quarta-feira, 30 de julho de 2014

Atividade Física x Fertilidade Feminina


A prática de atividade física já está estabelecida como benéfica durante a gravidez, parece reduzir a chance de desenvolver diabetes e pré-eclampsia (pressão alta), por exemplo. O Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia recomenda exercícios de moderada intensidade por 30 minutos ao dia, todos os dias, no período gestacional. Entretanto, não existem conclusões definitivas sobre a realização de atividades físicas na época da implantação embrionária. A prática de exercícios de  moderada intensidade parece aumentar a sensibilidade à insulina, aumentando o metabolismo dos carboidratos e melhorando a implantação do embrião no útero, entretanto exercícios físicos intensos parecem diminuir a chance de implantação. 

Como é muito difícil se estabelecer o exato momento da implantação embrionária no dia-a-dia da mulher, um grupo de pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte e de Atlanta nos EUA, procurou avaliar o efeito dos exercícios físicos em pacientes inférteis submetidas à fertilização in vitro (FIV), pois durante esse procedimento pode-se determinar exatamente o período da implantação dos embriões. Os dados desta pesquisa foram publicados na Fertility and Sterility, a revista mensal da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, no primeiro semestre de 2014.  

Os resultados desse estudo mostraram maiores taxas de implantação e gravidez em mulheres que vinham realizando atividade física regular e de moderada intensidade durante o ano anterior à realização da FIV, assim como as mulheres mais ativas (que andavam mais e que assistiam menos televisão) também tiveram melhores taxas de gravidez. 

A pesquisa não conseguiu relacionar a prática de atividades físicas após a transferência embrionária com o sucesso na FIV, pois a grande maioria das mulheres não realizou exercícios neste período, impossibilitando uma avaliação adequada. Entretanto, outros estudos demonstraram efeitos negativos do excesso de atividade física neste período, parecendo que a manutenção de um estilo de vida regular e ativo parece ser a melhor opção. 

Alguns estudos têm analisado um outro ponto importante, avaliando a deambulação precoce (movimentação após 1 hora da transferência embrionária) comparada a uma deambulação tardia (movimentação somente após 24 horas de um repouso praticamente total,  a mulher permanecendo deitada durante este período, por exemplo) e a maioria das pesquisas não achou diferença nas taxas de gravidez, entretanto um estudo identificou maiores taxas de sucesso nas mulheres que passaram menos tempo em repouso ("de cama"). 

Portanto, o equilíbrio e a realização regular de atividades físicas antes, durante e após se atingir uma gravidez parece ser a melhor opção para aumentar o sucesso dos tratamentos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Obesidade causa infertilidade?


A obesidade é uma questão de saúde que interessa a todos, crescente em todo o mundo. No Brasil, é possível que mais da metade dos homens e mulheres em idade reprodutiva estejam acima do peso recomendado. Com a obesidade, problemas como disfunção sexual, diabetes, cardiopatias, hipertensão arterial e depressão podem surgir ou se agravar. Mas não são apenas esses os problemas: infertilidade, perdas gestacionais e outras complicações da gravidez podem estar relacionadas à obesidade masculina e feminina.

Embora não se compreendam completamente os mecanismos que ligam o excesso de peso à infertilidade, é possível que distúrbios hormonais sejam os principais causadores nas mulheres, com repercussões sobre a ovulação.

Recentemente, a obesidade foi destacada também como um fator isolado para problemas uterinos, como pólipos. Nos homens, a associação entre obesidade e infertilidade é ainda mais incerta; entretanto, além de dificuldades de ereção, os obesos podem ter espermatozóides menos saudáveis ou em menor quantidade.

Quando um ou ambos os parceiros são obesos, até mesmo o sucesso em tratamentos da infertilidade pode estar diminuído. Por isso, embora o excesso de peso não seja impedimento para o tratamento, medidas para perda de peso devem fazer parte da orientação pré-terapêutica. Destaca-se um estudo recém-publicado, em que a chance de engravidar e ter o bebê por fertilização in vitro foi três vezes maior para mulheres obesas praticantes de atividade física regular quando comparadas às sedentárias e, importante, o aumento da chance ocorreu de forma independente da perda de peso!

Ao tentar responder à pergunta que dá título a este post, ainda esbarramos em hipóteses, mas tudo indica que a relação existe. Certamente, se você está acima do peso e deseja engravidar, o acompanhamento multidisciplinar com vistas a mudar a situação será um passo importante para uma gravidez saudável, contando, é claro, com a assistência do nutricionista e do educador físico para que as modificações do estilo de vida sejam efetivas e definitivas.

Texto escrito pelo Dr. Bruno Ramalho, publicado este mês na Fanpage - Entenda a Infertilidade Conjugal, acesso pelo link abaixo.


domingo, 27 de julho de 2014

Vitamina D no tratamento dos Ovários Policísticos

A SOP, Síndrome dos Ovários Policísticos é a alteração hormonal mais comum em mulheres durante a vida reprodutiva. Uma das principais alterações provocadas pela SOP é a elevação da resistência à insulina (hormônio produzido pelo pâncreas para metabolizar o açucar), assim existe uma maior dificuldade de metabolização do açucar e portanto uma predisposição maior para o desenvolvimento do diabetes mellitus e de suas formas precursoras (a própria resitência à insulina e a intolerância à glicose). Estas alterações podem ter efeitos catastróficos na saúde, além de contribuirem também para piorar a ovulação e a qualidade do óvulo, diminuindo mais ainda a fertilidade, que na grande maioria das vezes, já se encontra diminuída pela dificuldade em se ovular que é típica dos ovários policísticos.

Estudos médicos têm associado a deficiência de vitamina D à uma maior resistência insulínica, a um maior peso, a um maior acúmulo de gordura corporal e a uma maior chance de disfunção ovulatória em mulheres com SOP.

Baseado nestes achados, pesquisadores da Universidade da Pennsylvania, realizaram uma pesquisa que foi publicada em junho de 2014 na revista mensal da ASRM (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva), para tentar avaliar as relações entre a suplementação de vitamina D e um melhor controle do metabolismo dos carboidratos (açucares) em pacientes com ovários policísticos.

Os resultados desta pesquisa demonstraram que há uma tendência de redução dos níveis de insulina e glicemia quando ocorre a suplementação da vitamina D em mulheres com SOP e com deficiência de vitamina D, muito embora, esta pesquisa não tenha demonstrado uma redução da resistência à insulina. 

Esses dados apontam para mais um provável efeito benéfico da vitamina D na fertilidade feminina, em especial de mulheres com ovários policísticos e alterações do metabolismo dos açucares. 
Se esse efeito é realmente palpável ou não, só o futuro nos dirá, mas não custa nada manter os níveis de vitamina D dentro dos limites da normalidade. Para isso é preciso uma maior exposição ao sol, uma dieta balanceada e a suplementação desta vitamina quando for necessário.






sexta-feira, 25 de julho de 2014

Dia Mundial do Embriologista

Hoje, 25 de Julho, comemora-se o dia mundial do Embriologista, profissional fundamental e importantíssimo na arte da medicina reprodutiva. É ele que cuida e manuseia com todo cuidado os óvulos, espermatozóides e embriões, permitindo que sejam realizadas as técnicas de Reprodução Assistida, como a Inseminação Intrauterina e a Fertilização in Vitro. 



Devido a esses profissionais a medicina reprodutiva é hoje algo real e palpável!!!




Parabéns!!! E muito obrigado!!!

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Idade Masculina também afeta a Fertilidade

Uma das muitas dúvidas de um casal que procura ajuda médica para engravidar é entender por que existem alterações nos espermatozóides, se aparentemente nada de errado é encontrado no homem.

A causa das alterações masculinas são muitas, mas pouco entendidas. Várias teorias tentam explicar como elas ocorrem e como podem provocar dano no DNA (material genético) do espermatozóide, com consequente alteração na produção ideal dos mesmos e ocasionando, portanto, uma redução do potencial reprodutivo masculino.

Pesquisadores canadenses e franceses avaliaram que fatores estariam mais associados às alterações no DNA dos espermatozóides. Os dados desta pesquisa foram publicados em junho de 2014 na Fertility and Sterility, a revista da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva.

Foram analisados homens que estavam sendo submetidos a tratamentos por infertilidade. 

Foi encontrada uma maior taxa de fragmentação (quebra, defeito na estrutura) do DNA nos homens que tinham uma quantidade reduzida de espermatozóides quando comparados aos que apresentaram uma quantidade normal dos mesmos.  Além disso, foi evidenciado mais dano no DNA de homens mais velhos e com espermatozóides mais lentos.

Um dado chamou à atenção, homens com uma quantidade acima do esperado de espermatozóides e uma movimentação excessiva destes, também, apresentaram mais alterações no DNA.

Dados de outros estudos sugerem que a taxa de dano ao DNA é duas vezes maior nos homens com mais de 45 anos, quando comparados com homens com menos de 30 anos, demonstrando que não são somente as mulheres que apresentam uma redução da fertilidade com o avançar da idade.

Os dados desta pesquisa nos levam a pensar que a idade seria um fator isolado de infertilidade masculina, portanto as recomendações para não se postergar muito uma gravidez, servem tanto pra mulheres, como para homens. 
A fertilidade caminha de mãos dadas com a idade!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Quando é tarde para gestar?

Com o maior acesso às técnicas de reprodução assistida, o melhor domínio da criopreservação de oócitos e a aceitação desta técnica como modalidade cotidiana, os centros de assistência em reprodução humana têm recebido demandas crescentes de mulheres em idade avançada com desejo de engravidar, principalmente em programas de ovodoação e ovorecepção

O artigo na íntegra está no portal do CFM (Conselho Federal de Medicina), foi escrito pelo Dr. Bruno Ramalho e pode ser acessado pelo link abaixo.