terça-feira, 15 de outubro de 2013

Congresso Americano de Medicina Reprodutiva

Essa semana está acontecendo o 69° Congresso da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), em Boston, Massachusetts, Estados Unidos.
Após os dois primeiros dias, muito se tem falado da influência dos hábitos de vida na fertilidade humana e sobre o difícil manejo da endometriose. 

Alguns importantes pontos merecem destaque, como:

 1- Mulheres com IMC (Índice de massa corporal) maior que 29 kg/m² estão diretamente ligadas a menores chances de gravidez.

2- Para cada aumento de um ponto no IMC a fertilidade feminina diminui 4%.

3- O sucesso da fertilização in vitro também é menor nas obesas.

4- Mulheres com IMC maior que 30 kg/m² tem 18% mais chance de desenvolver diabetes gestacional.

5- A obesidade feminina está ligada a maiores riscos de doenças para os filhos, como : obesidade, pressão alta e diabetes.

6- Quanto maior o IMC na gravidez, maior o acúmulo de peso após o parto.

7- Homens com obesidade têm piores resultados em fertilização in vitro, muito embora não pareça haver uma piora da qualidade dos espermatozóides.

8- Homens com dieta rica em carnes e pobre em frutas e verduras têm mais alterações no sêmen.

9- Homens que realizam atividade física são mais férteis e teoricamente quanto mais tempo de atividade física maior a qualidade seminal, exceto para quem pedala, pois mais de cinco horas de ciclismo por semana pode piorar a qualidade dos espermatozóides (assunto abordado neste blog em 2011).

10- O estresse psicológico diminui também  a fertilidade masculina, assim como já se sabia a respeito da fertilidade feminina.

11- O tabagismo, o uso de álcool e de drogas ilícitas afeta negativamente a produção de espermatozóides.

12- Cuidado com celulares e computadores, o uso destes aparelhos pode, pela transmissão de ondas eletromagnéticas e pelo calor, provocar alterações nos espermatozóides.

13- O uso indiscriminado de vitaminas e antioxidantes pode não melhorar a qualidade seminal e os efeitos do uso prolongado não são conhecidos. Não existem bons estudos que indiquem essa prática.

14- O ultrassom com preparo intestinal é o melhor método para diagnóstico da endometriose, superando a ressonância da pelve.

15- É preciso ter muito cuidado ao se manejar o tratamento da endometriose ovariana. Os estudos continuam conflitantes e as indicações de cirurgia para cistos de endometriose no ovário devem ser individualizadas, visto que as taxas de gravidez (espontânea e após fertilização in vitro) não parecem melhorar após a ressecção de cistos menores que quatro centímetros. Além disso, parecer haver uma perda importante da reserva ovariana após a cirurgia, o que poderia piorar ainda mais a fertilidade.
Deve ser unanime que a preservação da fertilidade, nesses casos, deve ser posta sempre em primeiro lugar.

Esses foram pontos importantes, refletem uma tendência atual na medicina reprodutiva. Logicamente, como a medicina se baseia em evidências científicas, alguns desses tópicos poderão mudar drasticamente, no entanto é assim que a comunidade científica atual está se posicionando.

Para finalizar, irei citar a frase da Dra. Lisa Moran da Universidade de Adelaide, na Austrália, que nos brindou, hoje, com uma excelente aula sobre os problemas causados pelo excesso de peso na fertilidade humana.

"Como prevenir a obesidade? Coma menos e mova-se mais."

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