quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A importância da nutrição para a fertilidade.


Essa é uma pergunta que sempre surge nos consultórios médicos e de nutricionistas, sendo feita por casais que estão lutando contra a infertilidade e outras vezes por mulheres saudáveis que esperam engravidar. Mudanças hormonais, novas enfermidades, incremento precoce de doenças tardias, nos leva a refletir sobre o que está acontecendo para que o nosso corpo esteja necessitando de um equilíbrio biológico, físico, psíquico, alimentar e até mesmo um equilíbrio da nossa energia vital.

Pesquisas inovadoras indicam que vários componentes da dieta, da gordura à bebida, podem ajudar as mulheres a evitar as causas mais comuns da infertilidade, como os problemas de ovulação, a liberação criteriosamente cronometrada do óvulo do ovário. Essas pesquisas colaboram para que possamos realizar um plano alimentar para fertilidade, auxiliando homens e mulheres a potencializar as chances de engravidar.

A alimentação tem um papel importante na fertilidade do homem e da mulher, visto que as funções vitais dependem de elementos químicos específicos que devem circular no organismo. A ausência de determinadas substâncias pode reverter num baixo rendimento no funcionamento dos órgãos necessitados. Outras substâncias em excesso, como a cafeína, além das provenientes de alimentos ricos em gorduras saturadas como: hambúrguer, pastel, salgadinhos, também prejudicam o bom funcionamento do organismo de um modo geral.

Uma das causas da infertilidade é o “estresse oxidativo” causado por vários fatores, entre eles o aumento de radicais livres, a poluição, a alimentação e o próprio estresse diário das pessoas. Alguns trabalhos científicos demonstraram uma possível interferência desses fatores no desenvolvimento da endometriose. Estes fatores em conjunto podem piorar a evolução da doença e por isto, uma dieta balanceada e um estilo de vida adequado ajudam a prevenir o surgimento ou o agravamento da endometriose.

Um hábito intestinal normal e regular é imprescindível para a melhoria da imunidade. A paciente que não evacua regularmente tem retenção de material fecal e aumento de toxinas e muitas delas deprimem o sistema imunológico. A hidratação também é um fator importante a ser considerado para a liberação de toxinas e equilíbrio homeostático. Assim uma dieta rica em fibras e com bastante líquido ajudara a prevenir a endometriose.

O PESO E A FERTILIDADE

Estudos demonstraram que o esperma dos homens obesos é mais pobre em espermatozóides. Foi evidenciado que quanto maior o sobrepeso, menor a qualidade do esperma, particularmente no que concerne à concentração e ao número total de espermatozóides. Além da concentração de espermatozóides serem 10% menor nos pacientes com sobrepeso e chegar a 20% menos nos obesos, a mobilidade dos espermatozóides destes cai 10%. O excesso de peso altera as taxas de dois hormônios importantes, reduz o nível de testosterona e aumenta o de estradiol, o que compromete a produção de esperma. Além de a obesidade prejudicar o ciclo hormonal masculino, estudos apontam que aqueles com sobrepeso têm maior índice de fragmentação do DNA do espermatozóide, o que pode gerar falha na fertilização.

Sabe- se também que a mulher obesa ou muito magra pode ter problemas de ovulação. O peso acima do ideal interfere também no ciclo hormonal da mulher e é um fator prejudicial à fertilidade. Se uma mulher tem gordura corporal em excesso, seu corpo também produz uma maior quantidade de estrógeno e começa a reagir como se estivesse controlando a reprodução, limitando as chances de gravidez. Muitas mulheres enfrentam dificuldades para engravidar relacionadas aos problemas desencadeados pela obesidade, como o diabetes e a Síndrome dos Ovários Policísticos, que é outro exemplo de disfunção hormonal.

A mulher que apresenta ovários policísticos produz uma quantidade maior de hormônios masculinos, os andrógenos. O principal problema que este desequilíbrio hormonal provoca está relacionado com a ovulação. A testosterona produzida pela mulher interfere nesse mecanismo e, ao mesmo tempo, aumenta a possibilidade da incidência de cistos, porque eles resultam de um defeito na ação dos hormônios do ovário, impedindo a ovulação. O peso em excesso deve ser evitado, pois a obesidade além de ajudar a piorar as dores pélvicas, faz com que o acúmulo de gordura aumente a produção de hormônios femininos (estrogênio), que agravam a endometriose.

O estudo realizado pela Society for Assisted Reproductive Technology, buscou avaliar o efeito do aumento da obesidade feminina na resposta e nos resultados dos tratamentos envolvendo as técnicas de reprodução humana assistida. Para tanto, os pesquisadores analisaram dados de 158.385 ciclos de reprodução humana assistida, realizados entre 2007-08.

Em comparação com as mulheres com peso normal, as mulheres com sobrepeso e obesas apresentaram mais chances de cancelamento e anulação do ciclo – apesar de doses mais elevadas de hormônios estimulantes – devido à baixa resposta de seu organismo ao tratamento. Os resultados do estudo indicam probabilidades significativamente maiores de cancelamento do ciclo e falhas no tratamento e na gravidez com o aumento da obesidade. Estes efeitos são maiores entre as mulheres obesas, mas também são significativamente mais elevados, mesmo entre as que apresentam sobrepeso.

Mulheres magras demais também podem apresentar dificuldades para engravidar. Na medida em que emagrecem, diminui a quantidade de gordura em seu organismo. Um índice de gordura corporal menor do que 17 inibirá a produção de estrógeno e de outros hormônios, o que impede a formação e a liberação de óvulos. O peso muito baixo geralmente também está associado a outros problemas que podem afetar a fertilidade, como o hipertireoidismo. Além disso, o endométrio, membrana que reveste o útero, fica menos propenso à gravidez.

Recomendamos aos casais que desejam ter filhos que tomem cuidado com o peso. Lembrando, sempre, que a obesidade é um fator de infertilidade modificável: ao emagrecer, os parâmetros perdidos são recuperados. A recomendação geral para uma paciente obesa que deseja engravidar é a de que ela precisa primeiro tentar emagrecer, isso ajudara tanto na fertilidade quanto na preparação para uma gestação saudável com menores riscos de obesidade gestacional, diabetes gestacional, hipertensão e outros fatores relacionados à má alimentação. Já sabemos que o peso corporal saudável é uma vantagem importante em todos os aspectos da saúde, incluindo a saúde reprodutiva. O IMC pode afetar os resultados de uma FIV, pois interfere na qualidade do óvulo formado. Com o ajuste do peso e a promoção dos hábitos alimentares saudáveis aos casais, poderemos proporcionar um tratamento melhor aos nossos pacientes, cuja luta contra a infertilidade inclui também, hoje, em muitos casos, uma luta contra o sobrepeso e a obesidade.


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