domingo, 23 de dezembro de 2012

Clones, uma realidade futura para reprodução assistida?


Logo após o nascimento da ovelha Dolly, em 1997, o primeiro clone da história, diversos grupos pelo mundo anunciaram clones de várias espécies animais, entretanto os resultados da clonagem em animais ainda são considerados ineficientes nos dias atuais. Poucos nascimentos foram atingidos e as complicações são inúmeras.

Desde então, a comunidade científica mundial tenta debater o tema : clonagem humana.
O uso da clonagem na reprodução humana será algo viável um dia? Isso dependerá de fatores, como : eficácia, segurança, presença ou ausência de leis, percepção sobre os direitos de procriação, interesse e aceitação pela sociedade, intensidade e extensão dos fatores éticos envolvidos em tal questão.
Uma unanimidade sobre esse assunto, provavelmente, nunca, existirá.

Contra a clonagem existe o fato de ser considerado um procedimento que iria contra a natureza humana, pois teria-se a concepção de um ser vivo com apenas um material genético, enquanto a natureza permite que todo ser vivo tenha seu próprio e único material genético herdado dos pais. Quem defende este ponto de vista, diz que nenhuma situação justificaria o uso de clonagem humana.

Os defensores da clonagem humana advogam que seu uso é perfeitamente justificável em casos, como : ausência de produção de gametas (espermatozóides ou óvulos) e o não desejo do uso de gametas doados (seja por motivos religiosos, culturais ou emocionais) ou quando os casais têm risco de transmissão de doenças genéticas para a prole.

Os impactos do uso da clonagem humana seriam muitos e definitivos. 
Como se comportariam as crianças clonadas? Certamente, pela influência do meio ambiente, elas não seriam totalmente idênticas a um dos pais, seriam um indivíduo único. Como seria seu relacionamento com a família?  
Como a sociedade reagiria diante da existência de clones? Usaria-se a clonagem apenas para fins específicos, como os relatados anteriormente (ausência de gametas e risco de transmissão genética) ou haveria um uso em massa, uma banalização do processo?
Perguntas difíceis de responder.

Antes de se pensar em usar a clonagem em reprodução humana é fundamental ter muita cautela.
Não há nenhum consenso, atualmente, na comunidade científica mundial.
Hoje, não existe segurança para a realização deste procedimento e a questões éticas estão longe de serem resolvidas, portanto, considera-se a clonagem um procedimento eticamente inaceitável.
Esta conclusão não deve, entretanto, ser usada para proibir as pesquisas nesta área, as quais são amplas e eticamente justificáveis.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Estresse e suas relações com perdas gestacionais


Atualmente, está bem estabelecido a relação entre estresse psicológico e infertilidade, sabe-se que altos níveis de estresse podem levar a uma não ovulação, entre outras alterações, impedindo o estabelecimento de uma gravidez tanto naturalmente, como quando se realizam tratamentos de reprodução assistida (artigo relacionando estresse e fertilização in vitro foi publicado aqui neste blog em outubro de 2011).

Agora, surgem novas evidências de efeitos negativos do estresse em perdas gestacionais, inclusive nas perdas de repetição (artigo publicado este mês, neste blog), as chamadas perdas recorrentes (três ou mais perdas gestacionais consecutivas).

Um estudo publicado no jornal internacional Reprodutive BioMedicine Online em Agosto de 2012 e realizado na Universidade de Nova Gales do Sul, em Sydney, Austrália, demonstrou que níveis elevados de estresse psicológico estão relacionados a maiores chances de perdas gestacionais recorrentes.

Esse e outros estudos demonstraram que o estresse reduz a probabilidade de gravidez e está associado a uma maior chance de abortamentos.
Em mulheres com perdas recorrentes, o estresse parece aumentar a chance de perdas futuras, pelo aumento de células conhecidas como "Natural Killers" (matadoras naturais) e por alterações na produção de determinadas substâncias, como o cortisol (substância que regula todo o equilíbrio corporal).

Logicamente, não está completamente estabelecido como o estresse provocaria tantos efeitos negativos na fertilidade da mulher. 
A maioria dos estudos indica uma forte relação, porém existem estudos que demonstram uma ausência de relação e até algumas pesquisas que demonstram o contrário, sobretudo em casos de fertilização in vitro, com as mulheres mais estressadas engravidando mais do que as que tinham menor nível de estresse. 

Controvérsias a parte, a maior parte das pesquisas indica realmente uma relação negativa entre estresse psicológico e fertilidade, seja nos tratamentos de reprodução assistida, seja no dia a dia de quem busca uma gravidez naturalmente.

Em minha opinião, vejo o estresse do mundo moderno como a causa de diversos efeitos maléficos em nossas vidas e acho realmente que temos nossa fertilidade afetada, negativamente, pelo estilo de vida moderno. Com certeza nossos pais e avós viveram em épocas mais calmas.
Tentar equilibrar corpo e mente é fundamental para vivermos mais e melhor. 

domingo, 9 de dezembro de 2012

Aborto de Repetição


O abortamento natural é a complicação mais comum da gravidez, atingindo cerca de 15 a 30% das mesmas, aflingindo muitas mulheres e casais, mas é, na grande maioria das vezes, um meio natural de eliminar alterações genéticas. 

Para a medicina reprodutiva, o grande problema acontece quando ocorrem abortamentos de repetição, uma causa de infertilidade difícil de ser tratada.
A definição de aborto habitual (recidivante ou 
de repetição) é a existência de três ou mais perdas gestacionais espontâneas e consecutivas, clinicamente diagnosticadas antes de 22 semanas de gestação. 
Atinge cerce de 1% das mulheres em idade reprodutiva.
Nos dias atuais, em que os casais iniciam suas tentativas de engravidar cada vez mais tarde, a ocorrência de dois abortos associados a idade materna avançada (mais de 35 anos) e a ansiedade do casal já justifica o início de uma investigação.

As causas são diversas e se dividem entre imunológicas (20%), endócrinas (15%), anatômicas (10%), genéticas (5%), infecciosas (0,5%) e desconhecidas (40-50%). 
Atente-se para o fato de não se conseguir encontrar uma causa para a grande maioria dos casos.

Entre as causas imunológicas estão as trombofilias, entre elas, a SAAF, síndrome de anticorpos anti-fosfolípides, (tema já abordado aqui neste blog em 2011) é a principal causa.
Hoje, tem-se combatido os efeitos deletérios da SAAF, com relativo sucesso, com o tratamento medicamentoso adequado, com substâncias, como : AAS, heparina e corticóides. 
Alguns estudos médicos demostram uma queda da taxa de abortamentos de até 54%, quando o tratamento para SAAF é realizado durante toda a gestação.

Entre as causa endocrinológicas temos doenças, como : diabetes mellitus, hipotireoidismo, obesidade e SOMP (síndrome dos ovários micropolicísticos).

Das causas anatômicas, temos as alterações uterinas congênitas (aquelas em que se nasce com elas), a presença de miomas uterinos e a incompetência istmo-cervical (colo uterino incapaz de manter-se fechado durante a gravidez).

As causas genéticas, que são a maioria das causas de aborto, não representam a maioria das causas de aborto habitual, neste grupo temos as alterações a nível de genes e cromossomos.

Entre as causas infecciosas, hoje, bastante reduzidas, devido ao maior acesso da população à assistência médica, a presença de vaginose bacteriana (as conhecidas secreções vaginais) pode, raramente, causar abortamentos de repetição, assim como as doenças sexualmente transmitidas.

Existem, ainda, os fatores ambientais que podem ser prejudiciais e portanto podem provocar perdas repetitivas, como : etilismo, tabagismo e uso de drogas ilícitas.

Vimos que as causas de abortos habituais são muitas e que muitas vezes não se consegue diagnosticar a causa das perdas. 
Portanto, hábitos de vida saudáveis, um bom acompanhamento médico e não retardar muito a concepção parecem contribuir muitas vezes para evitar as perdas de repetição.


O choque da infertil-idade

Uma realidade dura e atual......O alerta é muito importante!!!

O choque da infertil-idade: por Bruno Ramalho
É fato: o menor interesse pela maternidade e a tendência de postergá-la são resultantes da participação...

domingo, 2 de dezembro de 2012

Cigarro e fertilidade

Bruno Ramalho, MD - Saúde Feminina: Cigarro e fertilidade: O tabagismo associa-se a efeitos prejudiciais sobre os parâmetros do espermograma em homens inférteis e sobre o potencial reprodutivo (rese...

sábado, 1 de dezembro de 2012

Acupuntura e seus efeitos na Fertilidade


Ultimamente, muito tem-se pesquisado sobre os efeitos benéficos da acupuntura na fertilidade humana, sobretudo durante os tratamentos de reprodução assistida. 

Vários são os estudos médicos evidenciando melhores taxas de gravidez em fertilização in vitro (FIV) quando se usa a acupuntura. 

Esta técnica vem sendo utilizada pela medicina tradicional dos países orientais, para a cura de diversas doenças, por muitos séculos.

Em recente estudo, realizado na Universidade de Ciências da Saúde de Pequim, na China, demonstrou-se que pacientes submetidas à fertilização in vitro (FIV) e que foram, também, submetidas a sessões de acupuntura nos dias que antecederam a transferência embrionária e no próprio dia da transferência de embriões, tiveram maiores taxas de gravidez quando comparadas às pacientes que não foram submetidas à acupuntura. 

As explicações para um sucesso maior na FIV com o uso da acupuntura são muitas. 



Em primeiro lugar, a acupuntura parece provocar uma diminuição do estado de ansiedade e estresse que o tratamento de reprodução assistida provoca na mulher, isso, por si só, já melhoraria as taxas de gravidez.

Em segundo lugar, alterações orgânicas também foram demonstradas, como : uma diminuição da contratilidade uterina, fato este que pode ocorrer após o processo de transferência embrionária, devido ao contato da pequena cânula utilizada para realizar a transferência. Assim, seria menor a chance de haver um deslocamento do embrião de sua posição ideal ou de haver uma expulsão do mesmo para fora do ambiente uterino. 

Além disso, há também um aumento da receptividade endometrial (região do útero onde o embrião se implanta, ou seja, se fixa para iniciar seu desenvolvimento). Essa maior receptividade ocorreria pela liberação de determinadas substâncias químicas (os chamados mediadores químicos) o que aumentaria a chance de uma maior interação entre endométrio e embrião, levando, portanto, a uma maior probabilidade de implantação deste no leito endometrial.

Podemos, claro, extrapolar esses resultados benéficos da acunputura na FIV, para aqueles casais que estão tentando engravidar naturalmente ou por outros métodos, como a inseminação intrauterina e a indução de ovulação.

Esses fatores e descobertas abrem caminho para uma possível mudança nos tratamentos convencionais e ocidentais, com o uso de ferramentas da medicina oriental nos ajudando a aumentar as taxas de sucesso nos tratamentos de reprodução assistida.