ao uso de gonadotrofinas, as taxas de gravidez cairiam.         
 Dai a importância de obter a sincronia exata entre endométrio e embrião. 
Essa evidência abre um leque enorme de opções para se tentar aumentar as taxas de gravidez em reprodução assistida, como, por exemplo, a transferência de embriões congelados.  
Antes vista como uma alternativa secundária, a transferência de embriões congelados começa a ser encarada como uma ótima opção e talvez como a melhor opção do futuro, pois nesse caso não há o uso de gonadotrofinas e assim o endométrio teria uma sincronia maior com o embrião, não sofrendo a aceleração provocada pelas mesmas. 
Muito ainda se precisa conhecer para desvendarmos todos os mistérios desta região tão importante para o sucesso de uma gravidez, a medicina reprodutiva já encontrou a luz a seguir, agora temos que ter calma e esperar por novos avanços!!!