segunda-feira, 31 de março de 2014

Reprodução Assistida x Fator Financeiro

O fator financeiro é um fator limitante para o acesso às técnicas de reprodução assistida (RA) em países em desenvolvimento, como o Brasil, onde os tratamentos não são universal e amplamente custeados pelo serviço de saúde pública.

Em uma análise de dados internacionais, realizada pela Sociedade Italiana de Medicina da Reprodução, em Bolonha, na Itália e publicada em janeiro de 2014, na revista da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), foi identificada uma forte associação entre acessibilidade (financeiramente falando) e utilização de técnicas de reprodução assistida.

São observadas altas taxas de desistência, nos tratamentos de infertilidade, antes, durante ou após um primeiro resultado negativo, apesar das altas taxas cumulativas de sucesso. As taxas cumulativas são aquelas atingidas após ciclos repetitivos, ou seja, após duas, três, quatro ou mais tentativas.

O fator psicológico é um dos grandes responsáveis pela desistência, mas o custo também é um fator crucial. 
Apesar do debate internacional no sentido de se permitir um acesso mais fácil aos tratamentos, tem-se obtido pouco avanço em países em desenvolvimento. 

Para muitos gestores, a infertilidade ainda não é encarada como um problema de saúde pública e os altos custos dos tratamentos limitam a universalização do mesmo. Além disso, o aumento do risco de gestações múltiplas após os tratamentos de RA, o que implica em um grande aumento nos custos de saúde pública, devido às altas taxas de prematuridade, é fator limitante para que se permita a introdução destes tratamentos a nível público. 

Em países desenvolvidos, as políticas de redução do número de embriões transferidos e de transferência única, ajudam a reduzir os custos ligados a esses tratamentos. Esta é uma tendência mundial, visto que o sucesso significa chegar ao final da gravidez e não somente engravidar. Assim, a limitação do número de embriões torna-se fundamental no sentido de convencer as autoridades de saúde pública a incorporar os tratamentos ao sistema público. Quanto mais embriões transferidos maior o risco do tratamento e maiores os custos.

Infertilidade é um problema de saúde pública e deve ser tratado como tal. Os custos excessivos devidos às suas complicações devem ser reduzidos para que os gestores vejam com melhores olhos a incorporação universal dos tratamentos à esfera pública.

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