quarta-feira, 30 de abril de 2014

12TH WORLD CONGRESS ON ENDOMETRIOSIS


 Iniciado hoje o décimo segundo Congresso Mundial em Endometriose, em São Paulo. Trata-se do maior evento específico sobre esta patologia, reunindo especialistas de todo o mundo, além dos grandes pesquisadores mundiais em endometriose, como o professor francês, Charles Chapron, um dos pioneiros no estudo desta patologia de tão difícil entendimento, controle e tratamento. O congresso acontecerá até próximo dia 03 de maio e trata-se de uma excelente oportunidade de aprendizado e troca de experiências com as maiores autoridades mundias no assunto.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Hiperprolactinemia

Uma das principais causas hormonais de infertilidade é o aumento dos níveis do hormônio prolactina, a chamada hiperprolactinemia. 
A prolactina é o hormônio responsável pela produção do leite após o parto, portanto, sua produção deve ocorrer no período da lactação. Fora deste período, o seu aumento significa alteração hormonal que pode provocar dificuldade para engravidar e também uma chance maior para abortamentos. 
Diversas são as causas de hiperprolactinemia, como: 

1- Uso de medicações que estimulam a produção deste hormônio. 
2- Hipotireoidismo (outra alteração hormonal). 
3- Traumas cerebrais. 
4- Tumores (micro e macroadenomas hipofisários) na hipófise (a glândula onde é produzida a prolactina e que fica localizada no cérebro). 
5- Causa desconhecida (idiopática)
6- SOP - Síndrome dos Ovários Policísticos

Na maioria das vezes, não se consegue identificar a causa da hiperprolactinemia. De uma forma ou de outra, na grande maioria das vezes o tratamento é simples, feito com medicações de uso oral e  de fácil controle. 

A hiperprolactinemia pode, também, afetar os homens, podendo provocar queda na quantidade e qualidade dos espermatozóides, levando a quadros de infertilidade.

Em resumo, trata-se de uma doença de fácil diagnóstico e manuseio, mas que deve ser sempre encarada no início de uma investigação de uma casal com dificuldade de engravidar. 

sábado, 26 de abril de 2014

Adenomiose - A Endometriose Uterina

A endometriose caracteriza-se pela presença do tecido endometrial (cavidade interna do útero), região onde ocorre a implantação do embrião, fora de sua localização habitual. Em geral, afeta a região pélvica e seus orgãos, como ovários, trompas, bexiga e intestino. Esta patologia é a principal causa de dor pélvica crônica e está presente em até 30% das pacientes inférteis.

Uma forma de manifestação da endometriose é a adenomiose, que caracteriza-se pela invasão da camada média do útero (miométrio) pelo endométrio, trata-se, portanto, de uma endometriose dentro do próprio útero. Este tipo particular de endometriose pode provocar sangramentos uterinos excessivos e anormais, assim como dor pélvica e infertilidade. Está intimamente ligada, também, à presença de miomas uterinos e nestes casos provoca, em geral, um aumento dos sintomas de dor pélvica, dor menstrual (dismenorréia) e sangramento uterino excessivo.

A causa da adenomiose, assim como da endometriose, não é, ainda, completamente compreendida e não existe um tratamento definitivo e 100% eficaz. Deve-se tentar controlar os sintomas de dor e sangramento, enquanto os quadros clínicos de infertilidade requerem um manejo cauteloso, assim como em quaisquer tipos de endometriose. O diagnóstico se faz principalmente ao ultrassom pélvico (a ressonância pélvica também pode ajudar), porém só pode ser confirmado por estudo microscópico após a retirada do útero, trata-se, assim, de um diagnóstico difícil e de exclusão.

O tratamento é inicialmente clínico, com o uso de medicações para controle dos sintomas e de tratamentos para infertilidade, como: indução de ovulação, inseminação intrauterina e fertilização in vitro. Isto porque a única opção cirúrgica é a histerectomia (retirada do útero), algo que só é recomendado em casos em que não se obtem um controle adequado com as medicações e não pode ser, nunca, pensado em casos de infertilidade ou quando a paciente deseja preservar sua fertilidade para o futuro.

Esta é mais uma das várias facetas de uma patologia de difícil controle e diagnóstico. O tratamento adequado da endometriose e de suas variantes é um dos grandes desafios da ginecologia e da medicina reprodutiva. 
As pesquisas são muitas neste campo, mas ainda estamos longe das respostas definitivas.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Antioxidantes e Fertilidade Feminina

Há tempos que se vem estudando os efeitos de substâncias antioxidantes na fertilidade humana. Sabe-se que um baixo nível de antioxidantes está ligado a uma menor fertilidade e a um maior tempo para se atingir uma gravidez. Existem evidências que uma maior ingestão de antioxidantes estaria ligada a melhores resultados nos tratamentos de reprodução assistida (fertilização in vitro e inseminação intrauterina).

Baseado nestas evidências, pesquisadores da Universidade de Pittsburg, na Pensilvânia, Estados Unidos, fizeram uma pesquisa para analisar a influência do uso de antioxidantes na fertilidade feminina. A mesma foi publicada em março de 2014 na Fertility and Sterility, a revista mensal da ASRM (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva).

Esta pesquisa concluiu que certos antioxidantes parecem estar ligados a um menor tempo para se atingir uma gravidez, mas certas particularidades foram observadas. A seguir pode-se observar quais relações mostraram efeitos favoráveis para uma melhor fertilidade feminina.

1- Vitamina C com mulheres magras (IMC menor que 25 kg/m2)
2- Beta-Carotenos com mulheres com sobrepeso ou obesidade (IMC maior que 25 kg/m2)
3- Vitamina C e Beta-Carotenos com mulheres com menos de 35 anos.
4- Vitamina E com mulheres com mais de 35 anos

A obesidade e a idade mais avançada estão relacionadas a um maior estresse oxidativo e portanto a uma maior produção de radicais livres, o que justifica a melhoria da fertilidade nesses casos. Mas qual a explicação dos outros achados acima? Isso não pode, ainda, ser claramente explicado, talvez por que o consumo de vitamina C não foi grande o suficiente no grupo de mulheres mais velhas, por exemplo. Na verdade, ainda não se sabe quais seriam as doses ideais de consumo destas substâncias para se obter uma maior fertilidade.
O consumo dos antioxidantess pode ser feito tanto pela alimentação quanto pela ingestão de suplementos. 

Logicamente, esses achados devem ser ainda validados por outras pesquisas, mas se sabe que uma dieta balanceada e uma ingestão adequada de antioxidantes parecem melhorar a fertilidade feminina.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Cafeína interfere no tempo de espera de uma gravidez?

A associação entre o consumo de cafeína e a fertilidade já foi avaliada por vários estudos epidemiológicos, com resultados inconsistentes. Em 2012, um estudo da autoria da Dra. Elizabeth Hatch e colaboradores, da norte-americana Boston University School of Public Health, avaliou a relação entre o consumo de cafeína, café, chás e refrigerantes e o tempo necessário para se obter uma gestação.

Entre as 3.628 mulheres dinamarquesas que planejavam a gravidez seguidas por 12 meses, uma relação fraca foi observada entre fecundabilidade e ingestão diária de mais de 300 mg de cafeína ou de 3 xícaras de café ou mais. O consumo de refrigerantes, por sua vez, foi associado com fecundabilidade reduzida para todos os tipos de refrigerantes combinados, podendo reduzir as chances de gravidez por ciclo fértil em até cerca de 50% entre as grandes consumidoras (3 ou mais porções diárias). Curiosamente, o consumo de chá foi associado a um pequeno aumento da fecundabilidade.

Os autores alertam, contudo, para a possibilidade de interferências do estilo de vida e da dieta sobre os resultados, mesmo com o rigor da pesquisa.

Assim sendo, penso que a melhor saída seja usar o bom senso: para quem consome café e refrigerantes em excesso no dia-a-dia, melhor reduzir a dose. Ah! E é imprescindível conversar com o obstetra sobre esse consumo assim que a gravidez for confirmada!

Fonte : Dr. Bruno Ramalho, especialista em Reprodução Humana.
http://drbrunoramalho.blogspot.com.br/2014/03/cafeina-interfere-no-tempo-de-espera-de.html


Fonte consultada:
Hatch EE et al. Caffeinated beverage and soda consumption and time to pregnancy. Epidemiology. 2012, May;23(3):393-401.
doi: 10.1097/EDE.0b013e31824cbaac.

Crédito de imagem: Bruno Ramalho - Medicina Reprodutiva



quarta-feira, 2 de abril de 2014

Ácido Fólico: profilaxia simples para uma doença difícil


Os defeitos de fechamento do tubo neural acometem aproximadamente 6 a cada 10.000 nescimentos no Brasil, cerca de metade deles representada pela espinha bífida.
Não existe até o momento uma estratégia 100% eficaz para evitar os defeitos do tubo neural, mas, sem dúvida, uma simples orientação pode mudar o curso da história de muitas famílias: suplementação de ácido fólico.
De acordo com as recomendações atuais para profilaxia dos defeitos do tubo neural, com a suplementação de ácido fólico na dose de 400 mcg/dia iniciada pelo menos 30 dias antes de estabelecida a gravidez, espera-se reduzir em até 80% o número de casos de espinha bífida e anencefalia.
Atualmente, já se obedece no Brasil e em outros países a recomendação de que cada 100mg de farinha (e, consequentemente, os produtos que a levem como ingrediente) tragam 100mcg de ácido fólico suplementado, o que já contribui com redução de 30 a 35% dos casos.
Na população de alto risco (principalmente mulheres com filhos portadores de edefitos do tubo neural em gravidez prévia e usuárias de anticonvulsivantes), recomenda-se a prescrição de ácido fólico na dose de 4 mg/dia, considerada terapêutica. Vale frisar que essa dose não deve ser utilizada como profilaxia.
Fica a dica!

Tema abordado pelo Dr.Bruno Ramalho, especialista em Reprodução Humana.
http://drbrunoramalho.blogspot.com.br/2014/03/acido-folico-profilaxia-simples-para.html