sábado, 27 de abril de 2013

Anticoncepcional engorda?

Um pergunta e dúvida muito frequente nos consultórios ginecológicos e abordada aqui, pelo Dr. Bruno Ramalho, com uma visão crítica das últimas publicações científicas mundiais. Tema controverso e que faz parte do dia-a-dia do médico ginecologista e da mulher moderna.
Bruno Ramalho, MD - Saúde Feminina: Anticoncepcional engorda?

domingo, 21 de abril de 2013

Ômega 3 x Endometriose


O conhecido ômega 3, um conjunto de ácidos graxos poliinsaturados e essenciais (que não são produzidos pelo corpo), são as "gorduras boas" fundamentais para todas as células do organismo e exercem um papel fundamental, incluindo a produção de energia, o aumento do metabolismo e do crescimento muscular, o transporte de oxigênio, o crescimento normal das células, o bom funcionamento das funções nervosas e de regulação hormonal, além de ser um potente antioxidante.

Esse conjunto de ácidos é formado pelo ácido alfa-linolênico, que é transformado em nosso corpo em seus metabólitos ativos e realmente importantes para nós, o EPA (ácido eicosapentaenóico) e o DHA (ácido docosahexaenóico).

Nos últimos anos, vários estudos têm comprovado que uma boa ingestão de ômega 3 previne doenças cardiovasculares, devido entre outros fatores ao seu forte poder antiinflamatório. 
Essa propriedade antiinflamatória é considerada o seu principal benefício, contribuindo para a prevenção de todas as doenças que estejam relacionadas a processos inflamatórios no corpo, como artrite e artrose, por exemplo.

Estudos sugerem, também, que o corpo com baixas concentrações de ômega 3 tem uma aceleração do processo de envelhecimento o que aumenta a probabilidade de desenvolvimento de várias doenças degenerativas e cardiovasculares.

Os alimentos mais ricos em ômega 3 são os peixes de águas profundas, como salmão, arenque, atum e sardinha. Outras boas fontes são : chia, linhaça, espinafre, rúcula, castanha do Pará e nozes.

Em um estudo realizado na Universidade de Vanderbilt, no Tennessee, nos Estados Unidos e publicado pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), em fevereiro deste ano, foi evidenciado mais um efeito positivo do ômega 3.

O estudo foi realizado em cobaias (ratos) e demonstrou que uma dieta com uma maior quantidade de ômega 3 (seja pela ingestão de alimentos ricos em ômega 3 ou pela suplementação dietética) diminuiu a formação de aderências pélvicas após procedimentos cirúrgicos para a retirada de lesões de endometriose. 

Aderências são cicatrizes que podem acontecer em qualquer tipo de cirurgia e que estão intimamente associadas à dor crônica, no caso da endometriose, dor pélvica crônica, um dos principais e devastadores sintomas da mesma. 

A infertilidade também está diretamente ligada à endometriose, tanto pela presença da patologia em si, como pelas aderências pós-cirúrgicas que podem distorcer completamente a anatomia pélvica, dificultando mais ainda as chances de gravidez.

Assim, os efeitos antiinflamatórios do ômega 3 parecem inibir a formação de aderências ligadas à endometriose.

Apesar de ser um estudo experimental, em cobaias, podemos estar diante de mais um efeito benéfico dos ácidos graxos essenciais.

Esperemos estudos futuros, mas, mais uma vez, vemos que uma dieta balanceada e rica em ômega 3 só nos trás benefícios. 

domingo, 14 de abril de 2013

Primeira Gravidez após Transplante Uterino - Marco Histórico

Em fevereiro deste ano, o grupo de pesquisadores responsável por este transplante e agora por esta gravidez, havia publicado os resultados preliminares desta façanha, no jornal (Fertility and Sterility) da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) e agora o mundo é contemplado com essa maravilhosa notícia.
A primeira tentativa de transplante uterino foi realizada em 2000, entretanto após 99 dias, o útero transplantado teve que ser removido por problemas de rejeição.

Com o avanço das técnicas de transplante e dos tratamentos de fertilidade, o transplante uterino surge como uma excelente opção para preservação da fertilidade em pacientes com problemas uterinos, como: ausência congênita de útero (nascimento sem útero), sinéquias uterinas (patologia já exposta aqui neste blog), miomatose uterina, adenomiose (também já exposto neste blog), cânceres uterinos (endométrio, colo de útero) e outras alterações que possam levar à perda cirúrgica uterina.

Este transplante, que resultou nesta primeira gravidez, foi realizado no Hospital Universitário de Akdeniz, na Turquia, em agosto de 2011, em uma mulher de 21 anos (vide foto acima), com ausência congênita de útero, uma doença chamada de Síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser. Nesta patologia, não há também a parte superior da vagina, que nesta paciente havia sido reconstruída dois anos antes utilizando partes de intestino delgado. Nesta patologia os ovários existem e são normais.

A doadora foi uma jovem de 22 que teve morte cerebral após um acidente automobilístico.
O tempo total do transplante, desde a retirada do útero da doadora, foi de oito horas, um tempo não considerado excessivo.

Após 20 dias, ocorreu a primeira menstruação. Os pesquisadores julgaram prudente esperar um ano, para se tentar a gravidez, pois a chance de rejeição após esse período seria menor, além da necessidade de usar menos drogas imunossupressoras (medicações que interferem no sistema imunológico para diminuir o risco de rejeição) que poderiam ter efeitos negativos na gravidez e no feto.

Sabe-se que esta é uma gravidez de risco e problemas poderão acontecer com maior frequencia que em uma gravidez comum. Existem mais riscos de abortamento, trabalho de parto antes do tempo, pré-eclâmpsia (pressão alta na gravidez), restrição de crescimento intrauterino e baixo peso ao nascer, entretanto apesar do uso das drogas imunossupressoras, não parece haver maior risco de malformações (logicamente as drogas precisam ser corretamente escolhidas para seu uso na gravidez e as doses devem ser mínimas). O risco de rejeição existe, mesmo na gravidez.

A paciente foi submetida a duas fertilizações in vitro, antes do transplante, a fim de se evitar que os embriões sofressem efeitos negativos do uso das medicações imunossupressoras. Assim, foram congelados oito embriões para posterior transferência embrionária, essa gravidez ocorreu após a transferência de um desses embriões, após o seu descongelamento.

Os riscos de falha eram altos, a possibilidade de rejeição ainda existe, o desafio de se atingir a gravidez foi parcialmente vencido, esperemos e torçamos para que essa gravidez evolua até o seu fim sem grandes problemas. 

Foi dado um grande passo, mas o maior ainda está por vir!!!

PS: o link abaixo é da notícia dada em primeira mão pela BBC de Londres.