sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

IMC elevado afeta Fertilidade


O impacto das alterações do IMC (Índice de Massa Corporal) na fertilidade humana são bem conhecidos. Mulheres com IMC acima ou abaixo da normalidade apresentam uma alta frequência de disfunções ovulatórias, o que reduz a fecundidade. Em homens, as pesquisas também indicam que grandes variações do IMC parecem alterar uma boa produção de espermatozóides, muito embora as evidências sejam menos robustas.

Para tentar esclarecer os reais impactos do peso na fertilidade masculina, pesquisadores franceses, da Universidade de Paris Descartes, realizaram uma pesquisa sobre este assunto e publicaram seus dados na Fertility and Sterility, a publicação mensal da ASRM (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva) em novembro de 2014.

Os resultados desse estudo, onde 10 mil homens foram analisados, demonstraram que quanto maior o IMC pior o volume seminal, a quantidade de espermatozóides e a movimentação dos mesmos. Para se ter uma noção de como o excesso de peso pode afetar a fertilidade, a taxa de azoospermia (ausência de espermatozóides na ejaculação) aumentou de 1,9% para 9,1% nos obesos extremos. Este estudo demonstrou, também, que os homens mais velhos (acima de 55 anos) apresentaram uma menor quantidade de espermatozóides quando comparados com homens abaixo de 25 anos, demonstrando uma relação clara e negativa entre fertilidade e idade masculina.  

Esta pesquisa demonstrou que o sêmen de homens obesos apresenta uma qualidade inferior ao de homens com níveis normais de IMC. Outros estudos demonstraram, também, que a obesidade pode estar associada a uma menor quantidade de testosterona (o hormônio masculino) e a um maior dano ao DNA (material genético) do espermatozóide, fatores que contribuem para uma piorar mais ainda a fertilidade.

Em resumo, cada vez mais e mais pesquisas têm demonstrado os efeitos negativos do excesso de peso e dos estilos de vida desequilibrados na fertilidade humana. O caminho é um só, a busca pelo equilíbrio e por uma melhor saúde física e mental.



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Produção de Espermatozóides é Reflexo da Saúde


São claras as evidências das relações entre fertilidade e saúde do homem, porém é difícil estabelecer qual o real impacto de determinadas doenças e estilos de vida na produção de bons espermatozóides. Sabe-se, por exemplo, que a obesidade e o fumo alteram tanto a saúde em termos gerais como a fertilidade masculina, assim como diabetes e hipertensão parecem, também, afetar o processo de formação dos espermatozóides. 

Em geral, o fator masculino de infertilidade está presente em mais da metade dos casais inférteis, isto representa muito.

Baseado nesses dados, pesquisadores da Universidade de Medicina de Stanford, na Califórnia, realizaram um estudo para tentar determinar as relações entre qualidade seminal e o estado de saúde de homens pertencentes a casais em busca por tratamentos para engravidar, os dados desta pesquisa foram publicados no último mês de janeiro pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (Fertility and Sterility).

Foram analisados 9387 homens, 44% apresentaram pelo menos uma doença crônica não relacionada com infertilidade e 30% tinham duas ou mais doenças de base.

Os achados desta pesquisa demonstraram que quanto maior o número de problemas de saúde maior as alterações no espermograma. Especificamente problemas endocrinológicos, do sistema genitourinário e de pele pareceram alterar mais ainda a qualidade dos espermatozóides. A hipertensão e os problemas cardiovasculares, também, foram associados a grandes alterações seminais. Homens com diabetes mellitus e hiperdislipidemia (alterações dos níveis de colesterol) apresentaram pior qualidade seminal também.

Em resumo, tudo parece estar interligado. Estilo de vida, hábitos alimentares e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, metabólicas e endocrinológicas. O desequilíbrio em um ponto provocaria todo um ciclo vicioso e levaria, portanto, a uma redução da fertilidade.

O importante é tentar-se compreender que o organismo funciona como um todo. Somos um sistema único e ímpar na natureza e qualquer desequilíbrio pode diminuir nossa fertilidade. 
Para que possamos perpetuar nossos genes precisamos estar saudáveis. O equilíbrio é a chave para a perpetuação da nossa espécie.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Bisfenol A afeta a Fertilidade Humana - Existe Substituto?

Os malefícios do bisfenol A (BPA) já estão comprovados e vêm sendo estudados há anos. Em alguns países o seu uso foi inclusive proibido. O bisfenol A é um dos principais componentes dos materiais plásticos que usamos no nosso dia-a-dia. Está presente em nosso lar, sobretudo na composição dos recipientes plásticos em que guardamos alimentos. Por ser muito barato, resistente e não se alterar com o tempo, o BPA se tornou a substância química mais produzida no mundo. Cerca de 70% de sua produção (3.4 milhões de toneladas ao ano) é usada na produção de plásticos policarbonados e 20% é usado para cobrir a superfície interna de latas metálicas que armazenam bebidas e comidas, ou seja, está presente em diversos depósitos de alimentos, podendo assim contaminar facilmente os mesmos.

Outro problema ocorre quando esta substância é aquecida, sofrendo reações e podendo provocar alterações endócrinas e matabólicas em nosso corpo. O bisfenol A é chamado de substância desrreguladora hormonal e apresenta efeitos estrogênicos (o estrógeno é o hormônio feminino) e portanto antiandrogênicos (os andrógenos, como a testosterona, são os hormônios masculinos).

Parece estar associado à diversas doenças, como: diabetes, obesidade, problemas cardiovasculares, câncer de mama e desordens reprodutivas, entre outras.

Do ponto de vista reprodutivo, pode provocar alterações já na vida intrauterina, como, por exemplo, a criptorquidia (não descida dos testículos para o saco escrotal). Estudos afirmam que o testículo fetal é o principal alvo do BPA. Essas alterações na vida intrauterina (redução da atividade androgênica testicular) podem levar a uma diminuição da fertilidade futura, por alterações na espermatogênese (formação dos espermatozóides).

Na tentativa de achar um substituto para o mesmo, diversas substâncias têm sido testadas, como o bisfenol S (BPS) e bisfenol F (BPF). Essas substâncias têm sido propostas como BPA-livre, entretanto a segurança de seu uso não foi comprovada ainda. Estudos têm demonstrado que o BPS e BPF reduzem a produção de testosterona e têm efeitos antiandrogênicos similares ao BPA, embora não existam dados sobre os efeitos dessas duas substâncias na saúde humana como um todo.

O que podemos fazer é evitar o uso de recipientes que contenham essas substâncias ou pelo menos diminuir a exposição dos mesmos a altas mudanças de temperatura. O bisfenol A é, hoje, uma das substâncias químicas mais prejudiciais à saúde e à fertilidade humana, justamente por fazer parte do nosso dia-a-dia e por estarmos em contato constante com a mesma.

Fonte: Universidade de Paris Sud e Universidade de Paris Diderot, Sorbonne Paris Cité, França. Pesquisa publicada na Fertility and Sterility, revista da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, em Janeiro de 2015.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Nossos hábitos interferem muito na Fertilidade


As causas de infertilidade têm mudado muito nos últimos 30/40 anos, o impacto do meio-ambiente e do estilo de vida desempenha um importante papel na alteração de nossa fertilidade.

Vejamos como alguns hábitos e vícios podem afetar enormemente nossa fertilidade.

1- Tabagismo

Em mulheres, provoca um atraso na concepção em mais de um ano, além de redução da reserva ovariana, irregularidades menstruais e insuficiência ovariana. Em homens, provoca disfunções eréteis e alterações cromossômicas nos espermatozóides, o que aumenta o risco de abortamentos. Parar de fumar por três meses ou mais ajuda a reverter essas alterações. Em ciclos de reprodução assistida, como na fertilização in vitro (FIV), o tabagismo tanto em homens como em mulheres causa uma redução maior que 40% das taxas de sucesso e o risco de não engravidar após uma FIV é quatro vezes maior quando se fuma por mais de cinco anos.
Parar de fumar é essencial, pelo menos, enquanto se está planejando engravidar e durante a gravidez.

2- Maconha

Em homens, o consumo de maconha por mais de cinco anos causa uma redução do número de espermatozóides e altera a movimentação e forma dos mesmos. A eliminação da maconha do organismo é bem mais lenta que a do cigarro, portanto seus efeitos são piores. Provoca também uma redução da testosterona, da libido, causa disfunções eréteis e ginecomastia (crescimento das mamas). Em mulheres, provoca alterações do ciclo menstrual e redução do número de óvulos.

3- Álcool

Afeta a produção dos espermatozóides, provocando uma piora na qualidade espermática, mas quando consumido com moderação (a velha história da taça diária de vinho) parace aumentar a produção de testosterona. Em mulheres com consumo moderado (idem o uso do vinho) parece que o tempo pra conceber naturalmente pode diminuir, entretanto estudos demonstram que o consumo excessivo possa levar a embriões de qualidade inferior em ciclos de FIV.

4- Medicamentos

Muitos medicamentos podem afetar a fertilidade. Quimioterápicos, radioterápicos e antidepressivos podem piorar muito a capacidade reprodutiva humana.

5- Cafeína

Os mecanismos pelos quais a cafeína afeta a fertilidade são desconhecidos. Em homens, o consumo de cafeína parece diminuir um pouco a concentração dos espermatozóides, sem afetar os demais parâmetros, mas isso é controverso e alguns estudos têm demonstrado um menor dano ao DNA do espermatozóide em homens que consomem café, o que seria um fator positivo. Em mulheres, o excesso de cafeína pode lentificar a maturação dos óvulos, entretanto nenhuma evidência sobre o consumo de cafeína é clara, nem para o lado negativo nem para o positivo.

6- Uso de telefones celulares

Existem boas evidências de que o uso de celulares afete a movimentação e a forma dos espermatozóides e também aumente o estresse oxidativo levando a um maior dano do DNA do espermatozóide. Quanto maior o tempo de uso maiores os danos.

7- Exposição ao ambiente

O contato com determinadas substâncias pode levar a uma diminuição da fertilidade. Pesticidas e solventes estão entre as muitas substâncias que podem diminuir a fertilidade. Assim, determinadas profissões podem oferecer um risco maior, como: cabelereiros, hortifrutigranjeiros, trabalhadores industriais, entre outros.

8- Estresse

Este fator afeta uma boa parte dos casais inférteis e pode provocar: ciclos não ovulatórios, maior risco de perda gestacional, disfunções hormonais e sexuais. O estresse pode ser o relacionado à dificuldade em engravidar, como também o relacionado à rotina diária, sobretudo ligada ao ambiente de trabalho. Metade dos casais que estão tentando engravidar apresenta pelo menos um dos parceiros com elevados níveis de estresse.

O grande problema é que, em geral, há um acúmulo de hábitos e fatores que levam a um quadro mais crítico de infertilidade. 

A abordagem do casal tem que ser global, na tentativa de resolver e corrigir os diversos pontos divergentes na longa caminhada rumo a uma boa fertilidade e consequentemente a uma gravidez.


Fonte: Departamento de Medicina Reprodutiva do Centro Médico de Assistência à Procriação de Paris, publicado em Janeiro de 2015 pela ASRM (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva).



terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Não esqueçamos o meio-ambiente

Há aproximadamente 40 anos, desde que os tratamentos de infertilidade se tornaram uma realidade, as pesquisas médicas vêm evoluindo e permitindo avanços imensos em cada etapa dos procedimentos de reprodução assistida.

Novas tecnologias têm permitido avanços fantásticos. Hoje, congelam-se óvulos, espermatozóides e embriões. É possível introduzir o espermatozóide dentro do óvulo, técnica conhecida como ICSI - Injeção intracitoplasmática de espermatozóides e tornou-se uma realidade fazer a análise genética pré-implantacional de embriões (PGD). Isto é, avançamos muito em termos de tecnologia, mas uma pergunta ainda permanece sem uma resposta apropriada.

Focamos de uma forma adequada no impacto do meio-ambiente e estilo de vida na fertilidade e nos resultados dos tratamentos de reprodução assistida? 

Indo mais longe ainda. O mesmo embrião tem a mesma capacidade de implantação em mulheres com diferentes estilos de vida? Como podemos criar um ambiente mais saudável para aumentar a eficácia dos tratamentos?

As respostas são claras e estão escancaradas bem na nossa frente. 

Um aumento da saúde em termos físicos, emocionais e psicológicos, com uma atenção maior nos aspectos nutricionais, controlando o peso de uma maneira ideal e uma redução dos níveis de estresse é fundamental. Evitar o consumo de toxinas provenientes de alimentos industrializados e de hábitos como fumar, por exemplo, também ajuda muito. Em resumo, ter uma vida mais saudável.

É preciso compreender que o corpo humano é uma minúscula parte de um todo, o mundo que nos cerca, e que tudo ao nosso redor pode influenciar a nossa saúde e fertilidade.


Fonte : Fertility and Sterility (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva), Janeiro de 2015.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Three-person IVF - Fertilização in Vitro com três DNAs



A chamada "three-person IVF" é um passo importante para a medicina reprodutiva, mas, como para todas as novidades na área, seu uso terapêutico requer cautela e rigor. Trata-se da fertilização in vitro interessando um espermatozóide (o do pretendente a pai) e dois óvulos: o da mulher pretendente a mãe, portadora de mutação no DNA das mitocôndrias, e o de uma doadora sem a mutação. 

A técnica, é preciso destacar, visa prevenir a transmissão de doenças atribuídas exclusivamente a tais mutações, pela reparação do óvulo acometido ou do embrião gerado a partir dele. Nenhuma outra indicação foi aparentemente discutida e é nesse aspecto que se deve focar para que a técnica não caia em uso indevido. Espero que os resultados de estudos bem conduzidos possam desfazer eventuais controvérsias éticas e nos tranquilizar quanto à segurança para a prole gerada. 

A imprensa tem tratado a inovação como envolvendo "três genitores"ou "duas mães e um pai". É importante frisar que essa ideia não retrata bem a realidade e mais confunde que auxilia o público leigo a entender do se trata... Na verdade, estima-se que menos de 1% do material genético da doadora do óvulo saudável seja transmitido ao embrião. Não se sabe ao certo que tipo de repercussões isso pode gerar ao concepto, mas parece-nos uma distorção falar em duas mães, mesmo em textos/matérias da imprensa leiga.

Texto escrito pelo Dr. Bruno Ramalho

Fonte da imagem: Lancaster University




segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Preservação da Fertilidade após o Câncer

A sobrevivência ao câncer, felizmente, parece crescer mais rapidamente que o número de casos novos a cada ano. Há muito sabe-se que a quimioterapia e a radioterapia podem, entretanto, levar à falência precoce dos ovários e testículos em indivíduos jovens tratados para câncer ou doenças auto-imunes, e implicar sérias conseqüências, dentre as quais está a infertilidade.

O cenário, dessa forma, exige que a ciência e a medicina estejam preparadas para oferecer o máximo possível em manutenção da qualidade de vida dos pacientes com doença em remissão, em todos os seus aspectos, o que inclui a possibilidade da maternidade/paternidade biológica.

A evolução contínua do conhecimento em oncologia e endocrinologia reprodutiva, e das técnicas de reprodução assistida tem contemplado o desenvolvimento de inúmeras pesquisas na intenção de preservar a fertilidade. Surge no contexto uma nova área de interesse, a oncofertilidade, que cresce em todo o mundo, a partir do reconhecimento dos seus benefícios em potencial entre profissionais médicos e o público interessado.

Várias são as possibilidades de tratamento, sendo a individualização a chave para escolha. Fatores como idade do paciente ao diagnóstico, idade do paciente à época esperada para remissão da doença ou esperada para a procriação, existência de parceiro sexual, tempo disponível e possibilidade de metástases, além, é claro, da quantidade de filhos e do desejo de novas gestações.

Entre as alternativas disponíveis, estão uso de hormônios, técnicas cirúrgicas e congelamento de embriões, óvulos e sêmen. Muito se tem pesquisado também sobre o congelamento de porções dos ovários, que embora ainda seja considerado uma técnica experimental, já conta com alguns nascimentos em países com pesquisas em etapas avançadas.

Por fim, não restam dúvidas de que os maiores benefícios quando se fala em preservação da fertilidade após o câncer são os psicoemocionais, já que a impossibilidade da maternidade/paternidade biológica é motivo de grande angústia e realça a impotência sentida perante uma doença inesperada e grave.

Ainda que as chances de insucesso devam ser elencadas e bem esclarecidas aos pacientes e seus familiares, as perspectivas de poder gerar uma criança após um câncer melhoram a auto-estima e, com o auxílio conjunto de médicos (oncologistas e especialistas em medicina reprodutiva) e psicólogos para a decisão consciente, podem contribuir para a melhor aceitação do tratamento e seus efeitos adversos.

Texto escrito pelo Dr. Bruno Ramalho de Carvalho.