sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Fertilidade masculina diminui com o envelhecimento


Vários estudos têm demonstrado efeitos deletérios do envelhecimento na fertilidade masculina, levando a resultados negativos como: aumento da taxa de abortamentos, aumento da taxa de desordens neurológicas e de desenvolvimento nos filhos. 
Esses resultados parecem acontecer pelo acúmulo de toxinas ambientais, pelo uso de álcool e pelo tabagismo. 

Um estudo publicado em Outubro de 2013 por pesquisadores de Los Angeles, na Califórnia, Estados Unidos, na Fertility and Sterility, jornal da ASRM - Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, tentou estabelecer quais as relações existentes entre a idade masculina e diminuição da fertilidade.

Foi observado, uma diminuição do número total e do número de espermatozóides móveis a partir dos 34 anos, com uma taxa de queda de 2% ao ano. Após os 40 anos foi evidenciado uma redução na concentração dos espermatozóides, após os 43 anos uma piora da movimentação e após os 45 anos uma queda do volume seminal e da morfologia (número de formas normais).

A diminuição da morfologia parece estar relacionada a maiores taxas de alterações cromossômicas nos espermatozóides. 

Existe uma relação clara entre o aumento da presença de radicais livres do oxigênio nos testículos com a diminuição da movimentação, da concentração e da morfologia, não coincidentemente após os 40 anos existe o aumento do nível desses radicais livres a nível testicular. 

Além disso, ocorre uma perda da termoregulacão testicular com o envelhecimento, devido ao depósito de gordura nos vasos testiculares, algo semelhante ao que ocorre no coração antes do infarto, por exemplo. Isso provoca um aumento da temperatura nos testículos e causa mais dano aos espermatozóides.

Esses dados, demonstram uma clara ação negativa da idade avançada na qualidade e quantidade dos espermatozóides, provocando não só maiores dificuldades para se atingir uma gravidez espontaneamente (a taxa de nascimentos declina após os 40 anos) mas também maiores problemas gestacionais (como abortamentos) e maiores chances de  aparecimento de problemas nos filhos. 

Além disso, existe uma relação entre pior qualidade embrionária e menores taxas de gravidez em ciclos de Fertilização in Vitro em homens acima dos 40 anos, nestes casos o dano do DNA do espermatozóide seria o responsável pela queda do sucesso nos tratamentos de reprodução assistida. 

Portanto, não só a idade feminina avançada, mas também a maior idade masculina contribuem para diminuir a fertilidade humana.

Adiar demais uma gravidez pode trazer, além de muitos problemas, muita dificuldade em se conseguir engravidar. 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Gravidez Múltipla - Epidemia na Era da Reprodução Assistida


No início dos anos 80, começo da era da reprodução assistida, houve um aumento de mais de cinco vezes do número de gravidezes múltiplas de três ou mais fetos. 
Entre o período de 1998 a 2003 ocorreu o maior aumento já registrado no número de gravidezes trigemelares ou quadrigemelares, alcançando, somente nos Estados Unidos, o número de 7600 nascimentos. 

Nesta época a ASRM - Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva e a SART - Sociedade de Tecnologia em Reprodução Assistida iniciaram uma série de esforços para se reduzir o número de gravidezes múltiplas, por meio da redução do número de embriões transferidos em ciclos de Fertilização in Vitro. 
Assim, de 2003 em diante houve uma queda acentuada das gravidezes múltiplas, até se atingir um platô (equilíbrio) em 2008.

Em 2009, os procedimentos de Reprodução Assistida foram responsáveis por menos de 20% das gravidezes duplas e por menos de 35% das gravidezes triplas, nos Estados Unidos. 

A redução das taxas de gravidezes múltiplas deve ser um dos objetivos principais da medicina reprodutiva. 
Existe, ainda, um grande debate sobre o que apresentaria maiores riscos: uma gravidez de gêmeos ou duas gravidezes simples, mas se sabe que a gravidez gemelar apresenta maior risco para abortamentos, tem seis vezes mais chance de parto pré-termo (prematuro) e dez vezes mais chances do recém-nascido apresentar baixo peso ao nascer e isso é responsável pela principal causa de mortalidade neonatal. 

A comunidade científica tem tentado atingir melhores taxas de sucesso, com maior segurança para as pacientes, buscando, constantemente, reduzir o número de gravidezes múltiplas, por meio de transferências com um único embrião, nos ciclos de Fertilização in Vitro.

O objetivo final dos tratamentos de Reprodução Assistida deve ser sempre a gravidez única. 

Dados desta pesquisa: 
CDC - Centers for Disease Control and Prevention, Estados Unidos. 
Publicado na Fertility and Sterility, revista da ASRM - Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva,  em Outubro de 2013.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Efeitos do Tabagismo na Fertilidade Feminina


Sabe-se que toxinas ambientais, como as produzidas pelo hábito de fumar provocam uma redução da fertilidade humana. 
Baseado nessas evidências, cientistas têm procurado entender melhor a extensão dos danos desses efeitos nocivos.

Uma pesquisa publicada, em outubro deste ano, na Fertility and Sterility, jornal da ASRM - Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, em conjunto por um grupo de pesquisadores da Universidade Paris Descartes, em Paris e da Califórnia, nos Estados Unidos, tenta esclarecer esses pontos. 

Baseado em evidências científicas, esses pesquisadores estabeleceram uma hipótese para tentar entender os efeitos nocivos do tabagismo na fertilidade feminina.
A hipótese afirma que que as toxinas do cigarro afetariam inicialmente os óvulos em crescimento, poupando os óvulos primordiais (a reserva ovular que não estaria em crescimento). Acha-se que após 6 meses da parada do hábito de fumar, a capacidade reprodutiva estaria plenamente restabelecida. O período de 6 meses seria o necessário para que os óvulos primordiais, não afetados pelas toxinas, começassem a se desenvolver.

Fumantes parecem ter piores resultados em técnicas de reprodução assistida (fertilização in vitro e inseminação intrauterina), além de menores chances de concepção natural. Porém, parece que  chance de atingir-se uma gravidez nas mulheres que haviam parado de fumar há mais de 6 meses seriam as mesmas das que nunca fumaram. 

Alguns dados demonstram efeitos negativos, também, nas fumantes passivas, aquelas mulheres que não fumam, mas cujo parceiro fuma. Parece que nesse grupo particular os efeitos negativos do tabagismo tendem a ser os mesmos dos que ocorrem nas fumantes ativas. 

Entretanto, essa teoria não está totalmente consolidada, visto que mulheres tabagistas tendem a entrar na menopausa cerca de 1 a 2 anos antes que as não fumantes. Parece que, em certos casos, os óvulos primordiais parecem, também, ser afetados pelas toxinas. Isso pode ser aplicado aos casos de quimioterapia, por exemplo, onde o efeito dos quimioterápicos tem um grande potencial destrutivo contra as células ovarianas. 

Quanto menor o estresse oxidativo a nível ovariano maior a capacidade reprodutiva. As toxinas geradas pelo tabagismo aumentam a produção de radicais livres no ovário e contribuem para o aumento desse estresse. Bons hábitos de vida, como: boa alimentação, bons estilos de vida (não fumar e não beber, por exemplo) e o uso de antioxidantes são recomendados a todas as mulheres que desejam uma gravidez naturalmente ou por meio de técnicas de reprodução assistida. Isto seria recomendado por pelo menos 3 a 6 meses antes das tentativas de engravidar. 

Conclui-se que o dano causado pelas toxinas do tabaco não parecem ser definitivos na maioria das mulheres, mas isso não minimiza os danos gerais causados pelas mesmas. 
Fumar, portanto, não combina com uma boa fertilidade.

domingo, 24 de novembro de 2013

Endometriose x Qualidade de Vida


A endometriose é uma doença crônica, de difícil tratamento e que necessita de um controle durante toda a vida reprodutiva da mulher e algumas vezes até depois da menopausa.

Uma boa parte das mulheres com endometriose apresentará sintomas mesmo após ter sido submetidas a tratamentos clínicos e/ou cirúrgicos. 
Dados de estudos comprovam que este fato provocará neste grupo uma evidente redução da qualidade de vida.

Foi publicado, no último mês de outubro, um estudo na Human Reproduction (revista mensal da ESHRE - Sociedade Européia de Medicina Reprodutiva e Embriologia) que entrevistou 931 mulheres com endometriose e que haviam sido tratadas em centros especializados em 10 diferentes países. O estudo foi realizado em conjunto pelas Universidades de Maastricht e Leuven , na Holanda e na Bélgica, respectivamente.

Os seguintes resultados foram evidenciados: 51% da mulheres relataram que o seu dia-a-dia de trabalho é afetado pela endometriose, 50% responderam que, durante algum período de suas vidas, tiveram problemas de relacionamento conjugal em função desta patologia, 59% relataram dor menstrual (dismenorréia) mantida após os tratamentos, 56% apresentam dor durante ato sexual (dispareunia) e 60% continuam com dor pélvica crônica mesmo após os tratamentos.

Este estudo abrangeu um grande número de mulheres de diferentes países, em diferentes fases do tratamento da endometriose e comprovou que os sintomas acompanham as pacientes apesar dos tratamentos, provocando uma queda significante da qualidade de vida. 
Por esses motivos, o controle da endometriose tem que ser contínuo e realizado por um grupo multidisciplinar que vai muito além do ginecologista e necessita de psicólogos, nutricionistas, especialistas no tratamento da dor, sexologistas, entre outros.

Deve-se, portanto, tratar a endometriose como uma doença que afetará a mulher durante toda a sua vida reprodutiva. 

A melhor palavra para endometriose não é tratamento, mas CONTROLE.

sábado, 9 de novembro de 2013

Casais homoafetivos podem recorrer à fertilização in vitro para realizar o sonho de ter filhos

A nova resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), divulgada no primeiro semestre deste ano, é um marco na luta pelos direitos civis dos homossexuais e permite que esses casais recorram à fertilização in vitro para terem filhos.
Nos casais femininos, a reprodução pode ser realizada a partir da inseminação em uma das mulheres ou por gestação compartilha, quando o óvulo de uma delas é inseminado e gestado na parceira. A norma esclarece que o doador do sêmen não pode ser um irmão, familiar ou conhecido da paciente, já que os doadores não podem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa.
Os casais formados por homens, terão que procurar uma mulher na família para levar adiante a gestação, no chamado útero de substituição. O óvulo de uma doadora é inseminado com o sêmen de um dos parceiros e transferido para o corpo de uma pessoa da família. Neste caso, o CFM determina que o grau de parentesco deva ser no máximo quatro, ou seja, pode recorrer a uma irmã, avó, mãe, tia ou prima. Caso o casal não tenha nenhuma parente mulher, pode pedir recurso ao Conselho Regional de Medicina e tentar a gestação de uma amiga ou conhecida.
O CFM determina a idade máxima de 50 anos para que as mulheres possam se submeter aos tratamentos de reprodução assistida. Também foi estabelecida em 50 anos a idade para doar esperma e 35 anos doar óvulos.  Isso foi definido a partir de critérios científicos, observados de que uma gravidez tardia e as células reprodutivas de pessoas mais velhas podem trazer maiores riscos à segurança da gestante e da criança.