quinta-feira, 22 de outubro de 2015

ASRM 2015




Finalizado, ontem, o Congresso da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, realizado em 
Baltimore, EUA. Após cinco dias de palestras e discussões, uma certeza continua mais viva que nunca. 
Para se ter uma boa fertilidade, dois pontos são fundamentais: idade e hábitos de vida saudáveis!!!


terça-feira, 20 de outubro de 2015

Congresso Americano de Medicina Reprodutiva - 2015



Em curso, esta semana, o Congresso Americano de Medicina Reprodutiva (ASRM 2015 - American Society for Reproductive Medicine), na cidade de Baltimore, Maryland, Estados Unidos.

Iniciado no último dia 17, o congresso será finalizado amanhã, dia 21 de outubro. 

Uma experiência importante e que permite contato com especialistas de diferentes partes do mundo. Palestras, aulas e discussões de alto nível científico.

sábado, 3 de outubro de 2015

Os quarenta de hoje nem sempre são os trinta de ontem

escrito por
Bruno Ramalho de Carvalho, MD, MSc
Médico Ginecologista, atua em Reprodução Humana, CRMDF 16.335
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Muitas vezes, notamos que o entendimento sobre as idades da mulher atual parte da ideia de que "os quarenta anos de hoje são os trinta de ontem". De fato, a expectativa de vida do ser humano aumenta a cada ano e, com ela, a vontade de viver mais e aproveitar mais do que a vida oferece nos campos pessoal e profissional. Atrelados à essa realidade, os avanços dos conhecimentos em saúde e o melhor acesso à informação sobre hábitos de vida saudável promovem a aquisição de capacidades que permitem separar os conceitos de idade e velhice. Infelizmente, embora isso tudo possa ser verdade para esses e outros aspectos, podemos dizer com segurança que é uma ideia falha no que tange a fertilidade.
As tendências atuais ao adiamento da maternidade são notórias em diversas culturas e é certo que a mídia de massa assume uma poderosa influência sobre os comportamentos da população quando o assunto é a gravidez em idade avançada. Uma fotografia do cenário denota uma visão positiva da maternidade tardia, principalmente quando ela surge como estratégia de planejamento para a vida de celebridades, com o selo da conquista do "melhor dos dois mundos”, o profissional e o familiar.
Mais sério é o desprezo do conceito de idade como um fator dificultante para a concepção natural, que despeja sobre as tecnologias reprodutivas um poder demasiado e irreal, e transmite à sociedade a ideia de que a maternidade hoje está disponível a qualquer tempo além das fronteiras da natureza. De acordo com o sugerido por um estudo americano publicado em 2012, metade das mulheres ficariam chocadas ao serem informadas sobre a queda da fertilidade entre os 35 e os 45 anos de idade. Dentre as entrevistadas, um terço acreditava na persistência de algum grau de fertilidade até a menopausa e que a gravidez poderia acontecer sem dificuldades aos 40 anos de idade.
Vamos à realidade: estima-se que 75% das mulheres que iniciam as tentativas de engravidar aos 30 anos darão à luz um nascido vivo dentro de 12 meses, enquanto apenas 44% o farão quando o início das tentativas ocorre aos 40 anos de idade. Um estudo publicado recentemente em uma das revistas especializadas mais importantes do mundo, prevê 90% de chance de se obter um filho, sem ajuda da fertilização in vitro, quando os casais iniciam tentativas de gravidez até os 32 anos de idade da mulher. Quando o objetivo for de conceber naturalmente dois ou três filhos, a mulher deve iniciar tentativas aos 27 e aos 23 anos, respectivamente.
São esses dados preocupantes que nos incitam a exerecr o dever ético de esclarecer às mulheres que, embora se sintam jovens e saudáveis, e gozem de plena capacidade profissional, o declínio natural da fertilidade com o tempo independe dos hábitos saudáveis de vida ou do histórico familiar de fertilidade abundante. A realidade dos fatos é que os óvulos humanos diminuem em quantidade e qualidade à medida que a idade avança. Isso significa dizer que uma parcela significativa das candidatas à maternidade tardia serão inférteis quando desejarem engravidar.
Nem mesmo as modernas técnicas de reprodução assistida serão capazes de anular completamente a interferência negativa do tempo sobre o potencial reprodutivo feminino, a menos que se tenha a intenção de usar óvulos de uma doadora anônima mais jovem para obter a gravidez.
O congelamento dos óvulos em idade jovem é a opção contemporânea para a procriação futura, mas é preciso chamar atenção para um detalhe muito importante: ele não garante os filhos no futuro, já que ainda restará à candidata a etapa da fertilização in vitro, que lhe dará taxas de sucesso entre 40% e 50% nas melhores perspectivas. E cabe, ainda, lembrar que a regulamentação vigente restringe o uso de técnicas de reprodução assistida a mulheres com idade máxima de 50 anos no Brasil.
Concluindo, às mulheres que desejam engravidar, recomenda-se que não esperem muito para iniciar a prole, principalmente se existe o desejo claro por mais de um filho. Há uma certa tranquilidade até os 35 anos de idade, mas na faixa etária entre 35 e 40 anos, é altamente recomendável que se busque a orientação de um especialista, caso ainda não seja, individualmente, o momento ideal para a maternidade. Depois dos 40 anos, deverá ser mais difícil realizar o sonho da procriação natural.


Referências disponíveis na sessão de mesmo nome neste Blog ou pelo e-mail ramalho.b@gmail.com