sábado, 14 de fevereiro de 2015

Nossos hábitos interferem muito na Fertilidade


As causas de infertilidade têm mudado muito nos últimos 30/40 anos, o impacto do meio-ambiente e do estilo de vida desempenha um importante papel na alteração de nossa fertilidade.

Vejamos como alguns hábitos e vícios podem afetar enormemente nossa fertilidade.

1- Tabagismo

Em mulheres, provoca um atraso na concepção em mais de um ano, além de redução da reserva ovariana, irregularidades menstruais e insuficiência ovariana. Em homens, provoca disfunções eréteis e alterações cromossômicas nos espermatozóides, o que aumenta o risco de abortamentos. Parar de fumar por três meses ou mais ajuda a reverter essas alterações. Em ciclos de reprodução assistida, como na fertilização in vitro (FIV), o tabagismo tanto em homens como em mulheres causa uma redução maior que 40% das taxas de sucesso e o risco de não engravidar após uma FIV é quatro vezes maior quando se fuma por mais de cinco anos.
Parar de fumar é essencial, pelo menos, enquanto se está planejando engravidar e durante a gravidez.

2- Maconha

Em homens, o consumo de maconha por mais de cinco anos causa uma redução do número de espermatozóides e altera a movimentação e forma dos mesmos. A eliminação da maconha do organismo é bem mais lenta que a do cigarro, portanto seus efeitos são piores. Provoca também uma redução da testosterona, da libido, causa disfunções eréteis e ginecomastia (crescimento das mamas). Em mulheres, provoca alterações do ciclo menstrual e redução do número de óvulos.

3- Álcool

Afeta a produção dos espermatozóides, provocando uma piora na qualidade espermática, mas quando consumido com moderação (a velha história da taça diária de vinho) parace aumentar a produção de testosterona. Em mulheres com consumo moderado (idem o uso do vinho) parece que o tempo pra conceber naturalmente pode diminuir, entretanto estudos demonstram que o consumo excessivo possa levar a embriões de qualidade inferior em ciclos de FIV.

4- Medicamentos

Muitos medicamentos podem afetar a fertilidade. Quimioterápicos, radioterápicos e antidepressivos podem piorar muito a capacidade reprodutiva humana.

5- Cafeína

Os mecanismos pelos quais a cafeína afeta a fertilidade são desconhecidos. Em homens, o consumo de cafeína parece diminuir um pouco a concentração dos espermatozóides, sem afetar os demais parâmetros, mas isso é controverso e alguns estudos têm demonstrado um menor dano ao DNA do espermatozóide em homens que consomem café, o que seria um fator positivo. Em mulheres, o excesso de cafeína pode lentificar a maturação dos óvulos, entretanto nenhuma evidência sobre o consumo de cafeína é clara, nem para o lado negativo nem para o positivo.

6- Uso de telefones celulares

Existem boas evidências de que o uso de celulares afete a movimentação e a forma dos espermatozóides e também aumente o estresse oxidativo levando a um maior dano do DNA do espermatozóide. Quanto maior o tempo de uso maiores os danos.

7- Exposição ao ambiente

O contato com determinadas substâncias pode levar a uma diminuição da fertilidade. Pesticidas e solventes estão entre as muitas substâncias que podem diminuir a fertilidade. Assim, determinadas profissões podem oferecer um risco maior, como: cabelereiros, hortifrutigranjeiros, trabalhadores industriais, entre outros.

8- Estresse

Este fator afeta uma boa parte dos casais inférteis e pode provocar: ciclos não ovulatórios, maior risco de perda gestacional, disfunções hormonais e sexuais. O estresse pode ser o relacionado à dificuldade em engravidar, como também o relacionado à rotina diária, sobretudo ligada ao ambiente de trabalho. Metade dos casais que estão tentando engravidar apresenta pelo menos um dos parceiros com elevados níveis de estresse.

O grande problema é que, em geral, há um acúmulo de hábitos e fatores que levam a um quadro mais crítico de infertilidade. 

A abordagem do casal tem que ser global, na tentativa de resolver e corrigir os diversos pontos divergentes na longa caminhada rumo a uma boa fertilidade e consequentemente a uma gravidez.


Fonte: Departamento de Medicina Reprodutiva do Centro Médico de Assistência à Procriação de Paris, publicado em Janeiro de 2015 pela ASRM (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva).



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