quinta-feira, 16 de abril de 2015

Um pouco de informação sobre a fertilização in vitro


O primeiro bebê concebido pela técnica de fertilização in vitro (FIV) nasceu em 1978, na Inglaterra. Desde então, a evolução crescente do conhecimento, associada a melhorias nos processos clínicos e laboratoriais, tem proporcionado o sucesso na realização dos sonhos de muitos casais com dificuldades de procriação. Atualmente, contabilizam-se mais de 5 milhões de crianças concebidas por FIV em todo o mundo.
Inicialmente restrita às mulheres com obstruções das trompas, hoje a FIV tem sido indicada formalmente, embora de maneira individualizada, para casais cuja infertilidade pressupõe-se atribuída a fatores masculinos graves, disfunções ovarianas e endometriose. Entretanto, pode ser utilizada como opção terapêutica para qualquer casal, independentemente da causa da infertilidade.
Enquanto em outros tratamentos, como a inseminação artificial, o encontro entre o óvulo e o espermatozóide acontece dentro do corpo da mulher, na FIV ele ocorre fora do corpo da mulher, no laboratório. Por essa diferença essencial, aos bebês concebidos por FIV dá-se popularmente o apelido de “bebês de proveta”.
No preparo para a FIV, o casal deve passar por um processo cuidadoso de avaliação clínica, complementada por exames laboratoriais e de imagem, com intenção de se verificar a existência de causas para a infertilidade ou outros fatores que possam interferir no sucesso do tratamento. Também é de igual importância o acolhimento multidisciplinar, que oferece ao casal o suporte emocional fundamental e complementa as orientações médicas num processo que costuma ter altos custos emotivos, sociais, familiares e financeiros.
Uma vez que tenha sido devidamente avaliado e o protocolo de tratamento tenha sido individualmente delineado, o casal costuma passar por etapas comuns a todos os casais. São exemplos: estimulação ovariana controlada, captação e avaliação dos óvulos, apresentação dos óvulos aos espermatozóides, a identificação da fertilização dos óvulos, classificação dos embriões eventualmente obtidos e transferência dos mesmos para a cavidade uterina, entre outros. Assim, o sucesso do tratamento é obtido passo a passo, à medida que cada etapa é vencida.

As normas éticas que regem a reprodução assistida no Brasil permitem que se transfiram entre 2 e 4 embriões por vez, a depender da faixa etária da mulher. Dessa forma, é comum que o número de embriões formados no ciclo de tratamento exceda o número permitido – ou mesmo adequado – para transferência no mesmo ciclo. Esses embriões sobressalentes são congelados, normalmente depois de dois a seis dias de cultivo em laboratório, e podem ser utilizados em tentativas futuras, contemplando casos de insucesso ou de desejo de mais filhos. Há outros destinos possíveis aos embriões, que podem ser discutidos com o médico assistente.
O teste de gravidez costuma ser realizado entre 12 e 14 dias depois da transferência embrionária, quando se pode confirmar a ocorrência da gravidez, chamada bioquímica. A gravidez dita clínica será confirmada apenas depois de 2 a 4 semanas, pela identificação ultrassonográfica. Quanto às taxas de sucesso da FIV, segundo a Rede Latino-americana de Reprodução Assistida, diferem de acordo com a faixa etária da mulher no momento da coleta dos óvulos: 41% na faixa etária de 25 a 29 anos; 37% de 30 a 34 anos; 30% de 35 a 39 anos e 15% com 40 ou mais anos.

É muito importante deixar claro que todas as etapas e processos descritos acima são passíveis de modificação, a depender dos protocolos de tratamento definidos individualmente pelo médico assistente e das condutas estabelecidas por cada serviço especializado. Assim, de nada valerão as informações dadas neste texto na ausência de uma consulta médica e de uma visão personalizada de cada casal. Para casais tentando engravidar há mais de um ano, recomenda-se, então, buscar orientação especializada.

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