terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Bisfenol A afeta a Fertilidade Humana - Existe Substituto?

Os malefícios do bisfenol A (BPA) já estão comprovados e vêm sendo estudados há anos. Em alguns países o seu uso foi inclusive proibido. O bisfenol A é um dos principais componentes dos materiais plásticos que usamos no nosso dia-a-dia. Está presente em nosso lar, sobretudo na composição dos recipientes plásticos em que guardamos alimentos. Por ser muito barato, resistente e não se alterar com o tempo, o BPA se tornou a substância química mais produzida no mundo. Cerca de 70% de sua produção (3.4 milhões de toneladas ao ano) é usada na produção de plásticos policarbonados e 20% é usado para cobrir a superfície interna de latas metálicas que armazenam bebidas e comidas, ou seja, está presente em diversos depósitos de alimentos, podendo assim contaminar facilmente os mesmos.

Outro problema ocorre quando esta substância é aquecida, sofrendo reações e podendo provocar alterações endócrinas e matabólicas em nosso corpo. O bisfenol A é chamado de substância desrreguladora hormonal e apresenta efeitos estrogênicos (o estrógeno é o hormônio feminino) e portanto antiandrogênicos (os andrógenos, como a testosterona, são os hormônios masculinos).

Parece estar associado à diversas doenças, como: diabetes, obesidade, problemas cardiovasculares, câncer de mama e desordens reprodutivas, entre outras.

Do ponto de vista reprodutivo, pode provocar alterações já na vida intrauterina, como, por exemplo, a criptorquidia (não descida dos testículos para o saco escrotal). Estudos afirmam que o testículo fetal é o principal alvo do BPA. Essas alterações na vida intrauterina (redução da atividade androgênica testicular) podem levar a uma diminuição da fertilidade futura, por alterações na espermatogênese (formação dos espermatozóides).

Na tentativa de achar um substituto para o mesmo, diversas substâncias têm sido testadas, como o bisfenol S (BPS) e bisfenol F (BPF). Essas substâncias têm sido propostas como BPA-livre, entretanto a segurança de seu uso não foi comprovada ainda. Estudos têm demonstrado que o BPS e BPF reduzem a produção de testosterona e têm efeitos antiandrogênicos similares ao BPA, embora não existam dados sobre os efeitos dessas duas substâncias na saúde humana como um todo.

O que podemos fazer é evitar o uso de recipientes que contenham essas substâncias ou pelo menos diminuir a exposição dos mesmos a altas mudanças de temperatura. O bisfenol A é, hoje, uma das substâncias químicas mais prejudiciais à saúde e à fertilidade humana, justamente por fazer parte do nosso dia-a-dia e por estarmos em contato constante com a mesma.

Fonte: Universidade de Paris Sud e Universidade de Paris Diderot, Sorbonne Paris Cité, França. Pesquisa publicada na Fertility and Sterility, revista da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, em Janeiro de 2015.

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