segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Orientação nutricional pode aumentar em até 2 vezes a chance de gravidez


Manter uma alimentação adequada é importante em qualquer momento das nossas vidas, principalmente, no período da gestação e quando os casais decidem ter um filho.

Uma pesquisa publicada, este ano, no Jornal Brasileiro de Reprodução Assistida (JBRA) revelou que pacientes que estão em tratamento de reprodução assistida e recebem orientação nutricional apresentam duas vezes mais chances de engravidar, em comparação às mulheres que não fazem o acompanhamento.

O estudo teve como objetivo avaliar a influência da alimentação nas chances de sucesso no procedimento de reprodução assistida. Participaram da pesquisa 60 casais, dos quais 28 não tiveram orientação nutricional e 32 passaram por consultas com nutricionistas.

As pacientes que tiveram orientação apresentaram duas vezes mais chances de engravidar do que o grupo que não passou pelas consultas.  A maneira como as mulheres se alimentam pode influenciar diretamente nas funções ovulatórias.  Uma má alimentação é capaz de desequilibrar a fisiologia da mulher e do homem também. Pacientes obesos, por exemplo, costumam apresentar uma menor produção de espermatozóides.



sábado, 21 de setembro de 2013

Vitamina D - Tratamento futuro para miomas?


Os miomas uterinos são os tumores benignos mais comuns da mulher em idade reprodutiva, são tumores da camada muscular do útero, podendo causar desde dores pélvicas a sangramentos menstruais intensos, além de, também, poder causar infertilidade.

Em uma boa parte dos casos, o tratamento dos miomas é realizado cirurgicamente, seja pela retirada dos miomas (miomectomia) ou pela retirada do útero (histerectomia).

Por apresentar altos índices de cirurgia, o tratamento destes tumores está sujeito a um maior índice de complicações. A medicina vem ao longo dos anos tentando buscar tratamentos menos agressivos, tratamentos clínicos, onde o uso de medicações possa impedir o crescimento e os problemas causados pelos miomas. Já existem, atualmente, diversas medicações que são utilizadas com relativo sucesso neste tipo de tratamento.

Mais recentemente vem sendo estudado o papel da vitamina D no crescimento dos miomas, estudos em animais têm demonstrado uma redução do tamanho dos miomas quando células miomatosas são colocadas em contato com altas doses de vitamina D.

Em um estudo realizado pela Universidade de Zagreb e pela Universidade de Split, na Croácia e publicado este mês na Human Reproduction (publicação mensal da ESHRE - Sociedade Européia de Medicina Reprodutiva e Embriologia), evidenciou-se os efeitos benéficos da vitamina D frente ao crescimento de células miomatosas humanas.
No estudo, a presença de vitamina D foi capaz de evitar e de diminuir a proliferação de miomas e de suas células. O uso da vitamina D para tratar miomas é, ainda, experimental, mas a evidência de um possível tratamento, extremamente simples de ser realizado, é real. 

Os mecanismos pelos quais a vitamina D influencia o desenvolvimento dos miomas ainda não são totalmente conhecidos, mas parece que ela regularia o excesso de certas proteínas presentes nas células tumorais, proteínas que estariam em níveis elevados quando comparadas com células uterinas sem miomas. Essas proteínas são conhecidas com metaloproteinases e são enzimas que degradam o material extracelular, nos miomas elas estariam em níveis elevados e causariam o crescimento tumoral.

Esse estudo demonstra mais um possível efeito benéfico da vitamina D, uma substância que é responsável entre outras coisas pela absorção de cálcio pelo corpo, sendo fundamental para a formação dos ossos. A deficiência de vitamina D traz, também, complicações na gestação, como: pressão alta, diabetes gestacional, restrição de crescimento fetal intrauterino, restrição de crescimento ósseo fetal e baixo peso fetal (esse assunto foi abordado neste blog em março de 2013). Estudos, também, têm demonstrado que um baixo nível desta vitamina na gravidez está associado a filhos com baixa massa óssea e consequentemente com maior risco para osteoporose na vida adulta.
O alerta existe, pois uma boa parte da população mundial apresenta baixos níveis de vitamina D. 
Uma recente pesquisa brasileira mostrou que cerca de 60% das mulheres da região sul e sudeste tem hipovitaminose D e que 30% das nordestinas também tem deficiência desta vitamina, mesmo estando expostas a alta incidência do sol (a vitamina D é metabolizada na pele pela ação dos raios solares).

Por todos esses fatores, a pesquisa dos níveis sanguíneos de vitamina D e a reposição adequada da mesma é de suma importância para mulheres em idade fértil.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O fator endometrial na implantação embrionária


Desde 1978, quando nasceu o primeiro bebê de proveta do mundo, muito tem sido investido no desenvolvimento das técnicas de reprodução assistida, sempre visando a melhoria dos resultados. Entretanto, apesar dos constantes avanços, as taxas de implantação embrionária no endométrio (útero) ainda estão longe de ser as ideais.

A implantação do embrião representa o passo mais crítico do processo reprodutivo, trata-se de uma sequência bem orquestrada de eventos amplamente coordenados que leva ao estabelecimento da gravidez.

Para que a implantação seja bem sucedida o embrião deve chegar na hora certa ao endométrio e este precisa estar totalmente receptivo. 
O endométrio sofre mudanças durante todo o ciclo menstrual e apresenta somente um curto período de plena receptividade, conhecido como "janela de implantação".

O fracasso da implantação continua a ser um problema sem solução na medicina reprodutiva, tanto é que cerca de 30% dos embriões não atingem uma implantação completa. Nessas falhas de implantação, a receptividade uterina é responsável por aproximadamente dois terços dos casos, enquanto que o embrião em si é responsável por apenas um terço destas falhas.

Os hormônios ovarianos, estrógeno e progesterona, são os moduladores dominantes do desenvolvimento endometrial, portanto o perfeito equilíbrio e a coordenação entre esses dois hormônios é fundamental para se atingir a maturidade endometrial e portanto a adequada receptividade do mesmo.

Hoje, diversos estudos têm demonstrado que os níveis elevados dos hormônios ovarianos (sobretudo a progesterona), durante os ciclos de reprodução assistida (inseminação intrauterina e sobretudo fertilização in vitro), atingidos devido ao uso das medicações hormonais indutoras da ovulação, são responsáveis pela diminuição da receptividade endometrial e portanto das taxas de implantação embrionária e de gravidez. 
O excesso hormonal parece levar a uma aceleração do desenvolvimento endometrial o que provocaria uma assincronia entre embrião e endométrio, em outras palavras, o embrião perderia o momento certo de implantação: a janela de implantação.

Assim, a opção de criopreservamento embrionário durante uma fertilização in vitro poderia evitar a transferência de embriões para um endométrio com baixa capacidade de recepção.  A fertilização in vitro seria portanto dividida em duas etapas: a de coleta dos óvulos e a de transferência embrionária num segundo tempo, cerca de dois meses após a fase inicial, onde o endométrio não se encontraria sobre a forte influência hormonal.

Portanto, muito embora, a qualidade embrionária seja determinante, o endométrio, por meio de um temporário e coordenado mecanismo de receptividade de suas células com o embrião, tem uma participação inquestionável para o sucesso da gravidez.

A receptividade endometrial parece ser o maior fator limitante no estabelecimento da gestação. 

domingo, 8 de setembro de 2013

XVIII Congresso Paulista de Obstetrícia e Ginecologia


Finalizado ontem, o XVIII Congresso Paulista de Obstetrícia e Ginecologia (SOGESP), realizado de 05 a 07 de Setembro, em São Paulo, capital.

Este congresso, que reúne, anualmente, os melhores professores das maiores Universidades Brasileiras, entre elas: USP (Universidade de São Paulo), UNICAMP (Universidade de Campinas) e UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina), é na minha opinião o melhor e maior congresso nacional em Ginecologia e Obstetrícia.

Este ano, mais uma vez, tive a oportunidade de me fazer presente, juntamente com a Dra. Lilian Serio, especialista em Ginecologia e Obstetrícia e Reprodução Humana pela USP. 

Além das palestras de excelente qualidade assistidas, pudemos reencontrar diversos colegas e professores da nossa época de Residência Médica na Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Antes do tratamento oncológico é importante preservar a fertilidade


Com os avanços da medicina mulheres e homens com diagnóstico precoce de câncer, em idade fértil, têm conseguido preservar sua fertilidade com tratamento rápido e seguro, mesmo antes da quimioterapia e/ou radioterapia.


O tratamento oncológico é um dos fatores que podem levar a infertilidade, dependendo da intensidade e frequência do tratamento, os sistemas reprodutivos de homens e mulheres podem ficar totalmente comprometidos.

Atualmente os tratamentos de preservação da fertilidade contam com técnicas avançadas, e dão aos pacientes o tempo hábil para iniciar os procedimentos quimioterápicos e radioterápicos.

Pesquisas recentes da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, revela que 70% dos oncologistas discutem perdas reprodutivas com seus pacientes, mas apenas 25% encaminham  pacientes para um especialista de fertilidade.

No Brasil, a preservação da fertilidade do paciente com câncer está aumentando, mas a conscientização entre os próprios médicos ainda é pequena. É preciso que os oncologistas deixem claro para as pacientes que a preservação da fertilidade também faz parte do tratamento do câncer.