quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Cor dos olhos pode estar associada à Endometriose

A endometriose, uma patologia crônica, que causa dor pélvica e infertilidade é atualmente um dos grandes desafios da medicina, porque não se sabe a sua causa e não se sabe como tratá-la corretamente.

Diversas pesquisas vêm tentando buscar explicações para a origem da endometriose, suas causas e seus efeitos. As dúvidas são grandes e estamos longe de entender esta doença. 

Buscando decifrar tantos mistérios, um grupo de pesquisadores de Milão, na Itália, estudaram se existiam diferenças entre a cor dos olhos de pacientes com endometriose. Os dados foram publicados pela Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia, em outubro de 2014.

Eles acharam uma incidência maior de olhos azuis e menor de olhos marrons em pacientes com endometriose profunda (a que atinge orgãos, como: intestino e bexiga), quando comparado com pacientes sem endometriose. Em pacientes com endometriose no ovário não apresentaram nenhum padrão na cor dos olhos.

Existem duas explicações para tal achado, que podem ser importantes para as futuras pesquisas sobre endometriose. 

Primeiro, genes envolvidos no controle da cor da irís (região colorida do olho) podem estar envolvidos com os genes que são responsáveis pela capacidade de invasão da endometriose. 

Segundo, o cor azul dos olhos pode ser o indicador de uma maior sensibilidade à luz solar, fazendo com que essas pacientes tenham menos exposição ao sol e levando a uma redução da vitamina D corporal. Algumas pesquisas recentes têm demonstrado que a deficiência desta vitamina está relacionada ao desenvolvimento da endometriose.
Como se vê, uma doença cheia de mistérios e enigmas. Infelizmente, ainda estamos há anos de solucionar tantas questões.

                                            Um Feliz Natal a todos!!!!!


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Qualidade Embrionária e Receptividade Endometrial


Por que não engravidamos? Esta é uma das dúvidas mais comuns dos casais que realizam uma fertilização in vitro e não conseguem um resultado positivo. É difícil entender como um embrião aparentemente perfeito não conseguiu se implantar em um endométrio ultrassonograficamente perfeito. O grande mistério está justamente ai. Na verdade, a medicina reprodutiva não é capaz de explicar, a luz dos conhecimentos atuais, o porquê de tanta dificuldade nesta interação. 

Alguns pontos podem ser analisados. 

Em primeiro lugar, a avaliação do embrião e sua classificação em termos de forma e número de células não é capaz de avaliar geneticamente o mesmo, assim um embrião morfologicamente perfeito pode ter alterações genéticas que tornam impossível sua implantação no endométrio e portanto uma gravidez. 

Avaliar geneticamente um embrião é, hoje, possível, através do PGD (diagnóstico genético pré-implantacional). Esta técnica consiste na retirada de uma célula do embrião e realizar a análise do material genético, entretanto, não há consenso para se usar esta técnica em todos os casos, visto que não se sabe os efeitos negativos que a mesma poderia provocar em embriões geneticamente perfeitos. Assim, hoje, deve-se realizar o PGD em casos específicos, como no de casais que apresentam alterações genéticas, com o intuito de não transmitir aos filhos as mesmas alterações. Quando se realiza o PGD, podemos constatar que muitos dos embriões morfologicamente normais, apresentam alterações genéticas incompatíveis com a vida, infelizmente.

Quanto à análise endometrial, as dificuldades são enormes também. É, ainda, impossível saber se o endométrio perfeito ao ultrassom, com espessura e forma considerada ideais, apresenta, realmente, condições ideais de receptividade ao embrião. A interação do endométrio com o embrião é uma área, ainda, bastante desconhecida, pois diversos fatores estão envolvidos nesta conexão e a medicina reprodutiva ainda está longe de decifrar todos esses segredos.

Em resumo, muitas perguntas, muitos mistérios ainda não foram decifrados. A medicina reprodutiva é uma ciência, ainda, jovem. O primeiro bebê de proveta nasceu apenas em 1978, há muito pouco tempo e apesar dos avanços fantásticos nas última décadas, ainda estamos longe, muito longe, de atingir a perfeição, ou melhor, a quase perfeição, por que será muito difícil atingir o número mágico, os 100%.

PS: Este texto é dedicado a todas as minhas pacientes que tentaram e vêm tentando engravidar e que ainda não atingiram a tão desejada gravidez. Escrevo para vocês, com o intuito de tentar com que seja mais fácil compreender o porquê de tantas dificuldades, mas uma coisa é certa, quanto mais tentarmos, mais chances teremos de encontrar o momento certo de transferir o embrião geneticamente perfeito para o endométrio com receptividade ideal. 

Trata-se, portanto, de um método que apesar de todos os avanços é, ainda, um método de tentativas, assim como tentar uma gravidez naturalmente, também, é.

domingo, 21 de dezembro de 2014

SOP: Obesidade Abdominal e Resistência Insulínica

A SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos) é a mais comum desordem endócrina feminina, afetando entre 12 a 21% de mulheres em idade fértil. Pode provocar infertilidade anovulatória (impede a ovulação), aumento do risco cardiovascular e de alterações no metabolismo dos carboidratos, podendo levar à resistência insulínica (estado pré-diabetes) e ao diabetes mellitus. É a principal causa de infertilidade feminina. 

A resistência insulínica (RI) é um fator muito comum nas mulheres com SOP e inférteis. Embora não se saibam exatamente os mecanismos que causam a SOP, sabe-se que a obesidade abdominal, a RI e o estresse oxidativo (aumento da produção de radicais livres) decorrentes das alterações metabólicas são de vital importância para a patogênese (desenvolvimento e manutenção) desta patologia. 

Baseado nisso, pesquisadores chineses e de Hong Kong, realizaram uma pesquisa para tentar entender um pouco mais sobre as alterações metabólicas que ocorrem na síndrome dos ovários policísticos. Os dados desta pesquisa foram publicados através da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, em outubro deste ano.

 A pesquisa demonstrou que cerca de 42% das pacientes com SOP têm sobrepeso ou obesidade, essa disfunção adiposa (do tecido gorduroso do corpo) pode levar ao diabetes mellitus e à síndrome metabólica (alterações dos níveis de colesterol e açucar, aumento da pressão e concentração de gordura abdominal). Já a resistência insulínica está presente entre 50 a 70% das mulheres com ovários policísticos.
 
Esse estresse oxidativo no tecido adiposo pode contribuir pra problemas metabólicos, já que o tecido adiposo é, hoje, visto não só como local de acúmulo de gordura mas também como um órgão endócrino que contribui para regular diversas funções metabólicas. 

Assim os radicais livres em excesso no tecido adiposo estariam aumentados nas mulheres com ovários policísticos contribuindo ainda mais para a desrregulação metabólica típica desta patologia. 

Portanto, as alterações no tecido gorduroso parecem ser mais um fator envolvido nas alterações do metabolismo tão comuns nas mulheres com SOP. Só existem duas opções para um melhor equilíbrio metabólico desta doença: realizar atividades físicas e ter uma dieta balanceada. Manter o peso e o corpo em equilíbrio é a melhor alternativa para controlar todos os efeitos metabólicos ruins e muitas vezes devastadores que envolvem a síndrome dos ovários policísticos.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Sobre a saúde das crianças concebidas in vitro

Importante reflexão escrita pelo especialista e amigo Dr. Bruno Ramalho.

"A interferência das técnicas de fertilização in vitro (FIV) sobre a saúde das crianças assim concebidas sempre merecerá a minha atenção. pelas evidências atuais, ao meu ver, os casais submetidos a tratamentos bem sucedidos devem ser tranqüilizados, principalmente quando estivermos diante de gestações de bebês únicos e não prematuros. É bem sabido que gestações múltiplas são as principais causas de parto prematuro, baixo peso ao nascimento e mortalidade de recém-nascidos após tratamentos de alta complexidade, na proporção do número de embriões transferidos ao útero da mulher. Felizmente, isso tem se resolvido pela transferência eletiva de um ou dois embriões, sem prejuízo das taxas de sucesso.
Problemas genéticos e epigenéticos, e defeitos congênitos podem, de fato, ser mais frequentes entre crianças concebidas pelas técnicas de reprodução assistida, mas, para muitos pesquisadores, a infertilidade em si estaria mais relacionada à saúde da prole que o seu tratamento. É perfeitamente aceitável, assim, a hipótese de que crianças concebidas in vitro oriundas de pacientes não necessariamente inférteis (por exemplo, de óvulos congelados por motivação social, de uniões homoafetivas ou de pacientes sobreviventes ao câncer) tenham evoluções distintas e ainda não exploradas.

Havendo preocupações, os defeitos congênitos, sem dúvida, figuram entre as principais. Na prática, contudo, a estimativa do risco é relativamente tranquilizadora. Minha leitura de dados da literatura é a seguinte: no Brasil, em que a prevalência de malformações congênitas é de aproximadamente 0,8% entre os nascidos vivos, a cada dez mil nascimentos de crianças concebidas espontaneamente teríamos até 80 acometidas; a cada dez mil brasileiros concebidos por FIV, seriam 84 os acometidos."

Autor: Bruno Ramalho

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Riscos Maternos após Fertilização in Vitro

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres, superando qualquer tipo de câncer. 

A idade avançada, o sobrepeso e a obesidade são fatores de risco para esses problemas e, também, provocam subfertilidade e infertilidade. Além disso a síndrome dos ovários policísticos (SOP), que é a principal causa endocrinológica de infertilidade feminina, aumenta, por sua vez, em sete vezes o risco de infarto do miocárdio (coração) nas mulheres com esta patologia quando comparadas a mulheres sem SOP. 

Esses dados levaram pesquisadores da Universidade de Karolinska, em Estocolmo, na Suécia, a analisar a incidência de hipertensão (pressão alta), diabetes mellitus e doença coronariana em pacientes que realizaram fertilização in vitro (FIV).

A pesquisa demonstrou uma maior incidência de hipertensão em mulheres que tiveram filhos nascidos após FIV do que naquelas que tiveram filhos após concepção natural, assim como uma tendência maior de infarto do miocárdio. A incidência de diabetes mellitus, porém, não foi diferente. 

Portanto, parece haver uma maior incidência de doença cardiovascular futura em pacientes que realizaram fertilização in vitro.
Esses dados devem-se provavelmente aos fatores de risco que as mulheres inférteis apresentam, como: sobrepeso, obesidade, alterações dos níveis de colesterol, alterações dos níveis de açucar (resistência insulínica, intolerância à glicose e diabetes mellitus), sedentarismo e síndrome dos ovários policísticos, por exemplo. 

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Atividade Física e Qualidade Seminal

Várias pesquisas apontam uma drástica redução da qualidade dos espermatozóides (seminal) desde o final do século passado até a primeira década do século XXI. 
Acha-se que as causas são multifatoriais, como: o estilo de vida, a epidemia da obesidade, o aumento da idade paterna, a queda da qualidade da dieta e as mudanças na prática de atividades físicas. As pesquisas são contraditórias quando tentam relacionar atividade física com qualidade seminal. A maioria estabeleceu uma relação deletéria (ruim) entre atividades físicas extenuantes em atletas e uma queda da qualidade seminal, entretanto pouco se sabe sobre a realização de atividades regulares em pessoas que não são atletas profissionais e a fertilidade masculina. 

Baseado nestas evidências, foi realizada uma pesquisa na Universidade de Murcia, na Espanha e os dados foram publicados na Fertility and Sterility, a revista da ASRM (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva), em outubro de 2014.

Foram avaliados homens jovens, entre 19 e 22 anos, que realizavam pelo menos cinco horas de atividade física semanal, de moderada a forte intensidade. 

Não foram encontradas evidências negativas da atividade física com qualidade seminal. Sugerindo que existe uma diferença que depende da intensidade dos exercícios. A maioria dos estudos têm avaliado atletas e homens que já apresentavam infertilidade e sugeriram que o ciclismo pode influenciar negativamente a concentração espermática e que em atletas pode haver uma diminuição na movimentação e forma dos espermatozóides. 

Um outro estudo, realizado nos EUA, demonstrou efeitos positivos da atividade física moderada com maiores concentrações espermáticas (maior número de espermatozóides). 

Em resumo, a prática de atividade física moderada, com duração de até cinco horas por semana, não alterou os parâmetros seminais em homens jovens, ou seja, parece que o equilíbrio é sempre a melhor opção e mais dados são necessários para se estabelecer uma conexão específica.