quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Novidades Congresso Brasileiro Reprodução Assistida 2014


Sempre após um congresso, novas ideias surgem, velhos pensamentos caem e diferentes estratégias aparecem. Após muitas palestras e discussões, um coisa é certa, a importância de se estudar, discutir e compartilhar o conhecimento é fundamental para o avanço da medicina, em nosso caso para a medicina reprodutiva. Vejamos alguns dos pontos mais importantes discutidos neste mês de agosto em Salvador, Bahia, no XVIII Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida.

1- Endometriose
O manejo da endometriose na paciente infértil ainda é uma questão controversa, mas à luz dos conhecimentos atuais, parece que quanto menos intervenção cirúrgica existir, melhor. A fertilização in vitro parece ser a melhor opção, sobretudo nas endometrioses moderadas e graves, como as que atingem os ovários e o intestino, por exemplo.

2- Vitamina D
Cada vez mais evidências sugerem que a deficiência de vitamina D pode provocar efeitos ruins na implantação embrionária, na movimentação dos espermatozóides e no metabolismo dos carboidratos (açucares), portanto adequados níveis de vitamina D devem ser buscados.

3- Avaliação da reserva ovariana
Começam a surgir algumas fórmulas matemáticas combinando os dois principais marcadores de reserva ovariana (o que reflete a quantidade de óvulos), o AMH (Hormônio antimulleriano) e CFA (Contagem de folículos antrais). Há tempos é sabido que o AMH e CFA são os melhores exames para se determinar a reserva de óvulos de uma mulher, a novidade é o surgimento de fórmulas que agregam esses dois parâmetros, mostrando uma teórica superioridade frente às medições isoladas.

4- Transferência embrionária
Acompanhando as tendências dos últimos anos, a transferência única de embrião, se possível em estágio avançado (blastocisto) deve ser o objetivo dos ciclos de fertilização in vitro, aumentando assim as taxas de gravidez e diminuindo as taxas de gestação múltipla.

5- Gestação múltipla
Conforme escrito no item anterior, deve-se a todo custo evitar a gravidez múltipla, engravidar de gêmeos já não é visto como um sucesso completo dos tratamentos de reprodução assistida, o sucesso maior é obter-se uma gravidez única.

6- Congelamento embrionário
Cada vez mais aparecem evidências que demonstram melhores taxas de gravidez quando se realiza a transferência embrionária posteriormente ao ciclo de fertilização in vitro, evitando-se assim transferências embrionárias em um ambiente sob efeito extremo do uso das medicações hormonais, o que ocorre durante a estimulação ovariana para a fertilização in vitro.

7- Diagnóstico genético pré-implantacional (PGD) e  rastreio genético pré-implantacional (PGS)
O uso das técnicas de diagnóstico genético pré-implantacional têm seu uso não contestado para se evitar a transmissão de doenças aos filhos, entretanto o uso rotineiro dessa técnicas (PGS) para casais sem alterações genéticas ainda é controverso, com muitos dados demonstrando o não aumento das taxas de gravidez nesses casos.

8- Obesidade 
Mais uma vez, mais e mais estudos demonstram os efeitos maléficos da obesidade na fertilidade, tanto em homens quanto em mulheres. A recomendação é sempre a mesma: redução de peso, atividade física e uma boa alimentação e se necessário deve-se realizar a cirurgia bariátrica.

9- Simplificar os tratamentos
Novas drogas e formas de se administrar as medicações hormonais já existem, na procura por tratamentos menos agressivos e menos estressantes para as pacientes. Assim, hormônios que só precisam de uma injeção semanal já estão sendo utilizados e futuramente o uso de hormônios na forma oral, sem a necessidade de injeções, parece ser algo promissor.

10- Receptividade endometrial
Assunto cada vez mais visado e estudado. Como achar o momento ideal para que o endométrio esteja pronto a receber o embrião? A receptividade endometrial ao embrião ainda é um mistério, mas exames e novas técnicas, como a injúria endometrial (agressão mecânica ao endométrio antes dos ciclos de fertilização in vitro) parecem ajudar a achar o ponto  ideal para transferir o embrião.

Essas foram as principais avaliações positivas que vi neste congresso, podemos notar que os avanços são constantes e evidentes, muito embora os mistérios da reprodução assistida ainda sejam inúmeros.

Texto escrito após o XVIII Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida, realizado de 20 a 23 de agosto de 2014, em Salvador, Bahia.





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