sexta-feira, 29 de março de 2013

Tabagismo: Fator de risco para gravidez ectópica

Há tempos que diversas pesquisas médicas demonstram um aumento do risco de gravidez tubárea (nas trompas de Falópio) em mulheres que fumam. Existem relatos de um risco até quatro vezes maior de gravidez ectópica tubárea em mulheres tabagistas, mais ainda, quanto mais cigarros fumados por dia, maior seria o risco.

Os mecanismos envolvidos ainda são pouco compreendidos.

Estudos médicos apotam alterações, como: diminuição do número de cílios presentes nas trompas (pequenos pêlos que impulsionam o óvulo em direção ao útero) e alteração na função de movimentação dos cílios, provocada pelas substâncias químicas presentes no cigarro.

A alteração parece ser mais qualitativa (movimentação dos cílios) que quantitativa (número de cílios). A deficiência do transporte do óvulo pela trompa e uma alteração na frequência dos batimentos ciliares são apontados como as principais alterações responsáveis pelo aumento das taxas de gravidez tubárea nas mulheres fumantes. Além disso, movimentos de contração da musculatura tubárea também podem estar envolvidos na gênese deste problema.

As funções ciliares e, portanto, das trompas são coordenados pelos hormônios femininos (estradiol e progesterona). 
Existem evidências que componentes do cigarro, como: cádmio e benzopireno estariam envolvidos numa desregulação hormonal e consequentemente seriam responsáveis por alterar a função normal das trompas.

Considerando as trompas como parte fundamental do processo de gravidez, o tabagismo, alterando o bom funcionamento das mesmas, apresenta, portanto, mais um fator causador de infertilidade, dentre outras alterações que causa, como: piora na qualidade de óvulos e espermatozóides, visto que uma gestação nas trompas é sempre inviável.

Apesar das evidências, existem estudos, como o realizado em conjunto pela Escolas de Medicina da Pensilvânia e de Miami e pela Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos e publicado em janeiro de 2013, que não demonstram uma clara relação entre as alterações acima descritas e o aumento das taxas de gravidez tubárea em mulheres fumantes. 

Assim, outros fatores ainda não descobertos e compreeendidos seriam os responsáveis pela maior chance de gravidez ectópica tubárea em tabagistas.

Entretanto, apesar das causas não estarem, ainda, totalmente estabelecidas, o tabagismo revela mais um de seus efeitos indesejados e prejudiciais à saúde humana. 

Combater o fumo, é preciso!

terça-feira, 26 de março de 2013

Vitamina D e sua importância nos anos de vida fértil

A vitamina D é fundamental para a absorção de cálcio pelo organismo e para a formação óssea, é portanto importantíssima para nossos ossos.


Evidências científicas demonstram que a deficiência de vitamina D pode provocar efeitos negativos na gravidez e no feto. A falta da vitamina D parece estar relacionada a uma maior incidência de pré-eclâmpsia (pressão alta), diabetes gestacional, baixo peso fetal, restrição de crescimento fetal intrauterino e restrição de crescimento ósseo fetal.

Como a formação da vitamina D depende da exposição da pele ao sol, a deficiência da vitamina D ocorre com um frequência muito maior nos países de clima temperado. 

Existem estudos, como o realizado no Hospital Universitário St. Vincent's em Dublin, na Irlanda e publicado pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) em janeiro de 2013,  que comprovam que em países localizados acima da latitude 42, nos meses de inverno (de novembro a março), onde o número de horas de luz solar é bem reduzido, a produção de vitamina D pelo corpo praticamente pára.

Nesses países, há uma alta incidência de hipovitaminose D no período pré-gravídico (mulheres em idade fértil) e na gravidez. Algo bem mais incomum que em países tropicais, como o Brasil.

Não há um consenso na literatura mundial sobre a reposição de vitamina D antes e durante a gravidez, apesar das fortes evidências dos efeitos maléficos e negativos da sua falta, nos estudos científicos. 

Felizmente, por vivermos em um país tropical, somos pouco afetados pela falta desta vitamina, mas é sempre importante ficarmos atentos, me parece que em alguns anos estaremos usando a dosagem de vitamina D como um exame de rotina para a mulher em idade fértil, mesmo em países com grande incidência de luz solar, como o Brasil.

domingo, 24 de março de 2013

Envelhecimento do homem e seus efeitos negativos na fertilidade


A idade do homem interfere na fertilidade do casal? Quanto mais velho for o homem, maiores os riscos de doenças na prole? 

Historicamente, respostas positivas à essas perguntas estavam relacionadas única e exclusivamente às mulheres. 
Há muito se sabe dos efeitos negativos do avanço da idade da mulher sobre a fertilidade e sobre sua descendência. As evidências científicas atuais mostram que não só a idade feminina, mas também a idade masculina influencia negativamente a nossa capacidade de gerar vidas.

Em uma recente pesquisa realizada em Boston, Estados Unidos, pela Escola de Medicina de Harvard e publicada em janeiro de 2013, na Fertility and Sterility (publicação mensal da ASRM - Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva) avaliou os efeitos negativos da idade do homem na fertilidade humana, os resultados expostos aqui demonstram os diversos efeitos negativos do envelhecimento masculino na propagação da nossa espécie.

A idade paterna avançada, sobretudo após os 50 anos, está ligada a um risco muito maior de diversas doenças nos filhos, como: acondroplasia (um dos tipos de nanismo), malformações cranianas (síndrome de Pfeiffer e Apert), autismo e esquizofrenia. 
Para se ter uma idéia, foi encontrado um risco até três vezes maior de esquizofrenia nos filhos de pais com mais de 50 anos.
Essas alterações estariam relacionadas às alterações cromossômicas (alterações genéticas). 
Existem também evidências de aumento do risco de síndrome de Down, apesar de serem evidências mais fracas.

A pesquisa também demonstrou uma diminuição da fertilidade relacionada ao avanço da idade masculina, ou seja, quanto mais velho for o homem menor sua chance de gravidez natural, sobretudo após os 40 anos.
Foi evidenciado também um aumento na taxa de abortamento nas mulheres casadas com homens mais velhos.

Nem os tratamentos de reprodução assistida parecem diminuir os efeitos negativos do envelhecimento masculino, numerosos estudos analisados nesta pesquisa evidenciaram uma menor taxa de gravidez em tratamentos como inseminação intrauterina (IUI) e fertilização in vitro (FIV), prinicipalmente em homens com mais de 40 anos.
Apesar destas evidências, existem estudos que não encontraram esses efeitos negativos nos tratamentos de reprodução assisitida. Mais estudos voltados para esta área se tornam necessários.

Estas possíveis alterações, ligadas à idade masculina, parecem ocorrer por mudanças no sêmen relacionadas ao envelhecimento.
O volume de sêmen diminui, há uma redução no número de células testiculares, pequenos infartos nos vasos do testículo ocorrem com o avançar da idade e o mais importante, danos no DNA do espermatozóide parecem ocorrer com o envelhecimento, todos esses fatores diminuem a qualidade e quantidade dos espermatozóides.

Com o material genético de sua célula reprodutora danificado, o homem teria menor capacidade de gerar uma vida, tanto naturalmente, quanto em tratamentos como IUI e FIV.
Há fortes evidências demonstrando uma forte relação entre estresse oxidativo e o dano no DNA do espermatozóide, o excesso de espécies reativas do oxigênio (radicais livres) estaria ligado ao envelhecimento e diminuição da fertilidade.

Apesar das evidências demonstradas nesta pesquisa, não há ainda uma unanimidade quanto ao papel do envelhecimento masculino na fertilidade humana, mas isto parece ser apenas uma questão de tempo.

sábado, 9 de março de 2013

Falência Ovariana Prematura - FOP


Fala-se em menopausa precoce, ou prematura, ou falência ovariana prematura ou precoce (FOP) quando a mulher entra na menopausa antes dos 40 anos. Ocorre, portanto, a interrupção definitiva da atividade ovariana antes dos 40 anos.

O principal sintoma é a amenorréia (ausência de menstruação) de instalação abrupta ou precedida por períodos de oligomenorréia (fluxos menstruais irregulares e pouco frequentes).
Outros sintomas do hipoestrogenismo (falta do principal hormônio feminino, o que caracteriza a menopausa), são : ondas de calor, irritabilidade, depressão, ansiedade, dor de cabeça, palpitações, vertigens e ressecamento vaginal, estes sintomas ocorrem em 50% dos casos. 

Há várias causas de FOP, como : as doenças autoimunes (quando o corpo produz anticorpos contra ele mesmo), infecçÕes virais e causas cirúrgicas, como a retirada dos ovários por alguma doença maligna. 
Das doenças autoimunes, podemos citar : anemia falciforme, diabetes insulino-dependente, tireoidites (doenças da tireóide que provocam hiper ou hipotireoidismo) e lupus eritematoso sistêmico.
Dentre as infecções virais, a caxumba, a varicela (catapora) e a rubéola também podem, raramente, causar FOP.
Entretanto, apesar das inúmeras causas de FOP, uma boa parte dos diagnósticos não consegue ser estabelecido, assim, em um bom número de casos a medicina não consegue identificar o fator causador do problema, é a chamada causa idiopática.

O grande problema da FOP está relacionado a falta de produção dos hormônios femininos (estradiol e progesterona) pelos ovários, antes do tempo, não havendo mais, portanto, a produção de óvulos.
Assim, a FOP causa infertilidade. Uma infertilidade sem volta. A mulher com FOP terá como única alternativa partir para uma doação de óvulos.
Sem a produção hormonal, a mulher terá, ainda,  uma maior perda de massa óssea, o que implica em um risco muito elevado para o desenvolvimento da osteopenia e da osteoporose. 

Outra causa comum de FOP está relacionada à quimioterapia e à radioterapia, ambas podem destruir toda a reserva de óvulos,  nesses casos o congelamento de óvulos ou tecido ovariano antes da quimioterapia ou radioterapia, quando possível, pode salvar a fertilidade da mulher. 

Em resumo, é preciso haver um maior cuidado na preservação da fertilidade feminina, sobretudo em casos de tratamentos cirúrgicos ovarianos e nos casos de doenças malignas que necessitem de tratamentos agressivos, como: quimioterapia e radioterapia. 
Devemos sempre ficar atentos a doenças ou estados que possam causar danos ovarianos, pois infelizmente, esses danos são irreversíveis. 
Uma luz no fim do túnel está relacionado ao uso de células tronco, mas, ainda, há um longo caminho a se percorrer para que possamos tornar este uso uma realidade palpável.

PS: Não podemos esquecer das formas transitórias de FOP, onde após um quadro de falência, os ovários voltam a funcionar. Esse quadro é incomum e não sabemos como e porque acontece, mas é uma variante que pode se manifestar. (detalhe muito bem lembrado pela Dra. Flávia Aguiar de Ribeirão Preto).