segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Preservação da Fertilidade após o Câncer

A sobrevivência ao câncer, felizmente, parece crescer mais rapidamente que o número de casos novos a cada ano. Há muito sabe-se que a quimioterapia e a radioterapia podem, entretanto, levar à falência precoce dos ovários e testículos em indivíduos jovens tratados para câncer ou doenças auto-imunes, e implicar sérias conseqüências, dentre as quais está a infertilidade.

O cenário, dessa forma, exige que a ciência e a medicina estejam preparadas para oferecer o máximo possível em manutenção da qualidade de vida dos pacientes com doença em remissão, em todos os seus aspectos, o que inclui a possibilidade da maternidade/paternidade biológica.

A evolução contínua do conhecimento em oncologia e endocrinologia reprodutiva, e das técnicas de reprodução assistida tem contemplado o desenvolvimento de inúmeras pesquisas na intenção de preservar a fertilidade. Surge no contexto uma nova área de interesse, a oncofertilidade, que cresce em todo o mundo, a partir do reconhecimento dos seus benefícios em potencial entre profissionais médicos e o público interessado.

Várias são as possibilidades de tratamento, sendo a individualização a chave para escolha. Fatores como idade do paciente ao diagnóstico, idade do paciente à época esperada para remissão da doença ou esperada para a procriação, existência de parceiro sexual, tempo disponível e possibilidade de metástases, além, é claro, da quantidade de filhos e do desejo de novas gestações.

Entre as alternativas disponíveis, estão uso de hormônios, técnicas cirúrgicas e congelamento de embriões, óvulos e sêmen. Muito se tem pesquisado também sobre o congelamento de porções dos ovários, que embora ainda seja considerado uma técnica experimental, já conta com alguns nascimentos em países com pesquisas em etapas avançadas.

Por fim, não restam dúvidas de que os maiores benefícios quando se fala em preservação da fertilidade após o câncer são os psicoemocionais, já que a impossibilidade da maternidade/paternidade biológica é motivo de grande angústia e realça a impotência sentida perante uma doença inesperada e grave.

Ainda que as chances de insucesso devam ser elencadas e bem esclarecidas aos pacientes e seus familiares, as perspectivas de poder gerar uma criança após um câncer melhoram a auto-estima e, com o auxílio conjunto de médicos (oncologistas e especialistas em medicina reprodutiva) e psicólogos para a decisão consciente, podem contribuir para a melhor aceitação do tratamento e seus efeitos adversos.

Texto escrito pelo Dr. Bruno Ramalho de Carvalho.


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