sábado, 17 de março de 2012

Hábitos de Vida e Fertilidade - Uma Forte Relação

Saúde é Vida


Foi publicado em janeiro deste ano, um estudo relacionando os hábitos sociais de homens e mulheres com os resultados obtidos em ciclos de FIV (fertilização in vitro). 

O estudo foi realizado pelo Instituto e Centro de Reprodução Assistida Sapience, de São Paulo e foi publicado no jornal da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva.

Entre os dados observados pelo estudo, temos:

1- o consumo de álcool, o excesso de peso e o tabagismo influenciaram negativamente a concentração e motilidade espermática (movimentação dos espermatozóides).

2- o consumo de frutas, cereais, vegetais e o número de refeições por dia (quanto maior o número de refeições, melhor) influenciaram positivamente a concentração e a motilidade espermática. Isto estaria relacionado ao bom consumo de minerais e vitaminas antioxidantes.

3- o consumo de álcool e café por homens e o tabagismo de mulheres influenciou negativamente as taxas de fertilização em ciclos de FIV. Quando se fala em café, pode-se extrapolar para todos os itens que contenham cafeína, presente em diversos alimentos e bebidas nos dias atuais. Mais ainda, a cafeína tem sido relacionada como fator de risco real para atraso em se atingir uma concepção naturalmente.

4- o consumo de carne vermelha e o excesso de peso em mulheres teve impacto negativo nas taxas de implantação embrionária em ciclos de FIV.

5- mulheres em uma situação de perda de peso (dieta e restrição alimentar) tiveram menores taxas de implantação embrionária e gravidez em ciclos de FIV.

6- o consumo de alimentos gordurosos, como: carnes, leite e derivados, sobretudo por homens, está relacionado a piores taxas de gravidez e implantação embrionária. Isto deve-se provavelmente à presença de esteróides anabolizantes presentes na gordura destes alimentos. Um outro estudo demonstrou que homens que consumiram mais leite desnatado, em contraposição ao consumo de leite não desnatado (integral), tiveram sêmen de melhor qualidade.

Os resultados deste estudo vão ao encontro de vários estudos anteriores que evidenciaram uma queda, nos últimos anos, da qualidade do sêmen humano e de sua capacidade de fertilização.
Essas alterações negativas no sêmen estariam relacionadas a um excesso de produção de substâncias oxidativas (radicais livres) em detrimento às substâncias antioxidantes.

Isto nos leva a crer que um consumo elevado de antioxidantes e micronutrientes, seja na dieta ou por meio de suplementação pode melhorar a qualidade espermática e assim ter reflexos positivos nas taxas de gravidez.

Os dados obtidos nesse estudo referem-se a resultados de fertilização in vitro, mas podem, com absoluta certeza, ser extrapolados para o dia-a-dia de casais que não precisarão ser submetidos a uma FIV, isto é, que engravidarão naturalmente.

Mais uma vez, dados de estudos médicos demonstram que quanto mais saudáveis forem nossos hábitos de consumo e sociais, menos dificuldades teremos para conceber novas vidas!!!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Sinéquias Uterinas (Síndrome de Asherman) - Tratamento


Conforme exposto neste blog anteriormente, sinéquias uterinas são adesões na cavidade uterina, adquiridas devido a lesões infringidas sobre a mesma.

A presença de sinéquias está intimamente relacionada à infertilidade, a alterações menstruais (amenorréia - ausência de menstruação / hipomenorréia - fluxo menstrual diminuído), à dismenorréia (dor menstrual) e a perdas gestacionais recorrentes.

Quando pelo menos dois terços da cavidade uterina estão afetados por adesões densas que provocam amenorréia ou hipomenorréia, tem-se a caracterização da chamada Síndrome de Asherman.

Em um recente estudo, realizado pelo Departamento de Ginecologia do Centro Médico Carolinas, em Charlotte, Carolina do Norte, nos EUA, avaliou-se o tratamento de formas graves de sinéquias (síndrome de Asherman)  e seus resultados em restabelecer a fertilidade. 

Existem diversas opções de tratamento de sinéquias após a sua ressecção por vídeo-histeroscopia. Este estudo buscou uma forma de tratar e evitar a recorrência das sinéquias uterinas em casos que já haviam sido tratados anteriormente, ou seja, casos em que as sinéquias voltaram a aparecer após uma ou mais ressecções anteriores.

Foram estudadas 12 (doze) pacientes, todas foram tratadas com o uso de estrógenos (hormônios) antes da ressecção por um período que variou de 30 a 60 dias, com o objetivo de estimular o crescimento endometrial, para facilitar a visualização deste por ultrassom, que foi utilizado como ferramenta auxiliar durante a histeroscopia, para facilitar a ressecção.
Após a ressecção, foi introduzido um balão uterino por 3-7 dias, seguido da posterior introdução de um DIU (dispositivo intra-uterino), além da manutenção do uso do estrógeno, ambos mantidos por, aproximadamente, 10 (dez) semanas.
O intuito de usar o balão e o DIU, após a lise, é impedir que as regiões ressecadas entrem em contato, pois uma vez em contato, existe uma chance maior de recidiva das lesões. A manutenção do estrógeno funciona como um estimulante para crescimento endometrial, diminuindo o risco de formação de novas "cicatrizes"(sinéquias).

Como resultados, foram observadas 06 (seis) gravidezes. Assim, 50% de casos graves, após este tratamento,  engravidaram, o que pode ser considerado um excelente resultado, quando se trata de casos como a síndrome de Asherman.

Apesar da pequena amostra deste estudo, este bom resultado traz uma esperança para que possamos superar o grande desafio no tratamento das sinéquias uterinas, que é evitar a recidiva das mesmas, e isso só será conseguido mediante um tratamento e acompanhamento de médio a longo prazo.

domingo, 11 de março de 2012

Uso de laptops e celulares X Qualidade dos espermatozóides

Em recente estudo realizado na Escola Médica de Eastern Virginia, nos Estados Unidos e publicado na revista da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (Fertility and Sterility -ASRM), observou-se a relação entre o uso de computadores portáteis e celulares com alterações na fertilidade masculina.

Estudos anteriores já evidenciavam a relação negativa entre o calor produzidos por esses aparelhos eletrônicos e a fertilidade masculina, verificou-se, agora,  que não só o calor, mas a emissão de ondas eletromagnéticas por laptops e celulares pode provocar alterações nos espermatozóides, especialmente quando esses aparelhos são posicionados próximo à área genital (leia-se colo e bolso).

Essas alterações afetariam a movimentação dos espermatozóides (motilidade), os tornando mais lentos e até imóveis. Além disso, foi observado um maior índice de fragmentação do DNA, isto é, as ondas eletromagnéticas alterariam diretamente DNA da célula, alterando toda a estrutura do espermatozóide.

Verificou-se, ainda, que quando conectados a uma rede WI-FI, a produção de ondas eletromagnéticas é maior e portanto parece ter o poder de produzir mais alterações. Como, nos dias atuais, a grande maioria das conexões de internet é realizada usando WI-FI, o problema parece ser maior ainda.

Este parece ser o primeiro estudo que relaciona a ocorrência de alterações espermáticas devido à produção de ondas eletromagnéticas de aparelhos eletrônicos, e não somente à temperatura elevada produzida por computadores e celulares.

Esta descoberta pode, assim , justificar, em parte, o crescente declínio na fertilidade masculina que vem sendo observado na última década, uma realidade do mundo moderno, que precisamos aprender a lidar melhor.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Toxoplasmose na Gravidez - Parte II

Após a publicação inicial, esta semana, sobre toxoplasmose, recebi alguns pedidos para que escrevesse um pouco mais sobre o assunto, portanto vamos esclarecer alguns pontos.

A contaminação pelo toxoplasma (um protozoário- microorganismo) ocorre em geral na infância, quando entramos em contato com areia, solo ou animais, sobretudo gatos, contaminados. Nesta fase da vida é difícil descobrirmos que fomos contaminados, pois a infecção pelo toxoplasma se assemelha a uma virose inespecífica. É também muito difícil evitarmos a contaminação na infância, pois para isso teríamos que impor uma série de restrições à criança. O tratamento da toxoplasmose fora da gestação restringe-se ao uso de medicações sintomáticas, como numa virose.
Para sabermos se já houve contato prévio com o toxoplasma, basta um simples exame de sangue (a sorologia para toxoplasmose), que deve ser pedido para todas as mulheres que estiverem grávidas, logo na primeira consulta de pré-natal.
O tratamento durante a gravidez é realizado tanto para evitar a passagem do toxoplasma para o feto, via placenta, como para tratar o feto que já encontra-se contaminado pelo protozoário, e deve ser feito desde o diagnóstico até o fim da gravidez, esse tratamento quando realizado reduz em até 70% o risco de contaminação fetal, o que pode ser considerado um resultado fantástico.