domingo, 23 de dezembro de 2012

Clones, uma realidade futura para reprodução assistida?


Logo após o nascimento da ovelha Dolly, em 1997, o primeiro clone da história, diversos grupos pelo mundo anunciaram clones de várias espécies animais, entretanto os resultados da clonagem em animais ainda são considerados ineficientes nos dias atuais. Poucos nascimentos foram atingidos e as complicações são inúmeras.

Desde então, a comunidade científica mundial tenta debater o tema : clonagem humana.
O uso da clonagem na reprodução humana será algo viável um dia? Isso dependerá de fatores, como : eficácia, segurança, presença ou ausência de leis, percepção sobre os direitos de procriação, interesse e aceitação pela sociedade, intensidade e extensão dos fatores éticos envolvidos em tal questão.
Uma unanimidade sobre esse assunto, provavelmente, nunca, existirá.

Contra a clonagem existe o fato de ser considerado um procedimento que iria contra a natureza humana, pois teria-se a concepção de um ser vivo com apenas um material genético, enquanto a natureza permite que todo ser vivo tenha seu próprio e único material genético herdado dos pais. Quem defende este ponto de vista, diz que nenhuma situação justificaria o uso de clonagem humana.

Os defensores da clonagem humana advogam que seu uso é perfeitamente justificável em casos, como : ausência de produção de gametas (espermatozóides ou óvulos) e o não desejo do uso de gametas doados (seja por motivos religiosos, culturais ou emocionais) ou quando os casais têm risco de transmissão de doenças genéticas para a prole.

Os impactos do uso da clonagem humana seriam muitos e definitivos. 
Como se comportariam as crianças clonadas? Certamente, pela influência do meio ambiente, elas não seriam totalmente idênticas a um dos pais, seriam um indivíduo único. Como seria seu relacionamento com a família?  
Como a sociedade reagiria diante da existência de clones? Usaria-se a clonagem apenas para fins específicos, como os relatados anteriormente (ausência de gametas e risco de transmissão genética) ou haveria um uso em massa, uma banalização do processo?
Perguntas difíceis de responder.

Antes de se pensar em usar a clonagem em reprodução humana é fundamental ter muita cautela.
Não há nenhum consenso, atualmente, na comunidade científica mundial.
Hoje, não existe segurança para a realização deste procedimento e a questões éticas estão longe de serem resolvidas, portanto, considera-se a clonagem um procedimento eticamente inaceitável.
Esta conclusão não deve, entretanto, ser usada para proibir as pesquisas nesta área, as quais são amplas e eticamente justificáveis.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Estresse e suas relações com perdas gestacionais


Atualmente, está bem estabelecido a relação entre estresse psicológico e infertilidade, sabe-se que altos níveis de estresse podem levar a uma não ovulação, entre outras alterações, impedindo o estabelecimento de uma gravidez tanto naturalmente, como quando se realizam tratamentos de reprodução assistida (artigo relacionando estresse e fertilização in vitro foi publicado aqui neste blog em outubro de 2011).

Agora, surgem novas evidências de efeitos negativos do estresse em perdas gestacionais, inclusive nas perdas de repetição (artigo publicado este mês, neste blog), as chamadas perdas recorrentes (três ou mais perdas gestacionais consecutivas).

Um estudo publicado no jornal internacional Reprodutive BioMedicine Online em Agosto de 2012 e realizado na Universidade de Nova Gales do Sul, em Sydney, Austrália, demonstrou que níveis elevados de estresse psicológico estão relacionados a maiores chances de perdas gestacionais recorrentes.

Esse e outros estudos demonstraram que o estresse reduz a probabilidade de gravidez e está associado a uma maior chance de abortamentos.
Em mulheres com perdas recorrentes, o estresse parece aumentar a chance de perdas futuras, pelo aumento de células conhecidas como "Natural Killers" (matadoras naturais) e por alterações na produção de determinadas substâncias, como o cortisol (substância que regula todo o equilíbrio corporal).

Logicamente, não está completamente estabelecido como o estresse provocaria tantos efeitos negativos na fertilidade da mulher. 
A maioria dos estudos indica uma forte relação, porém existem estudos que demonstram uma ausência de relação e até algumas pesquisas que demonstram o contrário, sobretudo em casos de fertilização in vitro, com as mulheres mais estressadas engravidando mais do que as que tinham menor nível de estresse. 

Controvérsias a parte, a maior parte das pesquisas indica realmente uma relação negativa entre estresse psicológico e fertilidade, seja nos tratamentos de reprodução assistida, seja no dia a dia de quem busca uma gravidez naturalmente.

Em minha opinião, vejo o estresse do mundo moderno como a causa de diversos efeitos maléficos em nossas vidas e acho realmente que temos nossa fertilidade afetada, negativamente, pelo estilo de vida moderno. Com certeza nossos pais e avós viveram em épocas mais calmas.
Tentar equilibrar corpo e mente é fundamental para vivermos mais e melhor. 

domingo, 9 de dezembro de 2012

Aborto de Repetição


O abortamento natural é a complicação mais comum da gravidez, atingindo cerca de 15 a 30% das mesmas, aflingindo muitas mulheres e casais, mas é, na grande maioria das vezes, um meio natural de eliminar alterações genéticas. 

Para a medicina reprodutiva, o grande problema acontece quando ocorrem abortamentos de repetição, uma causa de infertilidade difícil de ser tratada.
A definição de aborto habitual (recidivante ou 
de repetição) é a existência de três ou mais perdas gestacionais espontâneas e consecutivas, clinicamente diagnosticadas antes de 22 semanas de gestação. 
Atinge cerce de 1% das mulheres em idade reprodutiva.
Nos dias atuais, em que os casais iniciam suas tentativas de engravidar cada vez mais tarde, a ocorrência de dois abortos associados a idade materna avançada (mais de 35 anos) e a ansiedade do casal já justifica o início de uma investigação.

As causas são diversas e se dividem entre imunológicas (20%), endócrinas (15%), anatômicas (10%), genéticas (5%), infecciosas (0,5%) e desconhecidas (40-50%). 
Atente-se para o fato de não se conseguir encontrar uma causa para a grande maioria dos casos.

Entre as causas imunológicas estão as trombofilias, entre elas, a SAAF, síndrome de anticorpos anti-fosfolípides, (tema já abordado aqui neste blog em 2011) é a principal causa.
Hoje, tem-se combatido os efeitos deletérios da SAAF, com relativo sucesso, com o tratamento medicamentoso adequado, com substâncias, como : AAS, heparina e corticóides. 
Alguns estudos médicos demostram uma queda da taxa de abortamentos de até 54%, quando o tratamento para SAAF é realizado durante toda a gestação.

Entre as causa endocrinológicas temos doenças, como : diabetes mellitus, hipotireoidismo, obesidade e SOMP (síndrome dos ovários micropolicísticos).

Das causas anatômicas, temos as alterações uterinas congênitas (aquelas em que se nasce com elas), a presença de miomas uterinos e a incompetência istmo-cervical (colo uterino incapaz de manter-se fechado durante a gravidez).

As causas genéticas, que são a maioria das causas de aborto, não representam a maioria das causas de aborto habitual, neste grupo temos as alterações a nível de genes e cromossomos.

Entre as causas infecciosas, hoje, bastante reduzidas, devido ao maior acesso da população à assistência médica, a presença de vaginose bacteriana (as conhecidas secreções vaginais) pode, raramente, causar abortamentos de repetição, assim como as doenças sexualmente transmitidas.

Existem, ainda, os fatores ambientais que podem ser prejudiciais e portanto podem provocar perdas repetitivas, como : etilismo, tabagismo e uso de drogas ilícitas.

Vimos que as causas de abortos habituais são muitas e que muitas vezes não se consegue diagnosticar a causa das perdas. 
Portanto, hábitos de vida saudáveis, um bom acompanhamento médico e não retardar muito a concepção parecem contribuir muitas vezes para evitar as perdas de repetição.


O choque da infertil-idade

Uma realidade dura e atual......O alerta é muito importante!!!

O choque da infertil-idade: por Bruno Ramalho
É fato: o menor interesse pela maternidade e a tendência de postergá-la são resultantes da participação...

domingo, 2 de dezembro de 2012

Cigarro e fertilidade

Bruno Ramalho, MD - Saúde Feminina: Cigarro e fertilidade: O tabagismo associa-se a efeitos prejudiciais sobre os parâmetros do espermograma em homens inférteis e sobre o potencial reprodutivo (rese...

sábado, 1 de dezembro de 2012

Acupuntura e seus efeitos na Fertilidade


Ultimamente, muito tem-se pesquisado sobre os efeitos benéficos da acupuntura na fertilidade humana, sobretudo durante os tratamentos de reprodução assistida. 

Vários são os estudos médicos evidenciando melhores taxas de gravidez em fertilização in vitro (FIV) quando se usa a acupuntura. 

Esta técnica vem sendo utilizada pela medicina tradicional dos países orientais, para a cura de diversas doenças, por muitos séculos.

Em recente estudo, realizado na Universidade de Ciências da Saúde de Pequim, na China, demonstrou-se que pacientes submetidas à fertilização in vitro (FIV) e que foram, também, submetidas a sessões de acupuntura nos dias que antecederam a transferência embrionária e no próprio dia da transferência de embriões, tiveram maiores taxas de gravidez quando comparadas às pacientes que não foram submetidas à acupuntura. 

As explicações para um sucesso maior na FIV com o uso da acupuntura são muitas. 



Em primeiro lugar, a acupuntura parece provocar uma diminuição do estado de ansiedade e estresse que o tratamento de reprodução assistida provoca na mulher, isso, por si só, já melhoraria as taxas de gravidez.

Em segundo lugar, alterações orgânicas também foram demonstradas, como : uma diminuição da contratilidade uterina, fato este que pode ocorrer após o processo de transferência embrionária, devido ao contato da pequena cânula utilizada para realizar a transferência. Assim, seria menor a chance de haver um deslocamento do embrião de sua posição ideal ou de haver uma expulsão do mesmo para fora do ambiente uterino. 

Além disso, há também um aumento da receptividade endometrial (região do útero onde o embrião se implanta, ou seja, se fixa para iniciar seu desenvolvimento). Essa maior receptividade ocorreria pela liberação de determinadas substâncias químicas (os chamados mediadores químicos) o que aumentaria a chance de uma maior interação entre endométrio e embrião, levando, portanto, a uma maior probabilidade de implantação deste no leito endometrial.

Podemos, claro, extrapolar esses resultados benéficos da acunputura na FIV, para aqueles casais que estão tentando engravidar naturalmente ou por outros métodos, como a inseminação intrauterina e a indução de ovulação.

Esses fatores e descobertas abrem caminho para uma possível mudança nos tratamentos convencionais e ocidentais, com o uso de ferramentas da medicina oriental nos ajudando a aumentar as taxas de sucesso nos tratamentos de reprodução assistida. 


sábado, 10 de novembro de 2012

Obesidade x Fertilidade


Muito tem se falado e publicado nos últimos anos sobre os efeitos deletérios do excesso de peso sobre a fertilidade, tanto maculina quanto feminina.

Em um estudo recente realizado em conjunto pela Escola de Medicina de Harvard e pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos e  publicado na Fertility and Sterility, a revista da ASRM (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva), foi analisado os efeitos do sobrepeso e obesidade de mulheres sobre os resultados em fertilização in vitro.

Os resultados e as taxas de sucesso em fertilização in vitro foram drasticamente desfavoráveis às mulheres com sobrepeso ou obesidade.

Verificou-se que as taxas de gravidez foram menores nas mulheres com excesso de peso quando comparadas com as mulheres com peso dentro dos limites da normalidade. 

Além disso, as taxas de perdas gestacionais (incluindo abortamento e perdas mais tardias) e as taxas de cancelamento de ciclos de fertilização in vitro (devido sobretudo a uma má resposta ao estímulo hormonal, ou seja, pouca produção de óvulos) também foram maiores.

Todos esses resultados vem ao encontro dos resultados de pesquisas anteriores, demonstrando mais uma vez que o sobrepeso e a obesidade são ,hoje, um grande inimigo da fertilidade e dos tratamentos de reprodução assistida.

Portanto, se você está desejando engravidar ou se vai realizar algum tratamento para tal, procure manter-se em uma boa forma física, busque realizar atividades físicas regularmente e mantenha uma boa alimentação, pois como tudo na vida, os hábitos saudáveis serão sempre nossos aliados na busca pelo perfeito equilibrio para mantermos uma boa fertilidade.

Isso com certeza vale não só para mulheres, mas para homens também.

Fica uma dica, mantenham-se em forma!!!!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Idade Masculina e Fertilidade

Com relação ao lado masculino, hoje, sabe-se que quanto mais velho o homem, maiores as chances de queda na qualidade dos espermatozóides. Muito embora, os espermatozóides sejam produzidos constantemente, o que impede que eles fiquem tão velhos quanto os óvulos, eles passam a perder sua capacidade reprodutiva com o passar do tempo, isso se deve a fatores ambientais, como: sedentarismo, obesidade, alimentação, tabagismo, etilismo, entre outros.


No mundo atual, onde vivemos cercados por computadores, outros fatores vêm sendo responsabilizados por contribuir para a queda da qualidade espermática, como: uso de celulares e laptops (tanto pela proximidade das baterias desses aparelhos com a região testicular, pelo aumento da temperatura, quanto pela transmissão de ondas, que são responsáveis pelos sistemas de WI-FI). 

Estudos demonstram uma piora na qualidade do sêmen após o uso de laptops no colo de homens sadios (conforme já publicado antes neste blog). 

Esses fatores isolados ou em conjunto contribuem para o aumento da produção de radicais livres (espécimes reativas do oxigênio) no testículo, o que acarreta um dano no material genético (DNA) do espermatozóide, assim o espermatozóide tem uma diminuição da sua capacidade de fertilização, passando a ter uma queda da motilidade (capacidade de movimentação), da vitalidade (capacidade de permanecer vivo) e da morfologia (capacidade de ser produzido sem alterações em sua forma). 

Desta forma, não podemos esquecer, nunca, que a idade masculina pode alterar a capacidade reprodutiva e que o estilo de vida moderno está contribuindo muito para uma piora da qualidade dos espermatozóides do homem do século XXI.

Assim, devemos ter em mente que a idade é um fator primordial para uma concepção tranquila e sem dificuldades.
Portanto, hoje, no mundo moderno e tecnológico, onde mulheres e homens disputam seu lugar arduamente no mercado de trabalho, não podemos esperar demais para realizar o sonho da maternidade e paternidade, pois esta espera pode ser crucial e definitiva.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Vejamos como é a fecundação!

Vídeo bem interessante, descoberto pelo meu grande amigo Dr. Bruno Ramalho....
Blog do Dr. Bruno Ramalho: Vejamos como é a fecundação!

Idade Feminina e Fertilidade



Um dos fatores primordiais para o sucesso em se atingir uma gravidez é a idade. Antes, achava-se que somente a idade da mulher apresentava restrições ao sucesso de engravidar, mas, hoje, sabemos que a idade masculina é também importante e muitas vezes determinante para uma gravidez (falaremos mais sobre isso na próxima postagem).

A idade feminina é muito importante, vamos entender o pôrque?

A mulher já nasce com todos os seus óvulos, na verdade, ainda na vida intra-uterina o número total de óvulos já está definido, assim os óvulos têm a mesma idade da mulher, portanto eles envelhecem junto com a mulher, pelo menos essa é a teoria que vem sendo aceita há anos, mas como veremos adiante outra teoria existe e tudo poderá mudar num futuro próximo.

Como se não bastasse o fato de já existirem na vida intra-uterina, e portanto “envelhecerem” com o tempo, os óvulos, ainda, sofrem uma degeneração, ou seja, eles simplesmente morrem, desaparecem, num processo chamado de atresia. Assim a quantidade de óvulos diminui drasticamente durante toda a vida da mulher. Quanto mais velhos, menor a capacidade de desenvolvimento e, portanto de gerar embriões saudáveis. O pico da vida reprodutiva feminina ocorre aos 20, 25 anos de idade, com uma ligeira queda até os 35 anos, seguidos de uma queda livre a partir dos 35 anos. Em resumo, os óvulos atingem sua capacidade máxima de vitalidade aos 25 anos e a partir daí perdem cada vez mais o seu poder de gerar uma nova vida.

O que muito me preocupa, atualmente, é a influência de mídia na decisão da mulher sobre quando engravidar. Infelizmente, a mídia mostra e cultua atrizes e pessoas famosas engravidando em idade avançada, algumas até mesmo após os 50 anos e este fato tem levado mulheres a postergar demais uma gravidez. 
O fato é que não se fala em como essas pessoas têm atingido uma gravidez, mas nós, especialistas, sabemos que na grande imensa maioria das vezes essas gravidezes são conseguidas somente por tratamentos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro, e ainda mais, muitas vezes com doação de óvulos (uso de óvulos de mulheres mais jovens), pois a idade é muito avançada para se conseguir óvulos da própria paciente.

Outro fator extremamente preocupante se deve ao fato de muitos ginecologistas postergarem o encaminhamento de mulheres que querem engravidar para o especialista em reprodução humana, assim muitas chegam às nossas mãos após os 35 e até os 40 anos de idade e esse fato dificulta e impede que muitas mulheres engravidem.

O fato de termos a idade e a produção de óvulos como um grande e importante fator que impede uma gravidez tem levado a muitas pesquisas nessa área.
Muitos pesquisadores norte-americanos e europeus têm feito pesquisas na tentativa de achar uma solução para essa produção limitada de óvulos e muito se tem descoberto.

Atualmente, tem-se identificado células precursoras dos óvulos, presentes nos próprios ovários, ou seja, células que podem gerar novos óvulos e que antes achava-se não existirem. Essas células parecem existir e parecem produzir óvulos ou pelo menos serem capazes de produzir novos óvulos durante a vida da mulher (funcionam como células pró-genitoras). 
Portanto, a teoria de que todas as mulheres já nascem com um número definido de óvulos pode estar errada. Isso abre uma perspectiva magnífica, pois poderíamos obter novos óvulos quando a produção inicial estivesse em seu limite, ou seja, poderíamos ter uma nova fonte de óvulos...
Outra perspectiva futuro parece ser o uso de células tronco, que sem dúvida alguma poderá nos ajudar a conseguir novos óvulos em qualquer momento da vida da mulher.

Assim, o grande problema IDADE se tornaria coisa do passado. 

Logicamente, esses são estudos e pesquisas iniciais e muito ainda se tem que caminhar para uma solução definitiva quando se fala em idade feminina. 

Portanto, não posterguem muito uma gravidez, evitem esperar tanto, não se iludam com o que veêm na mídia e busquem no seu ginecologista uma resposta rápida para uma possível dificuldade em engravidar e acreditem que, hoje, ainda não temos soluções reais e concretas para compensar a idade feminina avançada.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Riscos da Fertilização In Vitro: Gravidez Múltipla

Blog do Dr. Bruno Ramalho: Riscos da Fertilização In Vitro: Gravidez Múltipl...: A gravidez de mais de um bebê é o principal risco das técnicas de reprodução assistida e guarda relação direta com o número de embriões tran...

domingo, 26 de agosto de 2012

Adenomiose - O que é?

Blog do Dr. Bruno Ramalho: Adenomiose: A adenomiose é uma doença benigna do útero, que cursa com menstruações abundantes e dolorosas. Pode acometer até metade das mulheres, princi...

16° Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida - Turma de Ribeirão Preto

Reencontro com amigos, professores e mestres.

Turma da FMRP-USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo).

Certeza e orgulho de ter estudado na melhor do País.

Época única e ímpar da medicina em minha vida!!!


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

16° Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida

Presente, mais uma vez, ao maior Congresso Brasileiro em Reprodução Assistida.
16° Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida, em Guarujá-SP.
Troca de experiências única.

Reencontro com amigos e professores.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Atividade física e suas relações com a fertilidade feminina


Em recente estudo realizado em conjunto pela Universidade de Boston, em Massachusetts nos EUA e pela Universidade de Aarhus na Dinamarca, que foi publicado em maio deste ano pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) na sua publicação oficial, Fertility and Sterility, avaliou-se a influência da atividade física na fertilidade de mulheres no período fértil (foram avaliadas mulheres entre 18 e 40 anos). 


Em concordância com diversos estudos anteriormente publicados, esse estudo demonstrou que a prática de atividades físicas está relacionada com um aumento da fertilidade feminina, entretanto, este estudo demonstrou um dado bastante curioso, refere-se ao fato de que o excesso de atividade física pode reduzir a fertilidade da mulher, enquanto uma atividade física moderada aumentaria a fertilidade. 
Assim, atividades físicas extenuantes e rotineiras, como: corrida e ciclismo podem prejudicar e não ajudar a mulher a engravidar. 
Evidências antigas, sempre, demonstraram haver maiores índices de subfertilidade ou infertilidade em mulheres atletas (submetidas a uma intensa carga de atividade física).

Segundo esta pesquisa somente uma prática moderada de exercícios físicos teria um impacto positivo sobre a fertilidade feminina, devendo-se portanto evitar a prática exagerada de exercícios físicos. Mais ainda, segundo os dados obtidos nesta pesquisa, a fecundidade feminina diminui se a mulher realiza mais de cinco horas de atividade física semanal, seja ela de moderada ou forte intensidade, levando à seguinte conclusão: quanto maior o número de horas praticando atividade física, menor a fecundidade. Logicamente, esses dados são resultados desta pesquisa e futuros estudos são necessários para obter-se conclusões mais sólidas, muito embora, existam estudos que já demonstrem uma taxa de sucesso menor em ciclos de fertilização in vitro realizados em mulheres que realizam atividades físicas extenuantes.

Esses dados nos levam a crer que uma atividade física balanceada é a ideal para a mulher que deseja engravidar. 
Entretanto, em mulheres com sobrepeso ou obesas, parece que qualquer intensidade de atividade física contribui para uma melhoria da fertilidade, a redução de peso, consequentemente, tornaria a mulher mais fértil, por proporcionar mais ciclos ovulatórios, entre outros benefícios.
Em resumo, mulheres com peso dentro do limite da normalidade devem realizar atividades físicas com moderação, enquanto que, mulheres acima do peso podem realizar exercícios em quaisquer intensidade, ou seja, o que parece contar mais para a fertilidade é o perfeito equilíbrio entre boa forma física e uma prática adequada de exercícios físicos. 

Portanto, manter a saúde física em ordem parece ser determinante para manter uma boa fertilidade.

Pratiquem atividade física com equilíbrio.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Malefícios do tabagismo frente à Fertilidade Humana

Apesar da queda vertiginosa no consumo de cigarros nas últimas décadas (a estatística norte-americana demonstra uma queda de 42% para 21% de 1965 até 2006), 21% da população ainda representa uma parcela importante e uma parte desta parcela, com certeza, está tentando engravidar.
Estudos demonstram uma queda importante das taxas de gravidez e nascimentos e um aumento das taxas de abortamento nas pacientes fumantes, seja em ciclos naturais ou em ciclos de reprodução assistida, como na fertilização in vitro. 

Uma recente revisão feita pela Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE) em 2009 confirmou todos esses achados, demonstrando uma queda pela metade na taxa de nascimentos e um aumento de 265% nas taxas de abortamento.

Os efeitos negativos do tabagismo afetam, também, as mulheres expostas à fumaça de cigarros dos seus companheiros, as chamadas fumantes passivas. 


Em estudo publicado em 2011 pela ESHRE, nesse grupo específico de mulheres, foi demonstrado um aumento de 52% no risco de falha de implantação nos ciclos de fertilização in vitro, além de uma diminuição de 25% na chance de nascidos vivos.

Não se pode esquecer, logicamente, os efeitos negativos do tabagismo em homens, onde as evidências são claras e fortes. Os espermatozóides podem sofrer alterações em número, forma e movimentação, levando a uma diminuição da capacidade de fertilização dos mesmos, ou seja, em homens, o tabagismo também pode provocar diminuição da fertilidade.

Assim, mulheres tentando engravidar devem parar de fumar, assim como seus parceiros, e as fumantes passivas devem parar de ter o contato com  a exposição crônica ao tabaco.

Em resumo, tabagismo e fertilidade são opostos que não se atraem.

sábado, 7 de julho de 2012

Como a varicocele pode afetar a fertilidade masculina?

O termo varicocele designa a presença de veias dilatadas (varizes) na região testicular, caracteriza-se pela dilatação das veias do chamado plexo pampiniforme. 
É uma das mais conhecidas patologias causadores de problemas na fertilidade masculina. 
Ocorre com uma frequência de 20 % na população geral, em cerca de 40% nos homens com infertilidade primária (aqueles sem filhos) e chega a números altíssimos em homens com infertilidade secundária (aqueles que já têm filhos), atingindo cerca de 75 a 81% destes homens. 
Ocorre mais comumente do lado esquerdo, por uma questão anatômica e em geral se manifesta após a puberdade.

Nem todos os homens com varicocele têm infertilidade, mas a varicocele pode atrapalhar muito quem deseja uma gravidez.
Os mecanismos envolvidos na alteração da fertilidade, que é provocada pela varicocele, são inúmeros e multifatoriais.
Temos, pela dilatação das veias, um aumento da temperatura testicular, devido à estase sanguinea (parada do sangue), esse aumento da temperatura prejudica em muito a produção dos espermatozóides (não é à toa que os testículos ficam localizados no saco escrotal, fora da cavidade abdominal, onde a temperatura é ligeiramente inferior à temperatura corporal). 

Ocorre também um refluxo de substâncias tóxicas para a circulação testicular, devido à parada do sangue na região.

Com o aumento da temperatura e alteração de todo o fluxo sanguíneo local ocorre uma situação de estresse, o chamado estresse oxidativo. Assim, ocorre uma produção aumentada de radicais livres (espécies reativas do oxigênio) no testículo. 
Esse estresse oxidativo diminui a capacidade de formação e de maturação dos espermatozóides. Além disso, evidências recentes de diversos estudos mundias têm demonstrado um aumento da fragmentação do DNA do espermatozóide, secundário ao estresse oxidativo, isto é, ocorre um dano direto no material genético do espermatozóide, o que altera toda a estrutura do mesmo.

Para combater os efeitos maléficos da varicocele é preciso que em primeiro lugar se busque um diagnóstico mais precoce e que se procure avaliar corretamente se a varicocele está provocando alterações nos espermatozóides, visto que, conforme dito antes, nem toda varicocele leva a infertilidade ou subfertilidade, isto deve-se a mecânismos ainda não totalmente compreendidos, provavelmente a mecanismos de defesa próprios de cada indivíduo, como por exemplo, a produção de substâncias antioxidantes.

Portanto, para um tratamento adequado, é necessário um diagnóstico precoce e uma resolução imediata, quando indicada, sendo sempre necessário o acompanhamento por uma equipe médica composta de urologista e de ginecologista especialista em reprodução humana.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Lesley Brown - Primeira Fertilização in Vitro

Faleceu este mês, dia 06 de Junho de 2012, a inglesa Lesley Brown, a mãe de Louise Brown, o primeiro bebê de proveta do mundo.
Em 1977, Lesley e seu marido John, após nove anos tentando engravidar, foram submetidos à primeira fertilização in vitro. Lesley, tinha na época 29 anos e aceitou participar de uma experiência nova e que iria mudar os rumos da medicina.
O procedimento foi realizado pelo Dr. Patrick Stepoe, um dos idealizadores da nova e surpreendente técnica.
Foi gerado um embrião de oito células, que foi transferido para o útero de Lesley.
Em 25 de julho de 1978, na Inglaterra, nascia Louise Brown, iniciando-se, assim, um dos capítulos mais belos e inacreditáveis da ciência moderna.
Lesley morreu aos 64 anos e merece ser lembrada pelo pioneirismo e pela coragem de ter se submetido a uma experiência ímpar e que na época soava como ficção científica.
Ela faleceu em Bristol, na Inglaterra, de infecção generalizada.

sábado, 16 de junho de 2012

Tireóide & Fertilidade Feminina

Hipotireoidismo   Verdades e mentiras
tireóide (termo derivado da palavra grega "escudo", devido ao seu formato) é uma das maiores glândulas endócrinas do corpo. Ela é uma estrutura de dois lobos localizada no pescoço (em frente à traquéia) com 15-30 g, ao nível das vértebras C5 até T1 e é imediatamente inferior à laringe. Está recoberta por músculos do pescoço e pelas suas fáscias.
Sua principal função é a produção de  hormônios, principalmente tiroxina (T4) e triiodotironina (T3), que regulam a taxa do metabolismo corporal e afetam o taxa funcional de muitos sistemas do corpo. 
A produção destes hormônios é feita após estimulação das células da tireóide pelo hormônio da hipófise TSH (thyroid stimulating hormone) no recetor membranar do TSH, existente em cada célula folicular. As células intersticiais, células C, produzem calcitonina, um hormônio que leva à diminuição da concentração de cálcio no sangue (estimulando a formação óssea).iodo é um componente essencial tanto do T3 quanto do T4

hipertireoidismo (tireóide muito ativa) e o hipotireoidismo (tireóide pouco ativa) são os problemas mais comuns da glândula tireóide.
 
Já se sabe a  bastante tempo que as alterações da tireóide podem influenciar negativamente a fertilidade humana. Como essa glândula funciona regulando tudo o que ocorre no nosso corpo, quaisquer alterações podem levar a um desequilíbrio importante.
Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireodismo podem provocar dificuldades para engravidar. 
Portanto, é fundamental o controle rigoroso dos níveis dos hormônios tireoidianos.
A alteração mais comum na mulher é o hipotireoidismo, que muitas vezes não é diagnosticado por apresentar poucos sintomas, caracterizando o chamado hipotireoidismo subclínico. 
Sabe-se que grávidas com hipotireoidismo subclínico apresentam maior chance de desenvolver pressão alta e de ter abortamentos.

Estudos recentes, entre eles, um realizado na Universidade da Pennsylvania (Philadelphia - EUA) e publicado em março de 2012 na Fertility and Sterility, a publicação oficial da ASRM (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva),  demonstraram que pequenas alterações do TSH podem acontecer durante os ciclos de indução e estimulação ovariana (isto é, durante o uso dos hormônios que estimulam a produção de óvulos pelos ovários nos tratamentos de reprodução assistida, como: inseminação intra-uterina e fertilização in vitro) e que essas alterações podem diminuir a chance de sucesso nesses tratamentos e podem aumentar a taxa de complicações, como perdas precoces (abortamentos e trabalho de parto pré-termo), por exemplo. 
Assim, esse estudo já abre uma porta para um controle mais preciso e rigoroso dos níveis dos hormônios tireoidianos (sobretudo o TSH), antes e durante os tratamentos de reprodução assistida e logicamente durante toda a gravidez.
Além disso, é importante uma avaliação dos níveis dos anticorpos anti-tireoideanos, que quando aumentados, provocam alterações na glândula tireóide que levarão a uma  disfunção da mesma. 
Já existem evidências que sugerem o tratamento hormonal da tireóide, somente pela presença elevada destes anticorpos, mesmo sem alteração da produção hormonal da mesma, isso em pacientes com dificuldade para engravidar e nas que estejam sendo submetidas a tratamentos de reprodução assistida.

Essas evidências indicam uma necessidade de controlar rigorosamente a produção hormonal da tireóide, seja antes de uma concepção, durante um tratamento de reprodução assistida ou durante a gravidez.

domingo, 27 de maio de 2012

Hidrossalpinge & Fertilização in Vitro


Hidrossalpinge, em tradução literal, “água na trompa”.

Trata-se de uma alteração que ocorre nas trompas uterinas, geralmente, em decorrência de um processo infeccioso provocado por bactérias. 
O nome deste tipo de infecção é DIP (doença inflamatória pélvica). Trata-se de uma infecção ascendente, que atinge primeiro útero e depois as trompas, causada por bactérias, como: gonococo e clamídia. O grande problema desta patologia é o caráter silencioso desta infecção, muitas vezes os sintomas são leves e até inexistentes, o que retarda o diagnóstico e tratamento.
A hidrossalpinge é a conseqüência da infecção aguda. Após ser atingida pelo processo infeccioso, a trompa sofre alterações definitivas, que levam à sua obstrução e algumas vezes ao acúmulo e retenção de líquido, caracterizando a hidrossalpinge.
Além da obstrução tubárea, que impede uma gravidez por métodos normais, a hidrossalpinge, quando presente ao exame de ultrassom, diminui muito as taxas de gravidez em procedimentos de fertilização in vitro.
Concluindo, a presença de hidrossalpinge bilateral impede uma concepção natural pela obstrução tubárea e reduz as taxas de gravidez em uma fertilização in vitro, indicando sua remoção por cirurgia vídeo-laparoscópica.
Neste último mês, realizei uma fertilização in vitro em uma paciente que teve hidrossalpinge, após a remoção cirúrgica das trompas, a paciente obteve sucesso e encontra-se grávida, demonstrando tudo aquilo que as pesquisas médicas vêm apontando nos últimos anos: para se ter melhores taxas de gravidez em fertilização in vitro, as trompas acometidas (hidrossalpinge) devem ser removidas cirurgicamente.
Hidrossalpinge - Após remoção cirúrgica

terça-feira, 15 de maio de 2012

Aumento da temperatura testicular provoca danos na fertilidade

Em um curioso e pioneiro estudo realizado pela Universidade de Toulouse na França e publicado pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva em março de 2012, foram analisados 15  voluntários do sexo masculino que foram submetidos a um leve aumento da temperatura na região testicular. Todos os voluntários já tinham filhos e apresentavam sêmen com parâmetros normais.

Por meio de um dispositivo desenvolvido na Universidade de Toulouse, chamado de DAC (criptorquidia* diurna artificial), instalado numa roupa íntima (cueca), os pesquisadores submeteram os voluntários a um leve aumento da temperatura testicular e do epidídimo (um pequeno ducto que coleta e armazena os espermatozóides produzidos pelo testículo).

A indução do aumento de temperatura ocorreu por 120 dias consecutivos e durante o período diurno, aproximadamente 15 horas por dia. 

Após 34 dias de hipertermia (aumento de temperatura), a motilidade (movimentação), a vitalidade (número de espermatozóides vivos) e o número de espermatozóides caiu abaixo dos valores considerados normais, permanecendo assim até o final do estudo (120 dias). Sendo que a partir de 73° dia a contagem de espermatozóides caiu drasticamente. 

Mais ainda, a partir do 20° dia houve um aumento de até 200%  da fragmentação do DNA dos espermatozóides, o que foi mantido até o fim do período de hipertermia. 

Acha-se, hoje, que as alterações do DNA do espermatozóide sejam as primeiras a ocorrer, antes mesmo das alterações de movimentação, vitalidade ou contagem. Seriam, portanto, alterações precoces e significativas, que levam a uma queda importante da qualidade de fertilização dos espermatozóides.  

Após 73 dias de suspensão da hipertermia, a motilidade, vitalidade e contagem dos espermatozóides retornou aos níveis normais, assim como ocorreu a diminuição da fragmentação do DNA, entretanto em alguns voluntários a redução da  fragmentação do DNA demorou até 180 dias para atingir os níveis iniciais. Essa recuperação é compatível com o tempo para um ciclo completo de formação do espermatozóide, que desde suas células primordiais demora em média 74 dias. 

Esse estudo confirma tudo o que se vem descobrindo nos últimos anos sobre os efeitos maléficos da aumento de temperatura testicular e a diminuição da fertilidade. Assim, podemos extrapolar seus resultados para o dia-a-dia, para situações que provocam o aumento da temperatura testicular, como: varicocele (varizes testiculares), profissões  (motoristas de automóveis, por exemplo), hábitos ocupacionais  (uso de computadores portáteis sobre o colo, uso de celulares em bolsos, uso de determinadas vestimentas), entre outras. 

Outro dado interessante do estudo é que as alterações no DNA do espermatozóide ocorreram quando os parâmetros de contagem, vitalidade e motilidade ainda eram normais e compatíveis com a concepção natural, demonstrando o efeito negativo da fragmentação do DNA na concepção natural ou assistida. Esse fato parece diminuir a capacidade de formação de bons embriões  e aumentar as taxas de abortamentos.
Isto demonstra que a fragmentação do DNA do espermatozóide tem efeito negativo na formação do embrião (seria capaz de fertilizar o óvulo, mas comprometeria o desenvolvimento do embrião) levando a maiores taxas de abortamento. 
Assim, o calor excessivo na região genital masculina produz alterações na qualidade e quantidade dos espermatozóides e a depender do tempo de exposição, essas alterações podem ou não ser reversíveis. 
 
*Obs: patologia em que os testículos ficam localizados na cavidade pélvica, não ocupando sua posição definitiva, dentro do saco escrotal.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Uso de Anticoncepcionais Hormonais e Fertilidade

Um grande mito que paira no ar, quando se fala sobre o uso de anticoncepcionais hormonais, por longos períodos ou por períodos contínuos (isto é, o uso sem pausa) é com relação a interferência na fertilidade feminina.


As evidências atuais mostram que por mais prolongado que seja o uso de qualquer tipo de anticoncepcional hormonal, em qualquer via de uso (oral, transdérmico, vaginal, injetável, implante ou intrauterina) , não existe uma interferência direta ou indireta na fertilidade.

Da mesma forma, o uso estendido (sem pausa) ou o uso de métodos que mantenham a paciente em amenorréia (sem menstruação) também não interferem na fertilidade.

Entretanto, algumas vezes, usos prolongados de anticoncepcionais de depósito, como o trimestral injetável, podem induzir a um retorno mais demorado da menstruação (leia-se ovulação), e assim a uma demora no retorno à fertilidade, mas sem diminuir a mesma. 

Portanto, as evidências científicas atuais demonstram que o uso de anticoncepcionais hormonais não interfere na fertilidade da mulher, mesmo que este uso seja por longos períodos (anos)  e/ou com a interrupção da menstruação.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Síndrome de Hiperestímulo Ovariano - SHO

Ovário com múltiplos folículos - Visão Ultrassonográfica


A síndrome de hiperestímulo ovariano ou síndrome de hiperestimulação ovariana (SHO) é uma das complicações  mais temidas, se não, a mais temida dos tratamentos de reprodução assistida.

Esta síndrome está relacionada a uma resposta exagerada dos ovários (pelo excesso de produção de estrógeno e/ou pelo número de folículos recrutados) durante a fase de estímulo ovariano, seja nas induções de ovulação para coito programado, seja nos tratamentos de maior complexidade, como inseminação intrauterina ou FIV (fertilização in vitro).

A ocorrência desta síndrome varia de acordo com o tratamento realizado, variando de 2,5% em induções simples de ovulação até 23% em casos de fertilização in vitro.

Esta complicação ocorre com mais freqüência em pacientes jovens e magras, que em geral tem uma melhor resposta ovariana, assim como nas pacientes com SOMP (síndrome dos ovários micropolicísticos) provavelmente devido ao excesso de folículos que estas pacientes possuem em seus ovários.

O excesso de estrógeno produzido pelos ovários leva, por meio de mediadores químicos, a um aumento da permeabilidade capilar (isto é: as paredes dos vasos sangüíneos deixam escapar o líquido sangüíneo de dentro do vaso para fora do mesmo) e assim ocorre o acúmulo de líquido sobretudo em abdômen, pulmões e até coração, o que em casos graves pode provocar hipotensão (queda dos níveis pressóricos), distúrbios na coagulação e  insuficiência renal, um quadro grave em que os rins param de funcionar, provocando um verdadeiro desequilíbrio no correto balanço hidroeletrolítico do corpo humano. Além disso, ocorre o aumento do volume dos ovários, causando desconforto abdominal e em casos mais sérios até torção ovariana, causando a necrose do ovário (falta de irrigação).

Diversos mecanismos podem ser utilizados, hoje, para prevenir e atenuar esta síndrome, como o uso de doses menores de gonadotrofinas (hormônios usados na estimulação ovariana), o uso de outras medicações que antagonizam os efeitos nocivos do excesso de estrógeno e a utilização de diferentes estratégias, como, por exemplo, postergar a transferência dos embriões para um ciclo posterior (pois o embrião também libera hormônios que aumentam ainda mais os níveis de estrógenos).

Com o uso destas opções é possível evitar os casos mais graves, fazendo com que hoje tenhamos uma incidência bem menor dos mesmos, ficando esta síndrome muitas vezes restrita a casos leves e moderados.

Porém, todo cuidado é preciso no manejo desta complicação.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Ayrton Senna - Herói Eterno

Há exatos 18 anos perdíamos Ayrton Senna da Silva, o maior piloto de Fórmula 1 de todos os tempos.


O que, ainda, me impressiona neste grande ídolo são seus atos, sua força, sua coragem, seu amor pela pátria e sua incrível determinação, nunca desistindo de seus objetivos e sempre lutando com todas as suas forças para atingir o melhor nível em tudo o que fazia.
Acho eu que o saudosismo daquela época nunca passará e realmente espero que nunca passe.

Viva Senna!!!

sábado, 17 de março de 2012

Hábitos de Vida e Fertilidade - Uma Forte Relação

Saúde é Vida


Foi publicado em janeiro deste ano, um estudo relacionando os hábitos sociais de homens e mulheres com os resultados obtidos em ciclos de FIV (fertilização in vitro). 

O estudo foi realizado pelo Instituto e Centro de Reprodução Assistida Sapience, de São Paulo e foi publicado no jornal da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva.

Entre os dados observados pelo estudo, temos:

1- o consumo de álcool, o excesso de peso e o tabagismo influenciaram negativamente a concentração e motilidade espermática (movimentação dos espermatozóides).

2- o consumo de frutas, cereais, vegetais e o número de refeições por dia (quanto maior o número de refeições, melhor) influenciaram positivamente a concentração e a motilidade espermática. Isto estaria relacionado ao bom consumo de minerais e vitaminas antioxidantes.

3- o consumo de álcool e café por homens e o tabagismo de mulheres influenciou negativamente as taxas de fertilização em ciclos de FIV. Quando se fala em café, pode-se extrapolar para todos os itens que contenham cafeína, presente em diversos alimentos e bebidas nos dias atuais. Mais ainda, a cafeína tem sido relacionada como fator de risco real para atraso em se atingir uma concepção naturalmente.

4- o consumo de carne vermelha e o excesso de peso em mulheres teve impacto negativo nas taxas de implantação embrionária em ciclos de FIV.

5- mulheres em uma situação de perda de peso (dieta e restrição alimentar) tiveram menores taxas de implantação embrionária e gravidez em ciclos de FIV.

6- o consumo de alimentos gordurosos, como: carnes, leite e derivados, sobretudo por homens, está relacionado a piores taxas de gravidez e implantação embrionária. Isto deve-se provavelmente à presença de esteróides anabolizantes presentes na gordura destes alimentos. Um outro estudo demonstrou que homens que consumiram mais leite desnatado, em contraposição ao consumo de leite não desnatado (integral), tiveram sêmen de melhor qualidade.

Os resultados deste estudo vão ao encontro de vários estudos anteriores que evidenciaram uma queda, nos últimos anos, da qualidade do sêmen humano e de sua capacidade de fertilização.
Essas alterações negativas no sêmen estariam relacionadas a um excesso de produção de substâncias oxidativas (radicais livres) em detrimento às substâncias antioxidantes.

Isto nos leva a crer que um consumo elevado de antioxidantes e micronutrientes, seja na dieta ou por meio de suplementação pode melhorar a qualidade espermática e assim ter reflexos positivos nas taxas de gravidez.

Os dados obtidos nesse estudo referem-se a resultados de fertilização in vitro, mas podem, com absoluta certeza, ser extrapolados para o dia-a-dia de casais que não precisarão ser submetidos a uma FIV, isto é, que engravidarão naturalmente.

Mais uma vez, dados de estudos médicos demonstram que quanto mais saudáveis forem nossos hábitos de consumo e sociais, menos dificuldades teremos para conceber novas vidas!!!