terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Antioxidantes x Qualidade seminal


Fortes evidências científicas sugerem que o excesso de radicais livres a nível testicular tem um papel importante na infertilidade masculina. Acha-se que quanto maior o estresse oxidativo menor seria a motilidade (movimentação) e concentração dos espermatozóides. Assim, o uso de antioxidantes (vitaminas A, C e E, por exemplo) teria um efeito positivo na qualidade seminal. Entretanto, pouco se sabe sobre que doses seriam as ideais para se obter um efeito positivo na produção espermática.

Baseado nisso, pesquisadores das Escolas de Saúde Pública e de Medicina de Harvard, em Boston, nos EUA e das Universidades de Copenhagen, na Dinamarca e de Murcia, na Espanha, realizaram um estudo para tentar identificar as relações entre o consumo de vitaminas A, C e E e de carotenóides (substâncias químicas que compõe os pigmentos de vegetais e são essenciais como precursores da síntese da vitamina A, como por exemplo o beta-caroteno, o licopeno e a luteína), tanto por meio de suplementos quanto pela dieta, na qualidade do sêmen. 

Os dados foram publicados na Fertility and Sterility, a revista mensal da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) em dezembro de 2013.

Foi encontrada uma relação positiva entre os carotenóides e a motilidade e morfologia (formas normais) dos espermatozóides, com uma forte associação entre o beta-caroteno e a luteína com uma melhor movimentação e concentração dos espermatozóides, enquanto o licopeno apresentou uma boa relação com a morfologia.

Os efeitos positivos do uso dos carotenóides é descrito em outras pesquisas, com dados que evidenciaram uma melhora da concentração em até 60%, da motilidade em até 43% e da morfologia em até 46% de homens inférteis.

Os carotenóides são derivados quase que exclusivamente de frutas e vegetais. Cinco fontes (sopa de tomate, suco de tomate, ketchup, salsa e tomates frescos) são responsáveis por 98% da ingesta de licopeno, três vegetais (cenoura, alface e espinafre) explicam 59% da ingesta de beta-caroteno enquanto o alface e o espinafre são resposáveis por 56% da luteina ingerida.

A alta ingestão de vitamina C foi associada a uma menor concentração e motilidade espermáticas, com uma queda de até 22% da concentração dos espermatozóides, embora esses achados não sejam ainda completamente compreendidos, quando se usou ácido fólico em conjunto, esses efeitos pareceram desaparecer. Não foi encontrada nenhuma relação, positiva ou negativa, entre as vitaminas A e E e os parâmetros seminais.

Parece que a ação da vitamina C é dose dependente, neste estudo altas doses tiverem pior resultado que doses menores, mas ainda é cedo para se dizer qual seria a melhor dose.

Esse estudo, ao contrário de outros, não demonstrou associações positivas entre vitaminas antioxidantes e qualidade seminal, mas foi ao encontro de estudos que também não demonstraram nenhum efeito positivo do uso de vitaminas A, C e E.

Ao não achar nenhum efeito entre vitamina A e E e qualidade seminal, fica uma pergunta. Por que alguns antioxidantes têm efeitos e outros não? Isto ainda não tem uma resposta.

Portanto, uma dieta balanceada, com uma ingestão equilibrada de antioxidantes pode ser importante para uma boa qualidade dos espermatozóides, devendo-se ter muito cuidado com o consumo excessivo. 

Equlíbrio, a chave para o sucesso.

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