sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Asma x Reprodução Assistida


As consequências tardias dos tratamentos de reprodução assistida (RA), como inseminação intrauterina (IIU) e fertilização in vitro (FIV), ainda são um mistério, sobretudo pelo tempo relativamente curto de existência dessas técnicas.
O primeiro bebê de proveta nasceu somente em 1978. A medicina reprodutiva, como conhecemos hoje, é uma ciência jovem.  

Alguns estudos têm demonstrado uma relação positiva entre um aparecimento de mais casos de asma em crianças nascidas após técnicas de reprodução assistida. 
Dados indicam, também, que os filhos nascidos após um longo tempo para se atingir a gravidez teriam uma maior incidência de asma. Haveria, assim, uma ligação entre infertilidade, subfertilidade e tratamentos de RA com maior incidência de asma nos filhos de casais inférteis.

Um estudo inglês realizado em 2013 e publicado na Human Reproduction (jornal da ESHRE - Sociedade Européia de Medicina Reprodutiva) levantou dados sobre esta questão. Foram investigados mais de 18 mil crianças, dos 9 meses até os 5 anos de idade, todas nascidas de casais que tiveram alguma dificuldade em engravidar.

As conclusões deste estudo demonstraram que crianças nascidas de pais com infertilidade tiveram mais asma e precisaram de mais uso de medicações (2,5 vezes mais) contra a asma até a idade de cinco anos, quando comparadas com os filhos nascidos de pais que não tiveram dificuldade para engravidar. Essa associação foi mais forte ainda quando as crianças tinham nascido após fertilizações in vitro. 

Não se sabe ao certo o mecanismo envolvido nesta relação. Algumas hipóteses existem, como: 

1- longos períodos de uso de ácido fólico nas pacientes inférteis levariam a piores respostas respiratórias nos filhos.

2- mulheres asmáticas, pelas complicações da doença, adiariam mais uma gravidez. Teriam, também, uma maior incidência de oligomenorréia (menstruação pouco frequente) e de síndrome dos ovários policísticos (SOP)apresentariam, portanto, infertilidade por não ovulação. A resistência insulínica parece ser a predisposição na paciente com SOP para desencadear a asma. Como existe um componente genético, mulheres com asma teriam mais filhos com asma.

A ciência da reprodução humana ainda é muito nova, mas dados como este são importantes para tentarmos compreender os riscos e consequências futuras dos tratamentos de reprodução assistida. 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O Impacto da Idade


Existe, atualmente, uma tendência em se adiar a primeira gravidez. Muitas mulheres por motivos pessoais e profissionais optam por engravidar após os 35-40 anos.

Muito da atual "epidemia de infertilidade" se deve a este fato. Uma em cada cinco mulheres tem tido  o seu primeiro filho após os 35 anos, um aumento de oito vezes em relação a geração anterior, fato este que tem provocado um aumento de até 50 vezes no número de fertilizações in vitro realizadas ao redor do mundo, metade delas em mulheres acima dos 35 anos.

O rápido declínio da fertilidade não é devidamente valorizado pela maioria dos médicos, pela mídia ou pela população em geral. As dificuldades em se obter uma gravidez após os 40 anos são enormes. As taxas de sucesso em uma fertilização in vitro caem para assustadores  04 a 10% após os 42 anos, por exemplo.

Baseado neste preocupante fato, pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, realizaram uma pesquisa de 2009 a 2011, publicando seus dados em 2013 na Human Reproduction, o jornal da Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia.

Os resultados desse estudo demonstraram que 30% das mulheres tinha a expectativa de uma queda gradual da fertilidade até a menopausa, por volta de 50 anos (na verdade após os 35-37 anos a fertilidade despenca), 31% achavam que ficariam grávidas sem problemas aos 40 anos (idade em que as dificuldades são enormes). As  razões para essa crença errada se devem a fatores, como: a ausência de história de infertilidade na família, o bom estilo de vida, informações incorretas recebidas de amigos e médicos e a mídia ilusória da gravidez em celebridades com idade avançada.

Cerca de 44% da mulheres nunca acharam que precisariam de uma fertilização in vitro e se mostraram chocadas quando descobriram que sua fertilidade estava bastante comprometida. Em contraste, aproximadamente 46% dessas mulheres relatou que se tivessem tido melhores informações sobre sua fertilidade, ainda assim, não teriam como ter evitado o adiamento da gravidez, o que é um dado preocupante em termos de fertilidade.

A falha em reconhecer a relação entre idade feminina e fertilidade é muito comum e reflete a inacessibilidade ou desinformação sobre o assunto. Uma mudança educacional e cultural se faz necessária. A crença de que é fácil engravidar em idades avançadas deve ser combatida. Adiar a primeira gravidez pode muitas vezes significar não conseguir engravidar, mesmo usando as técnicas de reprodução assistida. A fertilidade cai assustadoramente após os 35 anos e a grande maioria das mulheres terá muita dificuldade em conceber após os 40 anos.

Conscientizar a população em geral é função dos profissionais de saúde, da mídia e das políticas de saúde pública de cada país. O fator idade feminina não pode ser ignorado e é a maior dificuldade encontrada na área da medicina reprodutiva nos dias atuais. 


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Infertilidade e Desordens Psiquiátricas



A infertilidade afeta cerca de 10 a 15% dos casais ao redor do mundo. O número de tratamentos de reprodução assistida (RA), como a fertilização in vitro e a inseminação intrauterina, cresceu muito nos últimos 10 anos. Para se ter uma ideia, em 2009, 9% das crianças nascidas no mundo foram por técnicas de RA.

Dados científicos indicam que a incidência de desordens psicológicas e psiquiátricas nos casais e sobretudo, nas mulheres que têm infertilidade é maior que nas mulheres férteis. Qual seria o real impacto destes problemas?

Em 2013, pesquisadores da Dinamarca analisaram uma questão ainda mais profunda. Haveria diferença entre as mulheres que tiveram filhos e aquelas que não tiveram filhos, após os tratamentos de reprodução assistida?

A pesquisa avaliou mais de 90 mil mulheres inférteis, num período que foi de 1973 a 2008 e demonstrou que o insucesso dos tratamentos de RA é um importante fator de risco para desordens psiquiátricas e psicológicas. 

Mulheres que não tiveram sucesso nos tratamentos apresentaram um aumento de 17% no número de internações hospitalares por desordens mentais. 

Foi encontrado um aumento de mais de duas vezes no abuso de álcool e drogas e uma incidência 50% maior de esquizofrenia e psicoses. As desordens alimentares tiveram um aumento de 40% e os quadros de depressão tiveram um discreto aumento. Por outro lado, não houve um risco maior de desenvolver ansiedade ou transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), dado este que divergiu de outros estudos, sendo considerado um achado controverso desta pesquisa.

Esses dados são muito importantes para que os profissionais de saúde envolvidos nesses tratamentos tenham consciência do potencial risco de desenvolvimento de desordens desta natureza e possam agir e intervir de uma maneira rápida e efetiva. 

Prevenir e dar o suporte adequado aos casais, antes, durante e depois dos tratamentos de reprodução assistida é fundamental.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Resistência Insulínica - Ameaça silenciosa

A resistência insulínica (RI) é a primeira alteração detectável do metabolismo dos carboidratos (açucares). É o primeiro estágio rumo ao desenvolvimento do diabetes mellitus tipo 2 e está intimamente ligada à síndrome dos ovários policísticos (SOP) e à infertilidade feminina.

Há muito se sabe que a SOP não é apenas uma alteração ovariana, trata-se de uma condição endócrina complexa que envolve alterações ovulatórias e metabólicas, sendo a principal causa de infertilidade de origem endocrinológica. Sabe-se que quando a RI está presente na mulher com ovários policísticos, as dificuldades ovulatórias são maiores e o risco de apresentar infertilidade aumenta. Quem tem SOP ovula menos e em pior qualidade e quando apresenta RI associada, a capacidade ovulatória tende a ser, ainda, pior.

Logicamente, a resistência insulínica não ocorre somente em mulheres com ovários micropolicísticos. Está, também, muito ligada ao sobrepeso, à obesidade, ao sedentarismo e a uma dieta rica em carboidratos. Todos esses fatores, também, diminuem a fertilidade.

Baseado nesses dados, pesquisadores australianos, fizeram uma pesquisa para avaliar as relações entre resistência insulínica e ovários policísticos e publicaram seus resultados em 2013, na Human Reproduction (jornal da Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia).

A incidência de resistência insulínica foi de 75% nas mulheres magras com SOP e de absurdos 95% das mulheres com SOP e sobrepeso. No grupo de mulheres magras e com sobrepeso, as que tinham ovários policísticos tiveram mais resistência insulínica que as que não tinham alterações ovarianas, evidenciando o fator de risco SOP para o desenvolvimento da RI, ou o fator de risco RI para o desenvolvimento de SOP (não se sabe ainda qual seria causa-consequência um do outro).

Quanto menor o índice de massa corporal (IMC) menor a incidência de resistência à insulina, seja em mulheres com síndrome dos ovários policísticos ou não.


Em resumo, a RI está diretamente ligada ao excesso de peso, sobretudo nas mulheres com SOP e estas duas alterações estão, intimamente, ligadas ao desenvolvimento de diabetes gestacional e diabetes tipo 2.

Priorizar mudanças no estilo de vida, o que inclui a prática de atividades físicas e uma alimentação saudável com uma baixa ingestão de carboidratos, é fundamental para prevenir os problemas metabólicos ligados à resistência à insulina e para diminuir as taxas de infertilidade, sobretudo nas pacientes com síndrome dos ovários policísticos.

O risco metabólico é enorme e as consequências devastadores, em anos de vida precoces, para essas mulheres, além do imenso potencial de desenvolvimento de um quadro extremamente difícil de infertilidade.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Endometriose - Sintomas Incomuns


A endometriose afeta entre 6 a 10% das mulheres em idade fértil. Caracteriza-se pela presença de tecido endometrial (camada interna do útero - onde ocorre a implantação embrionária) fora do útero, em locais como: ovários, trompas, bexiga, intestino e cavidade pélvica-abdominal. Esta patologia causa dismenorréia (dor menstrual), dor pélvica crônica, dispareunia (dor no ato sexual), disúria (dor ao urinar), dor ao defecar,  infertilidade e apresenta também outras manifestações menos comuns, como a dor em membros inferiores.

Acha-se que até 40% das mulheres com endometriose apresentam sintomas de dores nas pernas. Esse tipo de dor parece ocorrer pela presença da doença em si na cavidade pélvica (cistos endometrióticos ovarianos, por exemplo) ou por lesões provocadas nos nervos (infiltração da endometriose no próprio nervo), causando uma neuropatia, que pode afetar, também, a parte da sensibilidade e da movimentação, impedido determinados movimentos dos membros inferiores.

Baseado nestes relatos, pesquisadores da Universidade de Roma, na Itália realizaram uma pesquisa com o intuito de identificar a real origem deste tipo incomum de dor relacionada à endometriose. Os dados deste estudo foram publicados em julho de 2013 na revista da ASRM - Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva.

Neste estudo, 30% das pacientes apresentou envolvimento neuronal, com diminuição da sensibilidaade na região da coxa, caracterizando uma lesão nervosa. O principal nervo afetado foi o ciático, mas outros nervos como o femural também foram envolvidos. 70% das pacientes não apresentou sintomas que sugerissem lesões em nervos. Isso demonstra que a endometriose provoca a dor por duas vias, a nervosa ou pela presença das lesões pélvicas, esta última seria a tradicional dor pélvica se manifestando de uma forma menos comum.

Estima-se que a endometriose do nervo ciático é uma das principais causas de ciatalgia (dor lombar e irradiada para os membros inferiores) em mulheres.  

Por estes fatos, não se deve subestimar a dor crônica em membros inferiores de mulheres em idade fértil. Em caso de lesão neuronal, o tratamento deve ser a nível do próprio nervo, com a realização da neurólise (retirada da parte afetada pelo foco de endometriose).

Esta é mais uma das várias facetas da endometriose, uma doença comum, mas que ainda é muito pouco compreendida pela medicina, por isso a tamanha dificuldade em se encontrar o tratamento adequado para todos os seus sintomas. 

O importante é tentar diagnosticar e controlar adequadamente a doença, melhorando a qualidade de vida da paciente e aumentando suas chances de viver sem dor e sem infertilidade.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Depressão piora o estresse da Fertilização in Vitro



O diagnóstico de infertilidade por si só gera um estresse ao casal. Esse estresse tende a aumentar quando é necessário a realização de um tratamento, principalmente os de alta complexidade, como a fertilização in vitro (FIV).

Sabe-se que a presença de sintomas de depressão e ansiedade já presentes em um dos membros do casal previamente a um diagnóstico de dificuldade de engravidar parece aumentar ainda mais a carga de estresse durante os tratamentos. 

Sintomas depressivos prévios estão presentes em cerca de 11,6% e 4,3% das mulheres e homens inférteis, respectivamente. Esses sintomas estão associados com um aumento do estresse pessoal, conjugal e social do casal que será submetido a um tratamento.

Além disso, a infertilidade é comumente ligada à depressão, sobretudo em mulheres. O diagnóstico de infertilidade, com o subsequente estresse do tratamento agrava os sintomas depressivos. As mulheres são mais afetadas que os homens e apresentando sintomas mais fortes. 

Se existe depressão antes da FIV, existe uma chance desta depressão se agravar após o tratamento, devido ao estresse provocado pelo mesmo. 

Apesar de todas essas evidências, parece que as taxas de gravidez não são afetadas por este estado depressivo anterior ao tratamento, muito embora isso seja controverso. 

Portanto, é recomendado uma intervenção psicológica focada em ajudar os casais com sintomas de depressão e com estresse durante o tratamento, sobretudo após uma falha do mesmo. 

Esses dados foram retirados de uma pesquisa realizada na Califórnia, EUA e em Copenhage, na Dinamarca e publicada em janeiro de 2014 na Human Reproduction, o jornal da ESHRE (Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia). 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Tabagismo x Qualidade Seminal


O tabagismo é um fator de risco conhecido e estabelecido de infertilidade masculina.

O cigarro contém altas concentrações de radicais livres, o que provoca danos nos espermatozóides.

Fumar parece provocar alterações do nível de certas proteínas, como a histona e a protramina. O equilíbrio entre essas proteínas é fundamental para a manutenção da integridade do DNA do espermatozóide. A alteração deste equilíbrio provocaria uma diminuição da concentração (quantidade), da motilidade (movimentação) e da morfologia (formas normais) dos espermatozóides. 

Uma pesquisa publicada em janeiro de 2014 na revista da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (Fertility and Sterility) e realizada na China procurou avaliar os reais efeitos negativos do tabagismo na qualidade dos espermatozóides. 

Foi encontrado, realmente, uma anormalidade na concentração dessas proteínas e uma maior concentração de radicais livres no sêmen de homens fumantes, o que levou a uma menor concentração, motilidade, morfologia e vitalidade dos espermatozóides.
Isto ocorreria devido a um aumento da fragmentação do DNA do espermatozóide, acarretando o dano seminal. 

Esses danos demonstram os efeitos nocivos do fumo na produção seminal.

O tabagismo é um fator ambiental importante de diminuição da fertilidade masculina e deve ser combatido a qualquer custo. 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Tratamento de miomas - Novas descobertas


Os miomas uterinos são os tumores benignos mais comuns nas mulheres em idade fértil. Podem provocar sangramentos excessivos, dor pélvica, perdas gestacionais e infertilidade. 

Embora, a cirurgia e a embolização sejam formas não medicamentosas de tratamentos, o uso de medicações ainda é considerado a primeira linha de tratamento. Existem diversas opções de drogas, como as progesteronas e os análogos do GNRH (medicações que agem na hipófise, a glândula que controla toda a nossa produção hormonal). Entretanto, evidências recentes têm demonstrado que a progesterona parece ser fundamental para estimular o crescimento dos miomas. Assim, a busca por novas drogas mais efetivas torna-se algo necessário. Uma desta novas medicações é o mifepristone, uma droga anti-progesterona, que vem se mostrando eficaz em reduzir o tamanho dos miomas e em controlar seus efeitos negativos.

Baseado nessas evidências, pesquisadores da Universidade de Wenzhou, na China, buscaram selecionar os principais trabalhos publicados no mundo sobre esta nova droga. Eles publicaram seus dados em dezembro de 2013, na Fertility and Sterility, a revista mensal da ASRM (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva).

Foi evidenciado que o uso desta nova medicação foi efetiva em reduzir o tamanho dos miomas, aliviando os sintomas associados a estes tumores. A mesma pode ser utilizada como tratamento definitivo e também como tratamento anterior a uma cirurgia, no intuito de reduzir as complicações cirúrgicas, como os riscos de sangramento durante o procedimento. 

Os efeitos pelos quais o mifepristone atuariam nos miomas ainda não são totalmente compreendidos, acha-se que ele atue diretamente no fluxo sanguíneo do mioma e também reduzindo os receptores de progesterona no tumor. Até o presente momento os estudos indicam entre 3 a 6 meses de tratamento, com bons resultados na redução do tamanho e dos sintomas associados.

O surgimento de novas drogas visando o tratamento dos miomas é fundamental para se controlar esta patologia tão comum e que causa tantos problemas para as mulheres em idade fértil. Isto aumenta as opções de tratamentos mais conservadores, fato muito importante para se tentar reduzir as intervenções cirúrgicas.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Ovários Policísticos e risco metabólico


A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é a alteração endocrinológica mais comum nas mulheres em idade fértil, sendo a principal causa hormonal de infertilidade feminina, devido à anovulação e às alterações metabólicas que provoca. 

Esta patologia está associada à obesidade, dislipidemia (alterações dos níveis de colesterol), resistência insulínica (estado pré-diabetes) e diabetes mellitus tipo 2. Todas essas alterações além de comprometerem a fertilidade, provocam sérias conseguências para a saúde. 
Dados recentes têm associado o acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática) com a SOP. Esta alteração é silenciosa, sendo diagnosticada por ultrassom e pode levar a complicações como a cirrose e a falência hepáticas.

Baseado nessas evidências, pesquisadores da Universidade de Pittsburg, na Pensilvânia, Estados Unidos, publicaram um estudo na Fertility and Sterility (publicação oficial da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva - ASRM) em dezembro de 2013, avaliando as relações entre ovários policísticos e alterações metabólicas em adolescentes obesas.

Esta pesquisa demonstrou que a esteatose hepática está diretamente ligada à obesidade, dislipidemia, resistência insulínica, diabetes mellitus e ao aumento do risco metabólico nessas adolescentes. Foram encontradas taxas de até 55% de esteatose hepática nas portadoras de SOP.

Foi visto que cerca de 37 a 47% das adolescentes com ovários policísticos tem alterações metabólicas, comparado com 0,6 a 9% das adolescentes sem SOP e que entre 50 a 80% das mulheres com ovários policísticos tem resistência insulínica, destas 30% evoluem para intolerância à glicose (pré-diabetes).

Essas alterações tedem a piorar com o avançar da idade, se nada for feito para combater a evolução das mesmas.
A realização de atividades físicas e uma dieta equilibrada são fundamentais para mudar este quadro. Para se ter uma ideia, doze semanas de atividade física regular mesmo sem uma dieta equilibrada, diminuem o acúmulo de gordura no fígado, a resistência insulínica e o acúmulo de gordura abdominal, em aproximadamente 37%, 9% e 16% respectivamente.

Estratégias terapêuticas precoces, na adolescência, para diminuir a obesidade abdominal, as alterações dos níveis de açucar e os níveis de colesterol são fundamentais para evitar a progressão desses problemas, evitando os quadros mais graves relacionados aos problemas no fígado, por exemplo.