quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Sobre a saúde das crianças concebidas in vitro

Importante reflexão escrita pelo especialista e amigo Dr. Bruno Ramalho.

"A interferência das técnicas de fertilização in vitro (FIV) sobre a saúde das crianças assim concebidas sempre merecerá a minha atenção. pelas evidências atuais, ao meu ver, os casais submetidos a tratamentos bem sucedidos devem ser tranqüilizados, principalmente quando estivermos diante de gestações de bebês únicos e não prematuros. É bem sabido que gestações múltiplas são as principais causas de parto prematuro, baixo peso ao nascimento e mortalidade de recém-nascidos após tratamentos de alta complexidade, na proporção do número de embriões transferidos ao útero da mulher. Felizmente, isso tem se resolvido pela transferência eletiva de um ou dois embriões, sem prejuízo das taxas de sucesso.
Problemas genéticos e epigenéticos, e defeitos congênitos podem, de fato, ser mais frequentes entre crianças concebidas pelas técnicas de reprodução assistida, mas, para muitos pesquisadores, a infertilidade em si estaria mais relacionada à saúde da prole que o seu tratamento. É perfeitamente aceitável, assim, a hipótese de que crianças concebidas in vitro oriundas de pacientes não necessariamente inférteis (por exemplo, de óvulos congelados por motivação social, de uniões homoafetivas ou de pacientes sobreviventes ao câncer) tenham evoluções distintas e ainda não exploradas.

Havendo preocupações, os defeitos congênitos, sem dúvida, figuram entre as principais. Na prática, contudo, a estimativa do risco é relativamente tranquilizadora. Minha leitura de dados da literatura é a seguinte: no Brasil, em que a prevalência de malformações congênitas é de aproximadamente 0,8% entre os nascidos vivos, a cada dez mil nascimentos de crianças concebidas espontaneamente teríamos até 80 acometidas; a cada dez mil brasileiros concebidos por FIV, seriam 84 os acometidos."

Autor: Bruno Ramalho

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