terça-feira, 30 de setembro de 2014

SOP e Diabetes - Fortes Relações


A SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos) é a alteração endocrinológica mais comum nas mulheres em idade fértil, afetando entre 15 a 20% destas. A mulher com ovários policísticos apresenta um risco elevado para apresentar alterações metabólicas, como: diabetes tipo 2, intolerância à glicose e resistência insulínica (estágios pré-diabetes), além das alterações nos níveis de colesterol. Além disso a evolução dos estágios pré-diabetes é mais acelerado nessas mulheres. 

A detecção precoce, as mudanças do estilo de vida e o uso de medicações que são capazes de adiar e até evitar estas progressões. 

Baseado nisso, pesquisadores da Universidade de Istambul, na Turquia, realizaram um estudo para avaliar a progressão da alteração do metabolismo dos açúcares em portadoras da síndrome dos ovário policísticos. O estudo foi publicado na Fertility and Sterility, a revista da ASRM (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva) em maio de 2014. 

Os achados dessa pesquisa mostraram que mulheres com SOP tiveram uma progressão mais rápida de um estágio pré-diabetes para o outro quando comparadas com mulheres sem SOP.  Cerca de 4,5% das portadoras de SOP evoluíram dos níveis normais de açucar para a intolerância à glicose (pré-diabetes), comparado com 0,9% da população sem ovários policísticos. Um total de 10,4% de quem tinha SOP progrediu da intolerância à glicose para o estágio de diabetes mellitus tipo 2, enquanto nenhuma mulher sem ovário policístico atingiu o estágio de diabetes.
Essas progressões foram maiores nas obesas. Refletindo que a alimentação inadequada e o sedentarismo são fatores de risco para o desenvolvimento acelerado das doenças metabólicas. Assim, a realização de exames para se detectar essas alterações é importantíssima. 

A importância aumenta ainda mais se levarmos em conta o ponto de vista reprodutivo, visto que o aumento dos níveis de açúcar aliado à obesidade são fatores fortes para provocar infertilidade, agravando mais ainda o quadro de não ovulação típico da paciente com SOP, além de serem fator de risco para problemas durante a gestação, como: o diabetes gestacional, as malformações fetais, a hipertensão gestacional e a pré-eclampsia (pressão alta da gravidez), por exemplo. 

A SOP não se trata apenas de uma alteração ovulatória, suas alterações metabólicas são gigantescas e infelizmente, muitas vezes ignoradas. 
Combater essas alterações é tão importante quanto regular a menstruação e a ovulação, permitindo o aumento da fertilidade. 

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Estamos preparados para congelar sempre?


Cada vez mais evidências sugerem que transferir embriões congelados após um ciclo de fertilização in vitro, parece ser uma alternativa boa e que no mínimo traria os mesmos resultados da transferência a fresco (embriões antes do congelamento).


Mais e mais estudos vem tentando demonstrar que essa nova abordagem é segura e eficaz. 
Seria uma ótima alternativa para se evitar, por exemplo, casos de síndrome de hiperestímulo ovariano e de gemelaridade. 

Mas será que estamos preparados para usar esse artifício de maneira rotineira? Se levarmos em consideração o fato que este tipo de transferência parece permitir ao embrião um ambiente endometrial mais receptivo, com um nível hormonal mais adequado e sem toda a elevação dos hormônios típica dos ciclos de fertilização in vitro, a resposta é sim, estamos prontos a mudar toda uma rotina dos tratamentos e do laboratório de reprodução assistida. Entretanto grandes dúvidas ainda existem. Se devemos e podemos, então como fazer isso da melhor forma e elevando as taxas de sucesso nos tratamentos de reprodução assistida? Várias questões ainda estão em aberto. 

Não existem, ainda, evidências fortes que nós permitam saber o melhor momento do embrião para o seu congelamento, nem a melhor técnica de congelamento e nem que efeitos a criopreservação poderia trazer ao embrião. Embora essa nova estratégia seja real, atual e promissora, é difícil dizer se realmente iremos fazer sempre assim num futuro próximo. 

Repetindo a pergunta novamente.  Estamos preparados pra congelar sempre? Eu diria que, ainda, não. Precisamos individualizar cada caso, pesar os fatores positivos e negativos e decidir a melhor opção especificamente para cada caso, pois cada endométrio reflete uma paciente e cada paciente é um ser único e portanto ímpar. Assim, não podemos tratar todos da mesma forma. 

É preciso que novos estudos controlados e randomizados comprovem em definitivo que o congelamento total é seguro e eficaz.  É preciso ter calma, por mais que estejamos tentados e encantados com essa nova estratégia. 

Congelar parece ser um detalhe importante para dar ao embrião o melhor momento para sua implantação no endométrio, mas precisamos ainda de dados mais fortes que nos permitam incorporar definitivamente o congelamento embrionário total como uma rotina do dia-a-dia de um laboratório de reprodução assistida. Afinal de contas, quanto maior a receptividade do endométrio maiores as chances de um bom embrião implantar e resultar numa gravidez segura.

Fonte : Fertility and Sterility (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva - ASRM), edição de Junho de 2014.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Álcool x Fertilidade Masculina

A associação entre o consumo de álcool e a fertilidade masculina já foi alvo de inúmeras pesquisas, os resultados são inconsistentes, mas parece haver uma relação negativa entre o consumo prolongado e em quantidade excessiva com a qualidade e a quantidade dos espermatozóides. 

Entretanto, um recente estudo publicado em agosto de 2014 na Human Reproduction, a revista da ESHRE (Sociedade Européia de Medicina Reprodutiva e Embriologia) não encontrou relações entre o consumo leve e moderado de álcool e uma piora dos níveis seminais. Está pesquisa foi realizada por pesquisadores da Dinamarca, Lituânia e Estados Unidos. 

Foram estudados 8344 homens, destes mais de 60% eram consumidores apenas de cerveja. Não foi achada nenhuma associação entre o consumo leve e moderado de álcool e a qualidade dos espermatozóides. Como apenas 6% dos homens estudados apresentaram consumo excessivo de álcool, não se conseguiu estabelecer uma relação desta ingestão maior com uma piora seminal, devido ao pequeno número de homens analisados com este perfil e nesta pesquisa. 
Entretanto, foi observada uma relação entre o consumo leve, moderado ou excessivo com maiores níveis de testosterona circulantes, provavelmente devido a mudanças no metabolismo da testosterona no fígado. 

Apesar deste estudo não ter o poder de demonstrar relações entre o consumo regular de álcool e uma piora da qualidade seminal, diversos estudos já demonstraram efeitos deletérios do consumo crônico (prolongado) e excessivo de álcool com uma piora dos parâmetros seminais. 

Provavelmente, isto ocorra por um dano provocado pelo álcool às células produtoras de testosterona, as células de Leydig, e por alterar toda a produção hormonal que vem desde o cérebro, alterando o eixo hipotálamo-hipófise-testículo, além dos efeitos negativos no fígado, levando a uma produção menor das proteínas responsáveis pela circulação da testosterona no organismo. 

Em resumo, a melhor opção, sempre, parece ser o equilíbrio. O uso social do álcool pode não ser tão deletério à fertilidade masculina, mas o exagero pode, a médio e longo prazo, levar a prejuízos da mesma. 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Estresse x Qualidade Seminal

Há tempos os efeitos do estresse na fertilidade humana é alvo de estudos. Algumas pesquisas já demonstraram os efeitos negativos do excesso de estresse na ovulação e na produção de espermatozóides, além de efeitos ruins na gestação, aumentando, por exemplo, as taxas de abortamentos.

No último mês de agosto, foi publicado, na Fertility and Sterility, a revista mensal da ASRM (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva) um estudo que tentou avaliar as relações entre o estresse masculino e a qualidade e quantidade dos espermatozóides. A pesquisa foi realizada nas Universidades de Nova Iorque e Nova Jersey, nos Estados Unidos.

O tipo de estresse foi dividido em três categorias: estresse no ambiente de trabalho, estresse no dia-a-dia e o estresse percebido (situações em que o próprio homem percebeu o momento estressante).

Não foi encontrada nenhuma relação entre o estresse no trabalho e quaisquer alterações seminais. 
O estresse rotineiro demonstrou efeitos ruins na qualidade dos espermatozóides, assim, quanto maior o estresse diário, pior a movimentação e a forma dos espermatozóides. 

Já com relação a percepção de momentos de estresse, ou seja, quanto mais eventos diários foram percebidos pelos homens como causadores de estresse, maiores foram as alterações em movimentação, forma e quantidade de espermatozóides, demonstrando que a percepção do estresse parece ser mais importante que uma rotina diária estressante imposta ao homem.

Logicamente, esses são resultados de apenas um estudo, mas cada vez mais publicações têm associado o estresse a uma piora da fertilidade masculina e também da feminina. 
Combater o estresse é importante e fundamental para que se tenha uma boa fertilidade.