sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O fator endometrial na implantação embrionária


Desde 1978, quando nasceu o primeiro bebê de proveta do mundo, muito tem sido investido no desenvolvimento das técnicas de reprodução assistida, sempre visando a melhoria dos resultados. Entretanto, apesar dos constantes avanços, as taxas de implantação embrionária no endométrio (útero) ainda estão longe de ser as ideais.

A implantação do embrião representa o passo mais crítico do processo reprodutivo, trata-se de uma sequência bem orquestrada de eventos amplamente coordenados que leva ao estabelecimento da gravidez.

Para que a implantação seja bem sucedida o embrião deve chegar na hora certa ao endométrio e este precisa estar totalmente receptivo. 
O endométrio sofre mudanças durante todo o ciclo menstrual e apresenta somente um curto período de plena receptividade, conhecido como "janela de implantação".

O fracasso da implantação continua a ser um problema sem solução na medicina reprodutiva, tanto é que cerca de 30% dos embriões não atingem uma implantação completa. Nessas falhas de implantação, a receptividade uterina é responsável por aproximadamente dois terços dos casos, enquanto que o embrião em si é responsável por apenas um terço destas falhas.

Os hormônios ovarianos, estrógeno e progesterona, são os moduladores dominantes do desenvolvimento endometrial, portanto o perfeito equilíbrio e a coordenação entre esses dois hormônios é fundamental para se atingir a maturidade endometrial e portanto a adequada receptividade do mesmo.

Hoje, diversos estudos têm demonstrado que os níveis elevados dos hormônios ovarianos (sobretudo a progesterona), durante os ciclos de reprodução assistida (inseminação intrauterina e sobretudo fertilização in vitro), atingidos devido ao uso das medicações hormonais indutoras da ovulação, são responsáveis pela diminuição da receptividade endometrial e portanto das taxas de implantação embrionária e de gravidez. 
O excesso hormonal parece levar a uma aceleração do desenvolvimento endometrial o que provocaria uma assincronia entre embrião e endométrio, em outras palavras, o embrião perderia o momento certo de implantação: a janela de implantação.

Assim, a opção de criopreservamento embrionário durante uma fertilização in vitro poderia evitar a transferência de embriões para um endométrio com baixa capacidade de recepção.  A fertilização in vitro seria portanto dividida em duas etapas: a de coleta dos óvulos e a de transferência embrionária num segundo tempo, cerca de dois meses após a fase inicial, onde o endométrio não se encontraria sobre a forte influência hormonal.

Portanto, muito embora, a qualidade embrionária seja determinante, o endométrio, por meio de um temporário e coordenado mecanismo de receptividade de suas células com o embrião, tem uma participação inquestionável para o sucesso da gravidez.

A receptividade endometrial parece ser o maior fator limitante no estabelecimento da gestação. 

2 comentários:

  1. Doutor, parabéns por este blog! Em poucos lugares da rede consegui informações tão objetivas e de qualidade. Quantas vezes nem na sala da GO conseguimos ter a informação necessária? Por falta de abertura, de tempo, ou de interesse :(

    Gostaria de aproveitar a oportunidade para tirar uma dúvida:
    Tenho 32 anos e fui na GO fazer uma check-up pq queria engravidar. A mais de 6 meses meu ciclo (que era de 35 dias) ficou desregulado e longo (entre 39 e 49 dias), acredito que devido a um tratamento que fiz com antidepressivos.
    Assim que parei o tratamento parei também o AC e fiquei assim. Fora isso tenho escapes em torno do período fértil (sei disso pq meço TB).
    Meus exames deram todos dentro das faixas previsas (hemograma, prolactina, LH) e na USG apareceu corpo lúteo.
    A médica de cara me passou Utrogestan do 15º ao 28º dia, por 3 meses, se não engravidar, voltar ao consultório.
    Será que tenho progesterona baixa?
    O UT não atrapalha a ovulação se tomado antes dela?
    Isso pode complicar minhas chances de engravidar?

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    1. Olá Ale.
      Difícil falar em progesterona, pq isso não causaria alterações do fluxo menstrual, vc deveria investigar a presença de ovários policísticos...o utrogestan não a fará ovular....só regularizará o ciclo....faça um us seriado para controlar a ovulação..abraço

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