terça-feira, 15 de maio de 2012

Aumento da temperatura testicular provoca danos na fertilidade

Em um curioso e pioneiro estudo realizado pela Universidade de Toulouse na França e publicado pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva em março de 2012, foram analisados 15  voluntários do sexo masculino que foram submetidos a um leve aumento da temperatura na região testicular. Todos os voluntários já tinham filhos e apresentavam sêmen com parâmetros normais.

Por meio de um dispositivo desenvolvido na Universidade de Toulouse, chamado de DAC (criptorquidia* diurna artificial), instalado numa roupa íntima (cueca), os pesquisadores submeteram os voluntários a um leve aumento da temperatura testicular e do epidídimo (um pequeno ducto que coleta e armazena os espermatozóides produzidos pelo testículo).

A indução do aumento de temperatura ocorreu por 120 dias consecutivos e durante o período diurno, aproximadamente 15 horas por dia. 

Após 34 dias de hipertermia (aumento de temperatura), a motilidade (movimentação), a vitalidade (número de espermatozóides vivos) e o número de espermatozóides caiu abaixo dos valores considerados normais, permanecendo assim até o final do estudo (120 dias). Sendo que a partir de 73° dia a contagem de espermatozóides caiu drasticamente. 

Mais ainda, a partir do 20° dia houve um aumento de até 200%  da fragmentação do DNA dos espermatozóides, o que foi mantido até o fim do período de hipertermia. 

Acha-se, hoje, que as alterações do DNA do espermatozóide sejam as primeiras a ocorrer, antes mesmo das alterações de movimentação, vitalidade ou contagem. Seriam, portanto, alterações precoces e significativas, que levam a uma queda importante da qualidade de fertilização dos espermatozóides.  

Após 73 dias de suspensão da hipertermia, a motilidade, vitalidade e contagem dos espermatozóides retornou aos níveis normais, assim como ocorreu a diminuição da fragmentação do DNA, entretanto em alguns voluntários a redução da  fragmentação do DNA demorou até 180 dias para atingir os níveis iniciais. Essa recuperação é compatível com o tempo para um ciclo completo de formação do espermatozóide, que desde suas células primordiais demora em média 74 dias. 

Esse estudo confirma tudo o que se vem descobrindo nos últimos anos sobre os efeitos maléficos da aumento de temperatura testicular e a diminuição da fertilidade. Assim, podemos extrapolar seus resultados para o dia-a-dia, para situações que provocam o aumento da temperatura testicular, como: varicocele (varizes testiculares), profissões  (motoristas de automóveis, por exemplo), hábitos ocupacionais  (uso de computadores portáteis sobre o colo, uso de celulares em bolsos, uso de determinadas vestimentas), entre outras. 

Outro dado interessante do estudo é que as alterações no DNA do espermatozóide ocorreram quando os parâmetros de contagem, vitalidade e motilidade ainda eram normais e compatíveis com a concepção natural, demonstrando o efeito negativo da fragmentação do DNA na concepção natural ou assistida. Esse fato parece diminuir a capacidade de formação de bons embriões  e aumentar as taxas de abortamentos.
Isto demonstra que a fragmentação do DNA do espermatozóide tem efeito negativo na formação do embrião (seria capaz de fertilizar o óvulo, mas comprometeria o desenvolvimento do embrião) levando a maiores taxas de abortamento. 
Assim, o calor excessivo na região genital masculina produz alterações na qualidade e quantidade dos espermatozóides e a depender do tempo de exposição, essas alterações podem ou não ser reversíveis. 
 
*Obs: patologia em que os testículos ficam localizados na cavidade pélvica, não ocupando sua posição definitiva, dentro do saco escrotal.

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