quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Quando o assunto é fertilidade, nunca é demais falar de idade

O efeito negativo da idade sobre a fertilidade, principalmente nas mulheres, não é assunto novo. No tempo do acesso vasto e fácil à informação, é de se estranhar que ainda existam pessoas que não conheçam minimamente essa realidade. Ao que parece, cerca de metade das mulheres ficariam boquiabertas ao serem informadas sobre a queda gradual da fertilidade à medida que a idade aumenta. Dentre as norte-americanas entrevistadas por um grupo de pesquisadores há cerca de 3 anos, um terço acreditava na permanência de alguma fertilidade até a ocorrência da menopausa, desconhecendo, por exemplo, as dificuldades potenciais de se obter uma gravidez a partir dos 40 anos.
Por outro lado, se outrora os conceitos de idade e velhice andaram juntos, hoje podemos dizer que se perderam pelo caminho. Atualmente, a juventude é longeva e muitas vezes ignora a quantidade de anos vividos. Mas, infelizmente, os quarenta anos de hoje não são os vinte ou trinta de ontem quando falamos de fertilidade. Essa é uma preocupação cotidiana do infertileuta, que tem a missão de esclarecer às mulheres que, mesmo que se sintam jovens, dispostas e saudáveis, nada pode impedir o tempo de interferir negativamente sobre o envelhecimento dos seus ovários. Em outras palavras, não é possível parar o cronômetro biológico feminino.
Para tornar mais clara essa relação, proponho uma comparação didática entre o que acontece com os óvulos e o que acontece com a pele. Uma mulher de 40 anos pode ter uma pele bem cuidada, bonita, que continue a exercer as funções de proteção, a sudorese e as sensações. Entretanto, certamente essa mulher já não enxerga a mesma pele que tinha aos 30 ou 20 anos de idade, mas uma pele que carrega as marcas indeléveis do tempo que passou. Pois bem, raciocínio semelhante pode ser feito para os óvulos, que mesmo num ambiente hormonal aparentemente normal, já carregam marcas do tempo suficientes para prejudicar a capacidade de serem fecundados ou de, uma vez fecundados, levarem ao nascimento de uma criança.
Ainda nos deparamos em nossos consultórios com a crença de que a medicina de hoje é capaz de proporcionar a procriação a qualquer tempo. Isso não é verdade, a menos que a a opção escolhida seja a da gravidez a partir de óvulos de uma doadora anônima mais jovem. O fato é que a medicina reprodutiva, mesmo utilizando a mais avançada das tecnologias, pode fazer muito pouco ou quase nada pela fertilidade quando os limites naturais já foram ultrapassados. Enquanto a gravidez acontecerá em cerca de 40% de todas mulheres submetidas à fertilização in vitro usando seus próprios óvulos, apenas cerca de 15% engravidarão da mesma forma a partir dos 40 anos.
Frente à realidade exposta, cresce o número de mulheres que procuram os serviços de assistência reprodutiva para congelar seus óvulos com vistas à procriação no futuro. É a chamada preservação da fertilidade por motivação social. Embora não seja, de fato, uma garantia de filhos, já que as melhores taxas de sucesso da fertilização in vitro estão entre 40% e 50%, o congelamento dos óvulos é uma tentativa de preservar gametas de melhor qualidade em prol da maternidade oportuna.
Por tudo isso, quando o assunto é fertilidade, nunca é demais falar da idade. Às mulheres com planos de maternidade, recomendo que avaliem seus momentos e não ignorem a finitude da capacidade reprodutiva, que é biológica e individualmente programada. Mas se ainda não for o momento certo de conceber, vale à pena ouvir a orientação de um especialista. Sem dúvidas, a mulher bem orientada terá as ferramentas necessárias para rever projetos de vida ou enxergar novos horizontes.

Finalizando o ano com o assunto mais importante relacionado à fertilidade feminina
Um excelente e fertilíssimo 2016!!!

Texto escrito pelo Dr. Bruno Ramalho.

 Referências pelo e-mail: ramalho.b@gmail.com
Crédito de imagem: Rough House Media



Nenhum comentário:

Postar um comentário