terça-feira, 31 de dezembro de 2013

2014

FELIZ 2014!!!
Que venham muitas conquistas e vitórias



E que nunca desistamos dos nossos sonhos!!!

Ovários Micropolicísticos x Infertilidade e Alterações Metabólicas

A síndrome dos ovários micropolicísticos (SOMP) é uma alteração endócrina muito comum e atinge cerca de 07% das mulheres em idade reprodutiva. Caracteriza-se por ausência de ovulação (alterações menstruais), combinada com sinais e sintomas de excesso de hormônios masculinos (acne, queda de cabelo, excesso de pêlos). É a principal causa endocrinológica (hormonal) de infertilidade e está muito relacionada a alterações de níveis de açucar e colesterol. 

Existem diversos dados que indicam que o excesso de peso está ligado a quadros mais graves de SOMP, com um aumento do risco de complicações metabólicas e cardiovasculares, como: resistência insulínica (excesso do hormônio que controla os níveis de açucar - estágio que antecede a diabetes), hipertensão arterial, excesso de colesterol e aterosclerose (depósitos de gordura nos vasos sanguíneos). 

Dados sugerem que cerca de 30 a 40% de mulheres jovens com SOMP tem intolerância à glicose (pré-diabetes) e que  05 a 10% tem diabetes mellitus. A atual epidemia mundial de obesidade tem contribuido para uma maior proporção de crianças e adolescentes obesos, parecendo aumentar os casos de SOMP, hipotetizando-se um papel da obesidade como causa da síndrome dos ovários micropolicísticos.

Avaliando esses dados, um grupo de pesquisadores de Los Angeles, na Califórnia, fez um estudo para avaliar a prevalência da SOMP na adolescência (idade entre 15 e 19 anos) e na obesidade. Os dados deste estudo foram publicados em agosto de 2013 na Fertility and Sterility, a revista periódica da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva.

Os dados indicaram que 02 em cada 200 adolescentes têm o diagnóstico de ovários policísticos, sugerindo que esta patologia é ainda subdiagnosticada e que, em muitos casos, existe uma demora em se fazer o diagnóstico. Foi achada, também, que quanto maior o peso maior a prevalência (mais casos) da doença e portanto maior o risco de complicações associadas.

Desta forma, tem-se mais um estudo que demonstra a forte associação entre obesidade infantil, na adolescência e na vida adulta com a síndrome dos ovários micropolicísticos e sua complicações metabólicas e infertilidade.

A SOMP deve ser bem-diagnosticada e tratada, ou melhor, controlada. Os efeitos negativos na saúde da mulher podem ser devastadores, assim como as dificuldades para engravidar podem ser enormes.
O controle desta patologia é vital para uma boa saúde e para a manutenção da capacidade reprodutiva. Não se pode encarar a SOMP apenas como uma alteração ovariana isolada, trata-se de uma doença sistêmica e os reflexos são profundos. 

Não se deve, jamais, banalizar o tratamento desta patologia de tão difícil controle.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Queda da função ovariana pode estar ligada à primeira menstruação


Acredita-se que a menopausa seja geneticamente programada, assim a reserva ovariana (número de óvulos presente nos ovários) dependeria de uma combinação de genes. Isto é reforçado pelas correlações entre a época de entrada na menopausa de mães e filhas, que tende a ser similar.

Pensando nisso, um grupo de pesquisadores austríacos, investigou se a idade da menarca (primeira menstruação) tem relação com a reserva de óvulos na vida adulta. Eles publicaram esta pesquisa em outubro deste ano, na Fertility and Sterility, a revista mensal da ASRM (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva).

Foram estudadas mulheres inférteis e percebeu-se que parece existir uma forte relação entre uma idade precoce da primeira menstruação e uma reserva ovariana diminuída na vida adulta. Assim, quanto mais cedo for a menarca maior a chance de haver uma redução prematura da reserva ovular nos anos de vida fértil.

Provavelmente, esta associação ocorre pela combinação entre o tamanho da reserva ovariana inicial (geneticamente determinada) e a taxa de degeneração (perda que ocorre naturalmente durante toda a vida) dos óvulos.

Sabe-se que para cada óvulo que sofre ovulação em um determinado mês, vários outros sofrem um processo de degeneração, conhecido como atresia. Deste modo, quanto mais anos ovulando, mais óvulos seriam perdidos e essa taxa de perda seria mais acelerada.

Esses dados podem começar a ajudar à medicina reprodutiva a encontrar uma solução para as pacientes inférteis que apresentam poucos óvulos em idades reprodutivas precoces (abaixo dos 35 anos). 

Hoje, a baixa reserva ovariana precoce ou aquela que ocorre naturalmente sobretudo após os 37-38 anos é a causa mais difícil de infertilidade a ser resolvida.

Talvez, em alguns anos, com as novas descobertas e como o uso de células tronco, possamos resolver este que considero o verdadeiro calcanhar de Aquiles da medicina reprodutiva.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Dano ovariano após tratamento cirúrgico para endometriose


O tratamento cirúrgico da endometriose ovariana, por meio da cirurgia de vídeo-laparoscopia, vem sendo utilizado há tempos, muito embora muitas dúvidas existam quando se avalia a melhoria da função reprodutiva e a preservação da fertilidade após a cirurgia. Dados de estudos têm demonstrado que a função ovariana (reserva de óvulos) pode sofrer danos enormes e irreversíveis após cirurgias laparoscópicas para retirada das lesões de endometriose do ovário (endometriomas), levando em alguns casos à menopausa precoce.

Um estudo publicado em agosto de 2013, na Fertility and Sterility, a publicação mensal da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), por um grupo de pesquisadores de Guangzhou, na China, tentou entender as relações entre o tamanho do endometrioma retirado e a magnitude do dano na função ovariana. Foram estudadas mulheres que submeteram-se à fertilização in vitro após uma laparoscopia para retirada de um endometrioma ovariano unilateral.

Observou-se que nos ovários que haviam sido operados, o número de folículos antrais (óvulos imaturos), de folículos dominantes (óvulos maduros após estimulação ovariana com as medicações hormonais) e de óvulos puncionados (retirados) na fertilização in vitro foram menores quando comparados com os ovários sem endometriose. Quando os endometriomas operados tinham mais de quatro centímetros, as diferenças foram ainda maiores.

Ao se comparar o grupo de mulheres que tinha tido endometriomas maiores que 4 cm com o grupo que tinha tido lesões menores que esse valor, detectou-se que todos os parâmetros eram piores no grupo com lesões maiores que quatro centímetros.
Estes dados vão ao encontro de diversos estudos que demonstram os efeitos negativos na função ovariana, após a retirada laparoscópica de endometriomas.
Isto provavelmente ocorre porque a excisão (retirada) dos endometriomas provoca também a retirada de partes não afetadas dos ovários, consequentemente, haveria uma perda grande e desnecessária de óvulos. Quanto maior o endometrioma maior a região ovariana afetada e maior a região normal retirada em conjunto. Além disso, quanto maior a lesão endometriótica maior a dificuldade de retirada cirúrgica e maior o uso de energia térmica para coagular os sangramentos, portanto maior a lesão ovariana.

Deve-se, portanto, individualizar o tratamento cirúrgico para as pacientes com endometriomas ovarianos e endometriose. 

Se o objetivo é tratar quadros de infertilidade e/ou preservar a fertilidade, a indicação cirúrgica tem que ser rigorosa e bem avaliada, pois muitas vezes a realização de uma cirurgia não aumenta as chances de uma gravidez, pelo contrário, pode diminuir e até impedir a obtenção da mesma, seja naturalmente ou por tratamentos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro. 

Se o objetivo é o tratamento da dor provocada pela endometriose, sem necessidade alguma (zero) de preservar a fertilidade, a cirurgia é uma das opções eficazes existentes, muito embora existam tratamentos clínicos e alternativos (acupuntura, por exemplo) que podem ser utilizados para controlar a dor pélvica crônica.

Tem-se que ter um olhar crítico e objetivo sobre essa patologia de difícil controle e tratamento, deve-se individualizar cada caso. Somente assim torna-se possível oferecer o melhor tratamento para cada paciente.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Idade paterna avançada e os riscos para a prole



Já é sabido, há tempos, que a idade materna avançada está relacionada com complicações gravídicas e que quanto maior a idade paterna, mais complicações, como: abortamentos, morte fetal, pré-eclâmpsia (pressão alta na gravidez) e baixo peso ao nascer, podem acontecer. 

Acha-se que a idade paterna avançada pode afetar negativamente o bom funcionamento da placenta e esta é fundamental para o bom desenvolvimento fetal.

Pensando nisso, um grupo de pesquisadores de Oslo, na Noruega, avaliou os efeitos da idade paterna no desenvolvimento placentário e publicou seus resultados na Human Reproduction, revista da Sociedade Européia de Medicina Reprodutiva e Embriologia (ESHRE), no mês de novembro de 2013. 

Foram avaliadas cerca de 600 mil gravidezes e constatou-se que existe um aumento do peso placentário com o aumento da idade do homem, sobretudo após os 50 anos. Além disso, quando a mãe apresentava mais de 45 anos o peso da placenta foi ainda maior.

O maior peso placentário parece estar ligado a resultados gravídicos adversos, como: pré-eclâmpsia, morte fetal, piores condições ao nascimento e aumento dos riscos do recém-nascido precisar de cuidados em unidades de terapia intensiva (UTI). Fora isso, parece haver um aumento do risco de desenvolver hipertensão arterial e doenças cardiovasculares na vida adulta. 

Mais uma vez, tem-se dados que demonstram os riscos de uma gravidez com idade avançada. 
Constata-se que tanto a idade do homem como a da mulher podem provocar diversos problemas, além da natural dificuldade de engravidar que ocorre nas idades mais avançadas. 

Esses efeitos adversos não podem ser corrigidos pelas técnicas de reprodução assistida. 

Infelizmente, têm-se, hoje, cada vez mais homens e mulheres adiando a concepção por motivos diversos. Sem dúvida nenhuma, o fator idade é hoje a causa mais difícil de infertilidade a ser tratada e a que traz mais problemas. 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Embriões Congelados x Embriões a Fresco



Atualmente, o uso do congelamento de óvulos e embriões está bem estabelecido e difundido. As taxas de gravidezes após transferência de embriões que estavam congelados são similares às taxas de embriões transferidos a fresco (que não foram congelados), com alguns estudos apontando taxas superiores para embriões descongelados, já que parece haver uma maior sincronia entre embrião e endométrio quando não se usam tantas medicações indutoras da ovulação, nos ciclos de fertilização in vitro.

Além disso, o congelamento de óvulos tem permitido a preservação de fertilidade em casos, como: pacientes com câncer que precisarão fazer quimioterapia e que poderão apresentar menopausa precoce e quando a mulher ou o casal pretendem adiar a gravidez por motivos profissionais.

Uma grande questão, ainda, sem uma resposta definitiva, é se a gravidez e as crianças nascidas após o uso de técnicas de congelamento teriam os mesmos resultados que os apresentados por ciclos tradicionais de fertilização in vitro (transferência de embriões sem uso da criopreservação).

Pensando nestes aspectos um grupo de pesquisadores de Milão e Roma, na Itália e da Universidade de Yale, em Connecticut, nos Estados Unidos publicaram um estudo na Fertility and Sterility, jornal da ASRM (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva), em agosto de 2013.

Eles analisaram um grupo de 855 pacientes que foi submetido a transferências de embriões a fresco e/ou após congelamento, ou seja, em alguns casos uma mesma paciente recebeu embriões frescos e em um outro ciclo posterior embriões após congelamento.

O estudo demonstrou e reforçou o conceito de segurança da criopreservação de óvulos e embriões, pois não demonstrou diferença entre a incidência de complicacões fetais e neonatais (recém nascidos) entre transferência de embriões frescos ou descongelados. Não houve, também, diferença nas taxas de prematuridade e malformações ao nascimento.

A taxa de malformações foi de 2,8% para embriões descongelados e de 4,6% para os embriões frescos, mas essa diferença não foi estatisticamente significativa. A única diferença significativa foi o peso ao nascimento que foi estatisticamente maior nos recém-nascidos provenientes de embriões descongelados.

Estes dados reforçam os já anteriormente publicados e suportam o uso da criopreservação de óvulos e embriões como uma alternativa possível e segura para os tratamentos de reprodução assistida. 

Talvez, em um futuro próximo, o congelamento venha a ser utilizado em praticamente todos os casos de fertilização in vitro.






domingo, 15 de dezembro de 2013

Substâncias químicas afetam a maturação dos óvulos


Existem várias evidências científicas que sugerem que substâncias químicas podem diminuir a fertilidade humana.


Uma dessas substâncias é o bisfenol-A (BPA). Ele é um componente industrial dos plásticos de policarbono (material que compõe os recipientes plásticos utilizados para armazenar alimentos e bebidas, por exemplo). Sob circunstâncias normais o bisfenol-A é inerte, mas em casos de exposição de luz ultra-violeta, calor e soluções ácidas e básicas, pode interagir com o meio externo. Ao interagir pode, alterar funções normais do sistema endocrinológico (produção hormonal). 

Existem estudos que relacionam os níveis de BPA a falhas de implantação embrionária e a uma menor capacidade de maturação dos óvulos.

O BPA já foi encontrado em fluido folicular (líquido que envolve os óvulos) de pacientes submetidas à  fertilização in vitro (FIV), impactando na qualidade ovular e na resposta ovariana ao estímulo das medicações indutoras da ovulação. Parece, assim, provocar a formação de menos óvulos maduros, levando a uma pior capacidade de fertilização dos mesmos.
 
A exposição ao BPA em diversas fases da vida pode, portanto, afetar a qualidade ovulatória.

Um estudo realizado na Escola Médica de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos e publicado na Human Reproduction, revista da Sociedade Européia de Medicina Reprodutiva e Embriologia (ESHRE) em outubro de 2013, indicou que o BPA está associado a interferências na progressão da maturação meiótica dos óvulos (fases da divisão celular) e na separação dos cromossomos ovulares, causando um atraso nas etapas de divisão e provocando anomalias na estrutura genética dos óvulos. 

Portanto, óvulos com alterações cromossômicas, podem se formar após uma exposição prolongada ao BPA. Assim, existiria um aumento da incidência de degeneração dos óvulos quando expostos ao BPA. 

Isto pode, por exemplo, ser a explicação para a queda das taxas de fertilidade vista nos últimos anos.

Esta é mais uma evidência de que as substâncias químicas ambientais podem alterar negativamente a fertilidade humana.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Ovários micropolicísticos e seus efeitos negativos na gravidez


A Síndrome dos ovários micropolicísticos (SOMP) é a principal causa de infertilidade feminina de origem endocrinológica.

Além disso, mulheres com SOMP apresentam risco elevado para complicações na gravidez. Existe uma forte associação entre SOMP e diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, trabalho de parto prematuro e baixo peso fetal ao nascimento. 

Parece que a resistência insulínica (aumento da produção de insulina para tentar manter níveis normais de açucar no sangue - estágio que antecede o diabetes mellitus) e o excesso de andrógenos (hormônios masculinos, como testosterona) provocam um defeito na implantação embrionária (invasão endovascular do trofoblasto) e na placentação (formação da placenta). 

Uma pesquisa realizada em Nápoles e em Modena, na Itália e publicada na Human Reproduction, revista mensal da ESHRE (Sociedade Européia de Medicina Reprodutiva e Embriologia) em outubro deste ano, tentou identificar as consequências dessa alterações na gravidez. 

Foram avaliadas as placentas de pacientes com SOMP e foram observadas alterações macroscópicas, como: menor peso, espessura mais fina e volume menor, estas diferenças parecem estar associadas à problemas gestacionais e perinatais (período próximo ao parto). Por exemplo, quanto menor o peso placentário maior a chance do recém-nascido ir para UTI. 

As gestantes com SOMP apresentaram maior incidência de restrição de crescimento intra-uterino, de trabalho de parto pré-termo e de tromboses vasculares. 

Microscopicamente as placentas apresentaram mais lesões vasculares, uma maturação alterada e uma maior reação inflamatória das vilosidades placentárias. Essas lesões parecem ser influenciadas pelos níveis dos andrógenos circulantes e pelo excesso de açúcar no sangue, sugerindo um potencial papel do hiperandrogenismo e da resistência insulinica na gênese de todas as alterações. 

A paciente com SOMP apresentaria um estado crônico de inflamação que provocaria uma desregulação do sistema imune, reduzindo a capacidade do corpo de receber o embrião adequadamente, provocando uma implantação alterada e defeituosa, além disso a função vascular também estaria prejudicada. 


Em conclusão, a placenta de pacientes com SOMP apresenta alterações tanto macroscópica quanto microscopicamente, levando a problemas gestacionais. Assim, além de provocar infertilidade, a síndrome dos ovários micropolicísticos pode causar diversos efeitos negativos durante a gravidez. 

Combater as alterações da SOMP, como: excesso de peso, resistência insulínica e níveis alterados de colesterol, pode ser fundamental para se atingir uma gravidez e para se ter uma gestação sem tantas alterações.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Obesidade Central Feminina provoca Infertilidade


Os efeitos negativos da obesidade feminina na fertilidade já são conhecidos e estabelecidos, já os efeitos da obesidade central (concentração de gordura na região abdominal) são menos claros. 

Um estudo realizado na Universidade de Boston, nos Estados Unidos e publicado em outubro deste ano na Human Reproduction - revista da Sociedade Européia de Medicina Reprodutiva e Embriologia, avaliou os efeitos do excesso de peso e da concentração central de gordura  em mulheres negras americanas.

Constatou-se que quanto maior o IMC (Índice de Massa Corporal) maior o atraso para concepção. 

Após um controle e redução do IMC, mulheres que apresentavam cinturas maiores (circunferência abdominal) ou que tinham uma relação cintura/quadril maior apresentavam menor fertilidade que as demais. 

Assim, parece que a obesidade central é um fator de risco independente para infertilidade, pois mesmo após a diminuição do peso, a manutenção de gordura na região abdominal foi responsável por menores taxas de fertilidade.

Essa relação foi demonstrada nesse estudo e em mulheres americanas negras, que tem altas taxas de obesidade e infertilidade, mas com certeza esses dados podem ser extrapolados para mulheres de outras etnias.

Portanto, uma redução na obesidade geral e central oferece um potencial aumento da fertilidade. 

Combater o excesso de peso e manter uma boa forma física sempre ajudará na manutenção da fertilidade.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Riscos da Gestação Gemelar


Dando sequência a uma série de artigos publicados aqui sobre os perigos da gravidez múltipla após reprodução assistida, seguem mais evidências dos possíveis danos causados pela gemelaridade.

A deprivação nutricional durante períodos críticos do desenvolvimento, como a gravidez, pode levar a alterações durante toda a vida. 

Dados demostram que um baixo peso ao nascimento está associado a um maior risco para problemas futuros, como: doenças cardiovasculares, diabetes mellitus tipo II e menarca (primeira menstruação) e puberdade que pode ocorre precocemente quando comparada com crianças com peso normal ao nascimento. 

Um estudo realizado em Copenhage na Dinamarca e publicado na Human Reproduction, jornal da Sociedade Européia de Medicina Reprodutiva e Embriologia em Outubro de 2013 evidenciou que o baixo peso ao nascer em gestações gemelares está relacionado a um menarca mais precoce. Essa menarca precoce estaria também ligada a menores pesos da prole ao nascimento, assim como a uma menarca também precoce nas descendentes. 

Vivemos a era da reprodução assistida, uma época de epidemia de gestações gemelares. Pode-se dizer que nunca antes na história da medicina houve uma interferência tão grande no ambiente intrauterino, devido à grande quantidade de gravidezes múltiplas após os tratamentos de reprodução assistida, levando a muitos nascimentos abaixo do peso ideal, causando tantas alterações no futuro.

Mais uma vez, vê-se que o esforço em se buscar a transferência embrionária única deve ser encarada como o objetivo final dos tratamentos de reprodução assistida. 

A busca pela implantação perfeita deve ser encarada como algo definitivo e real. Com tantos dados na literatura médica demonstrando os efeitos negativos da gemelaridade, deve-se a todo custo evitar as transferências múltiplas que resultam em gestações gemelares e micro-ambientes uterinos mais hostis aos fetos. 


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Transferência Embrionária Única - Tendência Atual

Nos últimos anos, diversos esforços tem sido feitos pelas principais Sociedades de Reprodução Assistida mundiais no intuito de se aumentar a segurança dos tratamentos, diminuindo o número de gravidezes múltiplas, através da transferência única de embrião em ciclos de fertilização in vitro. 

Uma questão ainda divide os especialistas: o que traz melhores resultados, transferência dupla ou transferência única (em termos de segurança e resultados positivos)? Os pontos a serem analisados são: 


1- Desejo da paciente

A paciente tem o direito de querer uma gravidez múltipla, mas os estudos demonstram que quanto mais bem informada estiver a paciente quanto às possíveis complicações de uma gravidez gemelar, menor é o número de mulheres a desejando. 

2- Melhores Resultados 

Existem vários trabalhos demonstrando maiores taxas de sucesso quando se transferem dois embriões, embora existam estudos que não demonstrem essa diferença e ainda mais, a maioria dos estudos não avalia a taxa cumulativa de gravidez (aquela em que se leva em conta a transferência posterior de embriões congelados). Quando se avalia essa taxa cumulativa, os resultados finais são os mesmos. O cálculo apropriado não deveria ser um versus dois embriões transferidos e sim, 1+1 maior ou igual a 2, ou seja, duas transferências únicas consecutivas produzem resultados iguais ou melhores que uma transferência dupla.

3- Segurança 

O número de complicações maternas como: diabetes gestacional e hipertensão é aproximadamente duas a três vezes maior na gemelaridade dupla que na gravidez simples. Há um risco 4,5 vezes maior de trabalho de parto prematuro e seis vezes maior de baixo peso ao nascer para gravidezes gemelares que simples. 
Além disso, o risco de ruptura de bolsa amniótica é cerca de cinco vezes maior na gemelaridade.

Os gêmeos tem três vezes mais risco de apresentar desconforto respiratório, duas vezes mais risco de sepse (infecção generalizada) e quatro vezes mais risco de icterícia (pele amarelada pelo acúmulo de metabólitos, devido à prematuridade do fígado) que os não gemelares.


As mães de gêmeos tem maior risco para depressão e ansiedade pós-parto e os pais apresentam maiores problemas para dormir, ansiedade e depressão durante o primeiro ano de vida dos filhos. 
Assim, está estabelecido que gravidezes gemelares duplas tem risco muito maior de resultados adversos que as gravidezes simples. 

4- Custo-eficiência

Vários estudos demonstram que os custos pré-natais e neonatais (pós-partos) variam entre 35 a 264% a mais nas gravidezes duplas que nas simples, pós-reprodução assistida. 
Isso ocorre devido às altas taxas de prematuridade e baixo peso ao nascer dos gêmeos. 


O desafio para os profissionais de reprodução assistida deve ser o aumento das taxas de implantação, para se poder reduzir o número de embriões transferidos.

O resultado ótimo nos ciclos de fertilização in vitro deve ser o nascimento de uma criança única e saudável.

Fonte: Pesquisa realizada na Escola Médica de Eastern Virginia, Norfolk, Estados Unidos. Publicada em Outubro de 2013, no Jornal de Reprodução Humana (Human Reproduction) da ESHRE (Sociedade Européia de Medicina Reprodutiva e Embriologia).


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Aderências pélvicas podem causar infertilidade

As aderências pélvicas podem causar diversos problemas na saúde das mulheres, entre eles a obstrução dos tubos, sensibilidade pélvica, dores durante as relações sexuais, dores pélvicas crônicas e infertilidade.
As causas das aderências pélvicas podem ser muitas, sendo a mais comum a irritação do tecido após um processo inflamatório ou cirurgia. O problema costuma ocorrer na maioria das mulheres que realizaram cirurgia pélvica ou que sofrem com endometriose. Um exemplo de evento inflamatório seria uma infecção das trompas ocasionada por uma doença sexualmente transmissível, por exemplo, a gonorreia.
Aderências pélvicas são faixas anômalas de tecido cicatricial  que se formam na pélvis e fazem com que os órgãos fiquem colados uns aos outros. Algumas medidas podem reduzir as chances ou gravidade do desenvolvimento do problema, entre eles estão: o tratamento precoce de um processo infeccioso, a utilização de práticas sexuais seguras para minimizar a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis e técnicas cirúrgicas meticulosas para minimizar o trauma do tecido.
Os sintomas de aderência pélvica são vários, como dor pélvica, desconforto, sensação de peso abaixo do umbigo, cólicas intestinais, constipação, alterações menstruais, dor na relação sexual e infertilidade.


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Fertilidade masculina diminui com o envelhecimento


Vários estudos têm demonstrado efeitos deletérios do envelhecimento na fertilidade masculina, levando a resultados negativos como: aumento da taxa de abortamentos, aumento da taxa de desordens neurológicas e de desenvolvimento nos filhos. 
Esses resultados parecem acontecer pelo acúmulo de toxinas ambientais, pelo uso de álcool e pelo tabagismo. 

Um estudo publicado em Outubro de 2013 por pesquisadores de Los Angeles, na Califórnia, Estados Unidos, na Fertility and Sterility, jornal da ASRM - Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, tentou estabelecer quais as relações existentes entre a idade masculina e diminuição da fertilidade.

Foi observado, uma diminuição do número total e do número de espermatozóides móveis a partir dos 34 anos, com uma taxa de queda de 2% ao ano. Após os 40 anos foi evidenciado uma redução na concentração dos espermatozóides, após os 43 anos uma piora da movimentação e após os 45 anos uma queda do volume seminal e da morfologia (número de formas normais).

A diminuição da morfologia parece estar relacionada a maiores taxas de alterações cromossômicas nos espermatozóides. 

Existe uma relação clara entre o aumento da presença de radicais livres do oxigênio nos testículos com a diminuição da movimentação, da concentração e da morfologia, não coincidentemente após os 40 anos existe o aumento do nível desses radicais livres a nível testicular. 

Além disso, ocorre uma perda da termoregulacão testicular com o envelhecimento, devido ao depósito de gordura nos vasos testiculares, algo semelhante ao que ocorre no coração antes do infarto, por exemplo. Isso provoca um aumento da temperatura nos testículos e causa mais dano aos espermatozóides.

Esses dados, demonstram uma clara ação negativa da idade avançada na qualidade e quantidade dos espermatozóides, provocando não só maiores dificuldades para se atingir uma gravidez espontaneamente (a taxa de nascimentos declina após os 40 anos) mas também maiores problemas gestacionais (como abortamentos) e maiores chances de  aparecimento de problemas nos filhos. 

Além disso, existe uma relação entre pior qualidade embrionária e menores taxas de gravidez em ciclos de Fertilização in Vitro em homens acima dos 40 anos, nestes casos o dano do DNA do espermatozóide seria o responsável pela queda do sucesso nos tratamentos de reprodução assistida. 

Portanto, não só a idade feminina avançada, mas também a maior idade masculina contribuem para diminuir a fertilidade humana.

Adiar demais uma gravidez pode trazer, além de muitos problemas, muita dificuldade em se conseguir engravidar. 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Gravidez Múltipla - Epidemia na Era da Reprodução Assistida


No início dos anos 80, começo da era da reprodução assistida, houve um aumento de mais de cinco vezes do número de gravidezes múltiplas de três ou mais fetos. 
Entre o período de 1998 a 2003 ocorreu o maior aumento já registrado no número de gravidezes trigemelares ou quadrigemelares, alcançando, somente nos Estados Unidos, o número de 7600 nascimentos. 

Nesta época a ASRM - Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva e a SART - Sociedade de Tecnologia em Reprodução Assistida iniciaram uma série de esforços para se reduzir o número de gravidezes múltiplas, por meio da redução do número de embriões transferidos em ciclos de Fertilização in Vitro. 
Assim, de 2003 em diante houve uma queda acentuada das gravidezes múltiplas, até se atingir um platô (equilíbrio) em 2008.

Em 2009, os procedimentos de Reprodução Assistida foram responsáveis por menos de 20% das gravidezes duplas e por menos de 35% das gravidezes triplas, nos Estados Unidos. 

A redução das taxas de gravidezes múltiplas deve ser um dos objetivos principais da medicina reprodutiva. 
Existe, ainda, um grande debate sobre o que apresentaria maiores riscos: uma gravidez de gêmeos ou duas gravidezes simples, mas se sabe que a gravidez gemelar apresenta maior risco para abortamentos, tem seis vezes mais chance de parto pré-termo (prematuro) e dez vezes mais chances do recém-nascido apresentar baixo peso ao nascer e isso é responsável pela principal causa de mortalidade neonatal. 

A comunidade científica tem tentado atingir melhores taxas de sucesso, com maior segurança para as pacientes, buscando, constantemente, reduzir o número de gravidezes múltiplas, por meio de transferências com um único embrião, nos ciclos de Fertilização in Vitro.

O objetivo final dos tratamentos de Reprodução Assistida deve ser sempre a gravidez única. 

Dados desta pesquisa: 
CDC - Centers for Disease Control and Prevention, Estados Unidos. 
Publicado na Fertility and Sterility, revista da ASRM - Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva,  em Outubro de 2013.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Efeitos do Tabagismo na Fertilidade Feminina


Sabe-se que toxinas ambientais, como as produzidas pelo hábito de fumar provocam uma redução da fertilidade humana. 
Baseado nessas evidências, cientistas têm procurado entender melhor a extensão dos danos desses efeitos nocivos.

Uma pesquisa publicada, em outubro deste ano, na Fertility and Sterility, jornal da ASRM - Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, em conjunto por um grupo de pesquisadores da Universidade Paris Descartes, em Paris e da Califórnia, nos Estados Unidos, tenta esclarecer esses pontos. 

Baseado em evidências científicas, esses pesquisadores estabeleceram uma hipótese para tentar entender os efeitos nocivos do tabagismo na fertilidade feminina.
A hipótese afirma que que as toxinas do cigarro afetariam inicialmente os óvulos em crescimento, poupando os óvulos primordiais (a reserva ovular que não estaria em crescimento). Acha-se que após 6 meses da parada do hábito de fumar, a capacidade reprodutiva estaria plenamente restabelecida. O período de 6 meses seria o necessário para que os óvulos primordiais, não afetados pelas toxinas, começassem a se desenvolver.

Fumantes parecem ter piores resultados em técnicas de reprodução assistida (fertilização in vitro e inseminação intrauterina), além de menores chances de concepção natural. Porém, parece que  chance de atingir-se uma gravidez nas mulheres que haviam parado de fumar há mais de 6 meses seriam as mesmas das que nunca fumaram. 

Alguns dados demonstram efeitos negativos, também, nas fumantes passivas, aquelas mulheres que não fumam, mas cujo parceiro fuma. Parece que nesse grupo particular os efeitos negativos do tabagismo tendem a ser os mesmos dos que ocorrem nas fumantes ativas. 

Entretanto, essa teoria não está totalmente consolidada, visto que mulheres tabagistas tendem a entrar na menopausa cerca de 1 a 2 anos antes que as não fumantes. Parece que, em certos casos, os óvulos primordiais parecem, também, ser afetados pelas toxinas. Isso pode ser aplicado aos casos de quimioterapia, por exemplo, onde o efeito dos quimioterápicos tem um grande potencial destrutivo contra as células ovarianas. 

Quanto menor o estresse oxidativo a nível ovariano maior a capacidade reprodutiva. As toxinas geradas pelo tabagismo aumentam a produção de radicais livres no ovário e contribuem para o aumento desse estresse. Bons hábitos de vida, como: boa alimentação, bons estilos de vida (não fumar e não beber, por exemplo) e o uso de antioxidantes são recomendados a todas as mulheres que desejam uma gravidez naturalmente ou por meio de técnicas de reprodução assistida. Isto seria recomendado por pelo menos 3 a 6 meses antes das tentativas de engravidar. 

Conclui-se que o dano causado pelas toxinas do tabaco não parecem ser definitivos na maioria das mulheres, mas isso não minimiza os danos gerais causados pelas mesmas. 
Fumar, portanto, não combina com uma boa fertilidade.

domingo, 24 de novembro de 2013

Endometriose x Qualidade de Vida


A endometriose é uma doença crônica, de difícil tratamento e que necessita de um controle durante toda a vida reprodutiva da mulher e algumas vezes até depois da menopausa.

Uma boa parte das mulheres com endometriose apresentará sintomas mesmo após ter sido submetidas a tratamentos clínicos e/ou cirúrgicos. 
Dados de estudos comprovam que este fato provocará neste grupo uma evidente redução da qualidade de vida.

Foi publicado, no último mês de outubro, um estudo na Human Reproduction (revista mensal da ESHRE - Sociedade Européia de Medicina Reprodutiva e Embriologia) que entrevistou 931 mulheres com endometriose e que haviam sido tratadas em centros especializados em 10 diferentes países. O estudo foi realizado em conjunto pelas Universidades de Maastricht e Leuven , na Holanda e na Bélgica, respectivamente.

Os seguintes resultados foram evidenciados: 51% da mulheres relataram que o seu dia-a-dia de trabalho é afetado pela endometriose, 50% responderam que, durante algum período de suas vidas, tiveram problemas de relacionamento conjugal em função desta patologia, 59% relataram dor menstrual (dismenorréia) mantida após os tratamentos, 56% apresentam dor durante ato sexual (dispareunia) e 60% continuam com dor pélvica crônica mesmo após os tratamentos.

Este estudo abrangeu um grande número de mulheres de diferentes países, em diferentes fases do tratamento da endometriose e comprovou que os sintomas acompanham as pacientes apesar dos tratamentos, provocando uma queda significante da qualidade de vida. 
Por esses motivos, o controle da endometriose tem que ser contínuo e realizado por um grupo multidisciplinar que vai muito além do ginecologista e necessita de psicólogos, nutricionistas, especialistas no tratamento da dor, sexologistas, entre outros.

Deve-se, portanto, tratar a endometriose como uma doença que afetará a mulher durante toda a sua vida reprodutiva. 

A melhor palavra para endometriose não é tratamento, mas CONTROLE.

sábado, 9 de novembro de 2013

Casais homoafetivos podem recorrer à fertilização in vitro para realizar o sonho de ter filhos

A nova resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), divulgada no primeiro semestre deste ano, é um marco na luta pelos direitos civis dos homossexuais e permite que esses casais recorram à fertilização in vitro para terem filhos.
Nos casais femininos, a reprodução pode ser realizada a partir da inseminação em uma das mulheres ou por gestação compartilha, quando o óvulo de uma delas é inseminado e gestado na parceira. A norma esclarece que o doador do sêmen não pode ser um irmão, familiar ou conhecido da paciente, já que os doadores não podem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa.
Os casais formados por homens, terão que procurar uma mulher na família para levar adiante a gestação, no chamado útero de substituição. O óvulo de uma doadora é inseminado com o sêmen de um dos parceiros e transferido para o corpo de uma pessoa da família. Neste caso, o CFM determina que o grau de parentesco deva ser no máximo quatro, ou seja, pode recorrer a uma irmã, avó, mãe, tia ou prima. Caso o casal não tenha nenhuma parente mulher, pode pedir recurso ao Conselho Regional de Medicina e tentar a gestação de uma amiga ou conhecida.
O CFM determina a idade máxima de 50 anos para que as mulheres possam se submeter aos tratamentos de reprodução assistida. Também foi estabelecida em 50 anos a idade para doar esperma e 35 anos doar óvulos.  Isso foi definido a partir de critérios científicos, observados de que uma gravidez tardia e as células reprodutivas de pessoas mais velhas podem trazer maiores riscos à segurança da gestante e da criança.