domingo, 27 de maio de 2012

Hidrossalpinge & Fertilização in Vitro


Hidrossalpinge, em tradução literal, “água na trompa”.

Trata-se de uma alteração que ocorre nas trompas uterinas, geralmente, em decorrência de um processo infeccioso provocado por bactérias. 
O nome deste tipo de infecção é DIP (doença inflamatória pélvica). Trata-se de uma infecção ascendente, que atinge primeiro útero e depois as trompas, causada por bactérias, como: gonococo e clamídia. O grande problema desta patologia é o caráter silencioso desta infecção, muitas vezes os sintomas são leves e até inexistentes, o que retarda o diagnóstico e tratamento.
A hidrossalpinge é a conseqüência da infecção aguda. Após ser atingida pelo processo infeccioso, a trompa sofre alterações definitivas, que levam à sua obstrução e algumas vezes ao acúmulo e retenção de líquido, caracterizando a hidrossalpinge.
Além da obstrução tubárea, que impede uma gravidez por métodos normais, a hidrossalpinge, quando presente ao exame de ultrassom, diminui muito as taxas de gravidez em procedimentos de fertilização in vitro.
Concluindo, a presença de hidrossalpinge bilateral impede uma concepção natural pela obstrução tubárea e reduz as taxas de gravidez em uma fertilização in vitro, indicando sua remoção por cirurgia vídeo-laparoscópica.
Neste último mês, realizei uma fertilização in vitro em uma paciente que teve hidrossalpinge, após a remoção cirúrgica das trompas, a paciente obteve sucesso e encontra-se grávida, demonstrando tudo aquilo que as pesquisas médicas vêm apontando nos últimos anos: para se ter melhores taxas de gravidez em fertilização in vitro, as trompas acometidas (hidrossalpinge) devem ser removidas cirurgicamente.
Hidrossalpinge - Após remoção cirúrgica

terça-feira, 15 de maio de 2012

Aumento da temperatura testicular provoca danos na fertilidade

Em um curioso e pioneiro estudo realizado pela Universidade de Toulouse na França e publicado pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva em março de 2012, foram analisados 15  voluntários do sexo masculino que foram submetidos a um leve aumento da temperatura na região testicular. Todos os voluntários já tinham filhos e apresentavam sêmen com parâmetros normais.

Por meio de um dispositivo desenvolvido na Universidade de Toulouse, chamado de DAC (criptorquidia* diurna artificial), instalado numa roupa íntima (cueca), os pesquisadores submeteram os voluntários a um leve aumento da temperatura testicular e do epidídimo (um pequeno ducto que coleta e armazena os espermatozóides produzidos pelo testículo).

A indução do aumento de temperatura ocorreu por 120 dias consecutivos e durante o período diurno, aproximadamente 15 horas por dia. 

Após 34 dias de hipertermia (aumento de temperatura), a motilidade (movimentação), a vitalidade (número de espermatozóides vivos) e o número de espermatozóides caiu abaixo dos valores considerados normais, permanecendo assim até o final do estudo (120 dias). Sendo que a partir de 73° dia a contagem de espermatozóides caiu drasticamente. 

Mais ainda, a partir do 20° dia houve um aumento de até 200%  da fragmentação do DNA dos espermatozóides, o que foi mantido até o fim do período de hipertermia. 

Acha-se, hoje, que as alterações do DNA do espermatozóide sejam as primeiras a ocorrer, antes mesmo das alterações de movimentação, vitalidade ou contagem. Seriam, portanto, alterações precoces e significativas, que levam a uma queda importante da qualidade de fertilização dos espermatozóides.  

Após 73 dias de suspensão da hipertermia, a motilidade, vitalidade e contagem dos espermatozóides retornou aos níveis normais, assim como ocorreu a diminuição da fragmentação do DNA, entretanto em alguns voluntários a redução da  fragmentação do DNA demorou até 180 dias para atingir os níveis iniciais. Essa recuperação é compatível com o tempo para um ciclo completo de formação do espermatozóide, que desde suas células primordiais demora em média 74 dias. 

Esse estudo confirma tudo o que se vem descobrindo nos últimos anos sobre os efeitos maléficos da aumento de temperatura testicular e a diminuição da fertilidade. Assim, podemos extrapolar seus resultados para o dia-a-dia, para situações que provocam o aumento da temperatura testicular, como: varicocele (varizes testiculares), profissões  (motoristas de automóveis, por exemplo), hábitos ocupacionais  (uso de computadores portáteis sobre o colo, uso de celulares em bolsos, uso de determinadas vestimentas), entre outras. 

Outro dado interessante do estudo é que as alterações no DNA do espermatozóide ocorreram quando os parâmetros de contagem, vitalidade e motilidade ainda eram normais e compatíveis com a concepção natural, demonstrando o efeito negativo da fragmentação do DNA na concepção natural ou assistida. Esse fato parece diminuir a capacidade de formação de bons embriões  e aumentar as taxas de abortamentos.
Isto demonstra que a fragmentação do DNA do espermatozóide tem efeito negativo na formação do embrião (seria capaz de fertilizar o óvulo, mas comprometeria o desenvolvimento do embrião) levando a maiores taxas de abortamento. 
Assim, o calor excessivo na região genital masculina produz alterações na qualidade e quantidade dos espermatozóides e a depender do tempo de exposição, essas alterações podem ou não ser reversíveis. 
 
*Obs: patologia em que os testículos ficam localizados na cavidade pélvica, não ocupando sua posição definitiva, dentro do saco escrotal.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Uso de Anticoncepcionais Hormonais e Fertilidade

Um grande mito que paira no ar, quando se fala sobre o uso de anticoncepcionais hormonais, por longos períodos ou por períodos contínuos (isto é, o uso sem pausa) é com relação a interferência na fertilidade feminina.


As evidências atuais mostram que por mais prolongado que seja o uso de qualquer tipo de anticoncepcional hormonal, em qualquer via de uso (oral, transdérmico, vaginal, injetável, implante ou intrauterina) , não existe uma interferência direta ou indireta na fertilidade.

Da mesma forma, o uso estendido (sem pausa) ou o uso de métodos que mantenham a paciente em amenorréia (sem menstruação) também não interferem na fertilidade.

Entretanto, algumas vezes, usos prolongados de anticoncepcionais de depósito, como o trimestral injetável, podem induzir a um retorno mais demorado da menstruação (leia-se ovulação), e assim a uma demora no retorno à fertilidade, mas sem diminuir a mesma. 

Portanto, as evidências científicas atuais demonstram que o uso de anticoncepcionais hormonais não interfere na fertilidade da mulher, mesmo que este uso seja por longos períodos (anos)  e/ou com a interrupção da menstruação.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Síndrome de Hiperestímulo Ovariano - SHO

Ovário com múltiplos folículos - Visão Ultrassonográfica


A síndrome de hiperestímulo ovariano ou síndrome de hiperestimulação ovariana (SHO) é uma das complicações  mais temidas, se não, a mais temida dos tratamentos de reprodução assistida.

Esta síndrome está relacionada a uma resposta exagerada dos ovários (pelo excesso de produção de estrógeno e/ou pelo número de folículos recrutados) durante a fase de estímulo ovariano, seja nas induções de ovulação para coito programado, seja nos tratamentos de maior complexidade, como inseminação intrauterina ou FIV (fertilização in vitro).

A ocorrência desta síndrome varia de acordo com o tratamento realizado, variando de 2,5% em induções simples de ovulação até 23% em casos de fertilização in vitro.

Esta complicação ocorre com mais freqüência em pacientes jovens e magras, que em geral tem uma melhor resposta ovariana, assim como nas pacientes com SOMP (síndrome dos ovários micropolicísticos) provavelmente devido ao excesso de folículos que estas pacientes possuem em seus ovários.

O excesso de estrógeno produzido pelos ovários leva, por meio de mediadores químicos, a um aumento da permeabilidade capilar (isto é: as paredes dos vasos sangüíneos deixam escapar o líquido sangüíneo de dentro do vaso para fora do mesmo) e assim ocorre o acúmulo de líquido sobretudo em abdômen, pulmões e até coração, o que em casos graves pode provocar hipotensão (queda dos níveis pressóricos), distúrbios na coagulação e  insuficiência renal, um quadro grave em que os rins param de funcionar, provocando um verdadeiro desequilíbrio no correto balanço hidroeletrolítico do corpo humano. Além disso, ocorre o aumento do volume dos ovários, causando desconforto abdominal e em casos mais sérios até torção ovariana, causando a necrose do ovário (falta de irrigação).

Diversos mecanismos podem ser utilizados, hoje, para prevenir e atenuar esta síndrome, como o uso de doses menores de gonadotrofinas (hormônios usados na estimulação ovariana), o uso de outras medicações que antagonizam os efeitos nocivos do excesso de estrógeno e a utilização de diferentes estratégias, como, por exemplo, postergar a transferência dos embriões para um ciclo posterior (pois o embrião também libera hormônios que aumentam ainda mais os níveis de estrógenos).

Com o uso destas opções é possível evitar os casos mais graves, fazendo com que hoje tenhamos uma incidência bem menor dos mesmos, ficando esta síndrome muitas vezes restrita a casos leves e moderados.

Porém, todo cuidado é preciso no manejo desta complicação.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Ayrton Senna - Herói Eterno

Há exatos 18 anos perdíamos Ayrton Senna da Silva, o maior piloto de Fórmula 1 de todos os tempos.


O que, ainda, me impressiona neste grande ídolo são seus atos, sua força, sua coragem, seu amor pela pátria e sua incrível determinação, nunca desistindo de seus objetivos e sempre lutando com todas as suas forças para atingir o melhor nível em tudo o que fazia.
Acho eu que o saudosismo daquela época nunca passará e realmente espero que nunca passe.

Viva Senna!!!