domingo, 31 de agosto de 2014

Consumo excessivo de açucar afeta espermatozóides


Os atuais hábitos alimentares tendem a uma ingestão aumentada de carboidratos (açucares) e como se sabe o excesso de açucar afeta todo o metabolismo, parecendo, também, interferir na fertilidade de homens e mulheres.

Nos homens, a produção dos espermatozóides pode ser prejudicada pelo consumo excessivo de carboidratos.

Pesquisadores de Harvard e da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, realizaram um estudo para identificar que alterações o açucar, consumido em grande quantidade, provocaria nos espermatozóides. Essa pesquisa foi publicada em julho deste ano na Human Reproduction, a publicação mensal da Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia.

Foi analisado o consumo de bebidas com alto teor de açucar, como: refrigerantes cafeinados ou não (visto que o excesso de cafeína também parece afetar os espermatozóides) e chás gelados, em homens entre 18 e 22 anos, portanto em homens jovens.

Os resultados desta pesquisa demonstraram que quanto maior o consumo de bebidas com altas concentrações de açucar menor a motilidade progressiva (movimentação ativa) dos espermatozóides, este dado aconteceu independente do nível de cafeína, ou seja, o açucar assim como a cafeína em excesso parecem provocar uma diminuição na movimentação dos espermatozóides.

Os mecanismos pelos quais o consumo excessivo de açucar afeta a motilidade seminal ainda não são completamente compreendidos, mas acha-se que a resistência insulínica (dificuldade do hormônio insulina em metabolizar o açucar) provocada pelo uso excessivo de carboidratos aumenta o estresse oxidativo (maior formação de radicais livres) inclusive a nível testicular, afetando a movimentação espermática. Além disso a obesidade que está associada ao consumo de carboidratos, também, contribui para uma menor motilidade espermática. A contaminação com substâncias químicas, como: bisfenol A e phtalates, presentes nos plásticos dos recipientes em que estão as bebidas, também podem contribuir para as alterações seminais. 

Em resumo, o excesso de consumo de açucares afeta profundamente a fertilidade humana. Nesta pesquisa específica, os efeitos deletérios foram observados na produção de espermatozóides móveis (competentes). 

Não existe segredo, uma dieta equilibrada e balanceada (hábitos de vida saudáveis), é a chave para a boa fertilidade.

sábado, 30 de agosto de 2014

Qualidade Embrionária na Fertilização in Vitro

Uma pergunta constante dos casais que se submetem a uma fertilização in vitro é se a qualidade do embrião afetará a saúde dos futuros filhos. 

Para melhor selecionar os embriões a serem transferidos para o útero são utilizados critérios morfológicos (forma, tamanho, número de células dos embriões) para definir uma espécie de nota para o embrião. Quanto maior a nota melhor seria a qualidade embrionária e teoricamente maiores as chances de engravidar. Baseado nisso, pode-se organizar como proceder às transferências embrionárias de uma forma mais coerente.

Sabe-se que quanto maior a qualidade, teoricamente maiores as chances de implantação embrionária no útero e maiores as chances de gravidez, entretanto a associação entre esta nota e os resultados na gravidez e após o parto não são tão bem compreendidos.

Baseado nesta questão, pesquisadores da Universidade de Mcgill, em Montreal, no Canadá, publicaram um estudo em julho de 2014 na Human Reproduction, a revista mensal da ESHRE (Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia), onde tentaram avaliar as relações entre qualidade embrionária e resultados após a transferência.

Foram comparadas transferências únicas (mais uma vez notamos a tendência mundial de transferir somente um embrião) de embriões de boa qualidade versus embriões de qualidade baixa em mulheres com menos de 40 anos, sendo transferidos 1193 embriões de boa qualidade e 348 de qualidade inferior.

As taxas de gestação e nascimentos foram bem superiores no grupo que teve bons embriões transferidos, confirmando o que há tempos já se sabe. Entretanto, não houveram diferenças nas taxas de abortamentos, nem nas complicações maternas na gravidez e nem nas complicações neonatais (nas crianças logo após o nascimento). Assim, não houveram, por exemplo, mais casos de: restrição de crescimento intrauterino, baixo peso ao nascimento, trabalho de parto prematuro, pré-eclâmpsia (pressão alta na gravidez), diabetes gestacional e malformações fetais.

Portanto, a qualidade embrionária não parece aumentar os riscos obstétricos, neonatais e nem aumentou o número de malformações embrionárias. 
Logicamente, são necessários mais estudos controlados e mais dados para que possamos confirmar esses achados.



 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Alterações Endometriais x Ovários Policísticos

Sabe-se que as pacientes com a síndrome dos ovários policísticos (SOP) apresentam muitas vezes sobrepeso ou obesidade, além de terem uma maior propensão para desenvolver a resistência insulínica (RI), que trata-se de uma alteração metabólica que ocorre antes do estabelecimento do diabetes mellitus (estágio pré-diabetes).

A RI parece interferir no bom funcionamento do endométrio, alterando sua capacidade normal e diminuindo sua receptividade ao embrião. Como a resistência insulínica ocorre mais frequentemente em pacientes com sobrepeso e obesidade, e a perda de peso provoca a diminuição da RI, acha-se que com a redução do peso a adequada função endometrial poderia ser reestabelecida.

Baseado nestes dados, pesquisadores da Universidade de Karolinska, em Estocolmo, na Suécia realizaram um estudo para comprovar os efeitos benéficos da perda de peso no endométrio de pacientes com SOP e RI. Os dados desse estudo foram publicados na revista mensal da ESHRE (Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia), em julho de 2014.

O estudo demonstrou que uma mudança do estilo de vida (alimentação balanceada e atividade física regular), levando a uma perda de apenas 4,7% do peso corporal, provocou a regulação da menstruação em 65% das pacientes acima do peso e com ovários policísticos (a menstruação típica da SOP é caracterizada por atrasos frequentes). 

Além disso, houve um aumento dos receptores de insulina (hormônio que regula os níveis de açucar no sangue) a nível endometrial (o nível desses receptores está diminuido na RI), fato este que parece melhorar a função endometrial em termos de receptividade ao futuro embrião, restaurando o equilíbrio nesta região tão importante para que a gravidez possa ocorrer.

Portanto, pode-se concluir mais um efeito benéfico dos bons hábitos de vida e da manutenção adequada do peso para a fertilidade humana, neste caso especificamente para pacientes com SOP, excesso de peso e resistência insulínica. 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Tabagismo materno afeta ovário fetal


Os efeitos maléficos e negativos do tabagismo sobre a fertilidade masculina e feminina já estão estabelecidos. Várias pesquisas ao longo dos últimos anos demonstraram que fumar diminui a fertilidade humana, por afetarem, espermatozóides, óvulos, embriões, além do endométrio (camada interna do útero) tornando esta região hostil à implantação embrionária.

Existem evidências de que o ato de fumar durante a gravidez afetaria também o desenvolvimento do ovário fetal, fazendo com que o recém-nascido do sexo feminino já tenha ao nascimento uma fertilidade afetada e diminuída. 

Pesquisadores ingleses e franceses realizaram uma pesquisa para tentar entender os efeitos deletérios do tabagismo no ovário fetal, publicando seus dados na Human Reproduction, a revista da Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia, em julho de 2014.

Foram identificados, em gestantes fumantes, níveis elevados de estrógeno (um dos hormônios femininos) no ovário fetal, além de alterações em quatro genes que regulam o desenvolvimento ovariano fetal. Essas alterações parecem contribuir para a diminuição futura da fecundidade e fertilidade. O entendimento completo dos mecanismos que afetam o desenvolvimento do ovário fetal devido ao hábito de fumar ainda não são compreendidos, mas parecem ser evidentes.

Esta pesquisa demonstrou mais um efeito ruim do tabagismo na fertilidade, desta vez comprometendo a fertilidade futura de crianças expostas durante a gestação. 
Fumar realmente não combina com uma boa fertilidade.


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Novidades Congresso Brasileiro Reprodução Assistida 2014


Sempre após um congresso, novas ideias surgem, velhos pensamentos caem e diferentes estratégias aparecem. Após muitas palestras e discussões, um coisa é certa, a importância de se estudar, discutir e compartilhar o conhecimento é fundamental para o avanço da medicina, em nosso caso para a medicina reprodutiva. Vejamos alguns dos pontos mais importantes discutidos neste mês de agosto em Salvador, Bahia, no XVIII Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida.

1- Endometriose
O manejo da endometriose na paciente infértil ainda é uma questão controversa, mas à luz dos conhecimentos atuais, parece que quanto menos intervenção cirúrgica existir, melhor. A fertilização in vitro parece ser a melhor opção, sobretudo nas endometrioses moderadas e graves, como as que atingem os ovários e o intestino, por exemplo.

2- Vitamina D
Cada vez mais evidências sugerem que a deficiência de vitamina D pode provocar efeitos ruins na implantação embrionária, na movimentação dos espermatozóides e no metabolismo dos carboidratos (açucares), portanto adequados níveis de vitamina D devem ser buscados.

3- Avaliação da reserva ovariana
Começam a surgir algumas fórmulas matemáticas combinando os dois principais marcadores de reserva ovariana (o que reflete a quantidade de óvulos), o AMH (Hormônio antimulleriano) e CFA (Contagem de folículos antrais). Há tempos é sabido que o AMH e CFA são os melhores exames para se determinar a reserva de óvulos de uma mulher, a novidade é o surgimento de fórmulas que agregam esses dois parâmetros, mostrando uma teórica superioridade frente às medições isoladas.

4- Transferência embrionária
Acompanhando as tendências dos últimos anos, a transferência única de embrião, se possível em estágio avançado (blastocisto) deve ser o objetivo dos ciclos de fertilização in vitro, aumentando assim as taxas de gravidez e diminuindo as taxas de gestação múltipla.

5- Gestação múltipla
Conforme escrito no item anterior, deve-se a todo custo evitar a gravidez múltipla, engravidar de gêmeos já não é visto como um sucesso completo dos tratamentos de reprodução assistida, o sucesso maior é obter-se uma gravidez única.

6- Congelamento embrionário
Cada vez mais aparecem evidências que demonstram melhores taxas de gravidez quando se realiza a transferência embrionária posteriormente ao ciclo de fertilização in vitro, evitando-se assim transferências embrionárias em um ambiente sob efeito extremo do uso das medicações hormonais, o que ocorre durante a estimulação ovariana para a fertilização in vitro.

7- Diagnóstico genético pré-implantacional (PGD) e  rastreio genético pré-implantacional (PGS)
O uso das técnicas de diagnóstico genético pré-implantacional têm seu uso não contestado para se evitar a transmissão de doenças aos filhos, entretanto o uso rotineiro dessa técnicas (PGS) para casais sem alterações genéticas ainda é controverso, com muitos dados demonstrando o não aumento das taxas de gravidez nesses casos.

8- Obesidade 
Mais uma vez, mais e mais estudos demonstram os efeitos maléficos da obesidade na fertilidade, tanto em homens quanto em mulheres. A recomendação é sempre a mesma: redução de peso, atividade física e uma boa alimentação e se necessário deve-se realizar a cirurgia bariátrica.

9- Simplificar os tratamentos
Novas drogas e formas de se administrar as medicações hormonais já existem, na procura por tratamentos menos agressivos e menos estressantes para as pacientes. Assim, hormônios que só precisam de uma injeção semanal já estão sendo utilizados e futuramente o uso de hormônios na forma oral, sem a necessidade de injeções, parece ser algo promissor.

10- Receptividade endometrial
Assunto cada vez mais visado e estudado. Como achar o momento ideal para que o endométrio esteja pronto a receber o embrião? A receptividade endometrial ao embrião ainda é um mistério, mas exames e novas técnicas, como a injúria endometrial (agressão mecânica ao endométrio antes dos ciclos de fertilização in vitro) parecem ajudar a achar o ponto  ideal para transferir o embrião.

Essas foram as principais avaliações positivas que vi neste congresso, podemos notar que os avanços são constantes e evidentes, muito embora os mistérios da reprodução assistida ainda sejam inúmeros.

Texto escrito após o XVIII Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida, realizado de 20 a 23 de agosto de 2014, em Salvador, Bahia.





sábado, 23 de agosto de 2014

Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida - 2014


Presente ao XVIII Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida, em Salvador, Bahia. 

Hoje, último dia do mais importante congresso nacional da especialidade. 

Após três dias de debates e palestras de excelente nível, permitindo um intercâmbio de experiências fundamental para o aprimoramento nesta área tão incrível da medicina!!!

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

XVIII Congresso Brasileiro de Reproducão Assistida


Iniciado em Salvador, Bahia, o XVIII Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida, o maior encontro nacional da especialidade. Oportunidade de reencontrar amigos e trocar experiências com especialistas do Brasil e do mundo.